Demandas por chips de IA impulsionam elevação de preços para MacBook e iPad da Apple em todo o mundo

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iPad - Epov Dmitry / Shutterstock.com

A Apple confirmou um aumento nos valores de seus computadores MacBook e tablets iPad globalmente. A companhia justificou a medida devido à crescente pressão nos custos de chips de memória e armazenamento, um cenário impulsionado, em grande parte, pela expansão da inteligência artificial.

A empresa, responsável pela fabricação dos iPhones, elevou os preços de alguns de seus laptops e tablets em quase 20%. Ela comunicou que o setor de eletrônicos enfrenta um “desafio sem precedentes”, resultado de um “extraordinário aumento” na demanda por chips que alimentam os centros de dados de IA.

Em um comunicado, a companhia declarou que “nunca vimos o preço de um componente aumentar tanto e tão rapidamente”, assegurando que está “trabalhando incansavelmente para encontrar soluções” para a situação.

Ainda que os iPhones não tenham sido incluídos nesses reajustes para certos dispositivos, Paolo Pescatore, analista de tecnologia, interpretou a ação como um sinal de que “o boom da IA agora está afetando a eletrônica de consumo”.

Os ajustes de preços da Apple seguem uma tendência observada em diversas outras empresas, que também precisaram elevar os valores de seus aparelhos para absorver o encarecimento dos componentes de hardware.

Uma parcela significativa do aumento nos custos de memória e armazenamento, especialmente da RAM – um tipo crucial de memória para computadores –, é atribuída à proliferação de vastos centros de dados essenciais para sustentar o avanço da inteligência artificial.

Segundo a avaliação de especialistas da indústria, essa crescente demanda gerou um notável desequilíbrio entre a oferta e o que o mercado precisa, resultando na necessidade de todos pagarem mais pelos componentes.

Impacto da alta de chips pode elevar o custo de todos os eletrônicos até 2026

Pescatore ressaltou que a postura da Apple evidencia a magnitude dos desafios impostos, mesmo para as “maiores empresas de tecnologia do mundo”.

Ele explicou à BBC que este é um “momento significativo” porque “mesmo a Apple, com sua escala e poder de compra, não está mais imune ao aumento do custo de componentes essenciais”.

Um dos equipamentos com preço alterado foi o MacBook Pro, na versão com 1 terabyte de armazenamento, que teve seu valor ajustado de US$ 1.699 para US$ 1.999 na loja oficial dos Estados Unidos.

No Reino Unido, o laptop Neo, considerado o modelo mais acessível da Apple, teve seu preço elevado de £599 para £699 poucos meses após seu lançamento no mercado.

Em um comunicado oficial, a companhia afirmou: “Até agora, protegemos nossos clientes desses aumentos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços de vários produtos, incluindo os aumentos de hoje para iPad e Mac”.

David Naranjo, analista da empresa de pesquisa de mercado Counterpoint, prevê que outras fabricantes de PCs e tablets seguirão o movimento da Apple, ajustando seus próprios preços.

Naranjo detalhou que essas empresas “podem aumentar os preços de produtos selecionados, reduzir os descontos em modelos básicos ou ajustar suas linhas de produtos para se concentrarem mais em dispositivos premium”.

Dipanjan Chatterjee, vice-presidente e principal analista da consultoria de mercado Forrester, expressou confiança de que a sólida base de clientes leais da Apple absorverá o impacto financeiro sem grandes queixas.

Chatterjee acrescentou que, “se alguém consegue sobreviver a um aumento de preços com o mínimo de repercussão negativa, essa pessoa é a Apple”, destacando a forte conexão da marca com seus consumidores.

Tim Cook, o CEO que está de saída da Apple, já havia sinalizado essas mudanças. Em uma entrevista ao Wall Street Journal no início de junho, ele classificou os aumentos de preços como “inevitáveis” diante da situação “insustentável” no mercado de chips de memória.

Na ocasião, Cook declarou à publicação que “precisamos, sem dúvida, que os preços e a oferta de memória voltem a níveis razoáveis ​​para produtos de consumo. Essa é a questão fundamental”.

A escalada nos custos impactou uma vasta gama de empresas e produtos em todo o setor de tecnologia, englobando desde computadores pessoais até consoles de videogame.

Na última segunda-feira, a Valve, gigante do setor de jogos, comunicou que sua meta inicial de preço para o PC gamer Steam Machine “não era mais viável”, lançando-o, em vez disso, por £879 no Reino Unido e US$ 1.049 nos Estados Estados.

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