Dados do James Webb indicam cometa 3I/ATLAS com idade superior ao Sol e desafiam teorias galácticasPor Maria
3 min de leitura
![]() |
Um objeto celeste transitório que atravessa o nosso Sistema Solar foi identificado como um dos corpos mais antigos já registrados, com potencial para redefinir as concepções sobre o surgimento da galáxia. Observações do Telescópio Espacial James Webb revelam que o cometa interestelar 3I/ATLAS possivelmente se originou em um período anterior ao nascimento do Sol.
Estimativas indicam que sua idade varia entre 10 e 12 bilhões de anos, remetendo a uma época crucial na formação inicial da Via Láctea. Dessa forma, o cometa atua como um valioso vestígio cósmico, guardando informações de um estágio primordial da nossa galáxia.
O cometa 3I/ATLAS representa o terceiro corpo interestelar cuja origem foi oficialmente validada por astrônomos até o momento. Ao contrário dos cometas nativos do Sistema Solar, este visitante é oriundo de outro sistema estelar e prosseguirá sua jornada pelo espaço após sua passagem nas proximidades solares.

Pesquisadores investigaram a composição do objeto ao analisar os gases que ele libera quando o calor do Sol provoca a sublimação de seus componentes congelados. O instrumento NIRSpec, embarcado no telescópio James Webb, foi fundamental para mapear essa “assinatura química” única.
Observou-se que o cometa exibe concentrações de deutério, uma forma mais pesada de hidrogênio, aproximadamente 30 vezes maiores do que as detectadas em cometas locais do Sistema Solar. Essa desproporção sugere fortemente que sua formação ocorreu em um ambiente de frio extremo, com temperaturas inferiores a 30 Kelvin, um dado crucial para entender as condições daquele período.
Adicionalmente, foram notadas variações na composição de carbono, especialmente uma menor proporção de carbono-13. Esse perfil químico aponta para uma origem em uma fase primitiva da galáxia, quando a química do universo era substancialmente distinta daquela observada atualmente, fornecendo um vislumbre direto das condições iniciais.
Pela primeira vez, o telescópio também conseguiu identificar metano em um corpo interestelar, substância que foi liberada pelo aquecimento solar. Além disso, uma alta concentração de dióxido de carbono foi registrada, ampliando o leque de componentes orgânicos primordiais revelados.
Cada componente químico descoberto é visto pelos cientistas como uma peça fundamental para a reconstituição do ambiente de formação do cometa. A hipótese de que a estrela que o originou possa não existir mais adiciona uma camada de mistério e profundidade à sua história cósmica.







