Como a meningite afeta milhões anualmente: identifique sintomas e veja o que fazer para prevenir a infecção

mulher segurando o pescoço. meningite
Foto: mulher segurando o pescoço. meningite - Kleber Cordeiro/shutterstock.com

Mais de cinco milhões de pessoas são atingidas pela meningite todos os anos ao redor do mundo. Para cada dez pacientes diagnosticados, um pode falecer devido à enfermidade, enquanto outros dois ficam com sequelas permanentes. A meningite caracteriza-se como uma inflamação grave das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, e sua causa pode ser de origem viral, bacteriana, parasitária ou fúngica.

De forma geral, a variante bacteriana da doença é a mais séria, com uma progressão rápida que demanda tratamento médico imediato. Por outro lado, a meningite viral usualmente apresenta um quadro mais leve, com recuperação espontânea na maioria dos casos, mas ainda assim exige uma avaliação médica especializada.

Quais são os sinais de alerta para a meningite?

Conforme explica a professora Cristiane Aparecida Costa, coordenadora do curso de Enfermagem da Unopar, os sintomas mais frequentemente observados incluem rigidez na nuca, dificultando o movimento de aproximar o queixo do peito, além de febre, náuseas e uma dor de cabeça muito intensa.

A especialista enfatiza a relevância da detecção precoce da meningite logo nos primeiros sinais. Isso permite que o tratamento comece rapidamente, prevenindo o desenvolvimento de lesões que podem resultar em sequelas duradouras ou até mesmo levar a óbito.

Medidas eficazes para prevenir a doença

Para diminuir os riscos de contágio, Cristiane Aparecida Costa aconselha a adoção de diversas práticas no dia a dia. Confira as principais:

  • Evite permanecer em locais com grande concentração de pessoas;
  • Mantenha os ambientes bem ventilados e, se possível, com exposição solar, especialmente salas de aula, locais de trabalho e transportes públicos;
  • Não compartilhe itens de uso pessoal, como talheres e copos;
  • Intensifique os hábitos de higiene, lavando as mãos frequentemente, sobretudo antes das refeições;
  • Mantenha seu esquema vacinal atualizado.

As vacinas disponíveis na rede pública contra a meningite

A imunização é uma das estratégias mais importantes para a proteção contra a meningite. Veja a seguir as vacinas oferecidas na rede pública que auxiliam na prevenção de diferentes tipos da doença:

  • Meningite tipo C (contida na vacina Meningo C)
    • Para crianças: primeira dose aos 3 meses e segunda dose aos 5 meses.
    • Para adolescentes de 12 a 13 anos: uma dose.
  • Meningite por pneumococo (contida na vacina Pneumo 10)
    • Para crianças: primeira dose aos 2 meses e segunda dose aos 4 meses.
  • Meningite por Haemophilus influenzae (contida na vacina Pentavalente)
    • Para crianças: primeira dose aos 2 meses; segunda dose aos 4 meses; e terceira dose aos 6 meses.
  • Meningite tuberculosa (a vacina BCG oferece proteção)
    • Para crianças: administrada ao nascer.

Dez orientações cruciais para o cuidado com a meningite

A meningite exige uma resposta médica ágil e cuidados especializados ao longo de todo o processo de tratamento. A coordenadora do curso de Enfermagem da Unopar, Cristiane Aparecida, oferece as seguintes orientações essenciais em situações de suspeita da doença:

  1. Busque atendimento médico imediato: Em caso de suspeita, manifestada por febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca, vômitos, confusão mental, sonolência excessiva ou manchas na pele que não desaparecem ao serem pressionadas, procure imediatamente um serviço de emergência. A meningite bacteriana é uma urgência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos.
  2. Não postergue exames diagnósticos essenciais: O diagnóstico geralmente inclui exame clínico, punção lombar (para análise do líquido cefalorraquidiano), hemoculturas e exames de imagem, se necessários. Estes procedimentos são fundamentais para determinar a causa e guiar o tratamento adequado.
  3. Inicie o tratamento apropriado conforme a origem: Para a meningite bacteriana, o tratamento envolve antibióticos intravenosos e, por vezes, corticosteroides, conforme a indicação médica; para a viral, são adotados cuidados de suporte e, em casos específicos (como herpes), antivirais; e para a fúngica, são utilizados antifúngicos específicos.
  4. Considere o isolamento quando necessário: Certos tipos de meningite bacteriana, como a meningocócica, requerem precauções de contato e gotículas durante o período contagioso, que se estende por até 24 horas após o início da antibioticoterapia. É fundamental seguir as instruções da equipe de saúde sobre o isolamento.
  5. Realize quimioprofilaxia e vacinação de contatos quando indicado: Para tipos específicos da doença, como a meningocócica, a quimioprofilaxia (uso preventivo de antibióticos) pode ser recomendada para pessoas que tiveram contato próximo com o paciente. A vacinação também é uma medida preventiva crucial, com imunizantes contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib), pneumococo e meningococo recomendados de acordo com o calendário vacinal.
  6. Invista no controle dos sintomas e suporte geral: Medidas como hidratação adequada, controle da febre e da dor, além de repouso, são importantes durante o tratamento. Em alguns casos, pode ser necessária a monitorização de sinais neurológicos e suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
  7. Mantenha acompanhamento para complicações e sequelas: A meningite pode ocasionar complicações como convulsões, edema cerebral, perda auditiva e déficits neurológicos. É essencial monitorar e encaminhar o paciente para reabilitação (fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, acompanhamento neurológico) quando surgirem sequelas.
  8. Prevenção com medidas de higiene e redução de risco: Reforce a higiene das mãos, evite compartilhar objetos pessoais (como copos, talheres e escovas de dente) em situações de surtos e adote medidas preventivas em locais de risco, como creches e escolas. É igualmente importante cobrir a boca ao tossir e espirrar, e manter uma ventilação adequada em ambientes fechados.
  9. Cumpra o tratamento completo: Siga rigorosamente o esquema de antibióticos e outras medicações até o fim, mesmo que os sintomas melhorem, para evitar a recidiva da doença ou o desenvolvimento de resistência bacteriana. Compareça às consultas de retorno e realize os exames de controle conforme as orientações.
  10. Ofereça informação e apoio às famílias: É fundamental explicar a doença, o prognóstico, os sinais de alerta e os cuidados domiciliares; além de oferecer suporte emocional e orientações sobre reabilitação se houver sequelas. Notifique as autoridades de saúde quando exigido, pois algumas formas de meningite são de notificação compulsória.

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