Rei Charles III decide não ocupar Palácio de Buckingham após reforma bilionária, focando em maior acesso público

Rei Charles - @theroyalfamily

Rei Charles - @theroyalfamily

O rei Charles III não fixará residência no Palácio de Buckingham mesmo após a finalização de uma reforma que custou 369 milhões de libras (equivalente a R$ 2,53 bilhões) e durou uma década. A decisão, que marca uma mudança histórica, visa expandir o acesso da população ao icônico prédio, que serviu como centro da vida monárquica por quase dois séculos e é a residência oficial do monarca em Londres desde a Rainha Vitória, diferentemente da Clarence House, que não é a residência principal de um monarca reinante há décadas.

Autoridades da casa real reiteram que o soberano e a rainha Camilla continuarão a desempenhar suas funções no palácio, que manterá seu status como “centro cerimonial e operacional” da monarquia. Contudo, durante o restante do reinado de Charles, o casal real manterá sua moradia na Clarence House, uma residência localizada nas proximidades.

“O Palácio de Buckingham é e continuará sendo a sede da monarquia, a joia da coroa das nossas construções nacionais”, declarou James Chalmers, o alto funcionário da realeza responsável pela gestão das finanças do rei.

A revelação foi feita nesta quinta-feira (25), durante uma apresentação sobre as finanças da realeza, na qual Charles se tornou o primeiro monarca britânico a tornar públicos os impostos pagos ao governo. O monarca desembolsou 12,9 milhões de libras (cerca de US$ 16,1 milhões) em impostos sobre renda e ganhos de capital no ano fiscal de 2024-2025, um aumento em comparação com os 11,7 milhões de libras do ano anterior.

Medidas da realeza em meio a controvérsias e necessidade de transparência

Esses anúncios acontecem em um período de busca por uma nova imagem para a família real, após meses de reportagens embaraçosas sobre as conexões entre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein e o ex-Príncipe Andrew, atualmente conhecido como Andrew Mountbatten-Windsor.

A repercussão em torno de Mountbatten-Windsor tem desviado o foco dos esforços do rei para modernizar a monarquia e demonstrar que essa instituição milenar é capaz de acompanhar os tempos.

Edificado na década de 1820, o Palácio de Buckingham tem sido o lar londrino de todos os soberanos britânicos desde a era da Rainha Vitória. Com seus 775 cômodos, o local também abriga os escritórios da burocracia real e é palco de luxuosos jantares de Estado para chefes de Estado e presidentes visitantes.

O palácio também funciona como um ponto de encontro público significativo; multidões se reúnem em sua célebre varanda para celebrar o fim de conflitos, casamentos reais e eventos históricos, como as comemorações dos 70 anos de reinado da Rainha Elizabeth II.

Além disso, a ampla avenida cerimonial conhecida como The Mall utiliza o palácio como um cenário imponente para seus desfiles.

Necessidade de manutenção e modernização do icônico palácio

Entretanto, devido ao seu uso contínuo, o palácio demonstrava os sinais do tempo. Em 2017, a Casa Real lançou um programa de dez anos para atualizar os sistemas antigos de encanamento, fiação e aquecimento, e reformar o edifício para garantir sua capacidade de abrigar a monarquia por mais meio século. A previsão é que o projeto seja concluído no próximo ano.

No entanto, o rei e a rainha optaram por residir na Clarence House, uma imponente residência adjacente ao palácio, onde Charles vive desde seus tempos como Príncipe de Gales.

Essa escolha permitirá aumentar o acesso do público ao palácio, viabilizando a realização de mais eventos e o crescimento do número de visitantes e de excursões guiadas pelo local, conforme explicou Chalmers. Atualmente, o palácio recebe cerca de 700 mil visitantes anualmente.

Observadores da família real aguardam mais detalhes sobre os planos para o futuro do palácio. Ed Owens, autor do livro “After Elizabeth: Can the Monarchy Save Itself” (“Depois de Elizabeth: A Monarquia Consegue se Salvar?”), expressou que seria lamentável se o edifício permanecesse desocupado por longos períodos ao longo do ano.

“Espero que haja um ‘segundo ato’ para essa decisão”, afirmou ele à Associated Press. “Estou curioso para ver se surgirá uma proposta mais audaciosa sobre o papel que o Palácio de Buckingham poderá assumir no futuro.”

Palácio de Buckingham – Foto: Mistervlad/shutterstock.com

Revelação de impostos reforça transparência da monarquia britânica

Outra informação relevante divulgada no dia foi o anúncio referente aos impostos da família real.

Embora Charles já tivesse divulgado detalhes de seus impostos pessoais quando era Príncipe de Gales, esta é a primeira vez que ele o faz desde sua ascensão ao trono, após a morte de sua mãe, a Rainha Elizabeth II, em 2022.

Apesar de a monarquia ser financiada por diversas fontes, o rei paga impostos apenas sobre sua renda pessoal, proveniente majoritariamente de suas propriedades privadas, como Balmoral, na Escócia, e Sandringham, na costa leste da Inglaterra. Charles também declarou impostos sobre ganhos de capital resultantes da venda de bens.

O Príncipe William, que atualmente detém o título de Príncipe de Gales, também divulgou detalhes de seus impostos na quinta-feira. William pagou 7,76 milhões de libras em impostos sobre renda e ganhos de capital no ano fiscal de 2024-2025, um montante inferior aos 8,34 milhões de libras do ano anterior, conforme informado por seu gabinete.

Pela primeira vez, os números oferecem ao público uma compreensão tangível da riqueza pessoal do rei, diferenciando-a dos castelos, joias e obras de arte que são inerentes ao cargo, mas que não constituem sua propriedade privada.

Charles não tinha qualquer obrigação legal de divulgar essas informações. As questões fiscais do rei, assim como as de qualquer cidadão, são estritamente confidenciais. Contudo, ele optou por renunciar a esse direito à privacidade em um momento em que a monarquia busca se distanciar ao máximo de Mountbatten-Windsor.

Essa atitude também consolida a percepção de que a monarquia é uma instituição pública e que seu funcionamento deve pautar-se pela transparência, conforme ressaltou Craig Prescott, especialista em direito constitucional e na monarquia da Royal Holloway, Universidade de Londres.

“Se eles forem abertos e o mais transparentes possível, o contraste com Andrew Mountbatten-Windsor se torna ainda maior”, comentou.

Veja Também