Roberto Sánchez, postulante à presidência do Peru, anuncia que não aceitará eventual vitória de Fujimori e aponta fraude

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Roberto Sánchez - X/@RobertoSanchP

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O político de esquerda Roberto Sánchez, candidato à presidência do Peru, declarou nesta terça-feira (23) que não aceitará os resultados do segundo turno eleitoral. A contagem parcial dos votos, até o momento, indica uma possível vitória de sua oponente, Keiko Fujimori.

Durante uma coletiva, Sánchez alegou a existência de “fraude em andamento” no processo de apuração dos votos. Ele ainda chamou seus eleitores para participarem de manifestações no próximo sábado (27).

Com a revisão de 99,71% das urnas, a postulante conservadora registra 50,11% dos votos. Seu adversário acumula 49,89% da preferência do eleitorado.

“Houve manipulação no processo de votação e não reconheceremos o governo de Fujimori”, afirmou Sánchez. Ele responsabilizou a ONPE, órgão eleitoral peruano, e a campanha de Fujimori por supostas falhas nos votos provenientes do exterior. A questão dos votos estrangeiros é historicamente sensível no Peru, frequentemente definindo eleições acirradas devido à grande diáspora peruana e ao peso desses eleitores em pleitos de margem mínima.

As cédulas contestadas do segundo turno, ocorrido em 7 de junho, estão sendo analisadas pelas autoridades eleitorais há mais de quinze dias.

Roberto Sánchez, representante do partido Juntos por el Perú, manteve a liderança na contagem por vários dias. Contudo, Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, ultrapassou-o após a contabilização dos votos dos peruanos residentes fora do país.

Entre os eleitores no exterior, Fujimori conquistou 63,206% dos sufrágios. Já em território peruano, Sánchez obteve uma leve vantagem, com 50,113% do total.

Na última segunda-feira (22), o candidato de esquerda protocolou um novo pedido para invalidar os votos dos cidadãos peruanos que vivem em outros países.

As acusações de Sánchez envolvem supostas irregularidades administrativas e falhas na administração das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito internacional. Esses votos, estimados em cerca de 300 mil, teriam beneficiado significativamente Keiko Fujimori. O candidato alega que, se esses sufrágios forem desconsiderados, ele teria uma margem de cerca de 25 mil votos a mais que sua opositora.

Especialistas em direito eleitoral, consultados por um periódico local, indicam que a solicitação não possui embasamento legal. Para esses profissionais, o objetivo seria apenas postergar a proclamação oficial dos resultados.

O partido Juntos por el Perú, de Sánchez, garantiu a segunda maior representação no Congresso nacional. A legenda obteve 32 das 130 vagas na Câmara dos Deputados e 14 das 60 posições no Senado.

Já o partido Fuerza Popular, de Fujimori, assegurou a maior bancada, com 22 assentos no Senado e 41 na Câmara dos Deputados. A sigla reiterou que aguardará a apuração completa antes de declarar a vitória oficialmente.

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