Pesquisadores revelaram seis novas falhas nos sistemas de compartilhamento de arquivos AirDrop, da Apple, e Quick Share, da Samsung. As descobertas, publicadas em um estudo detalhado pelo Centro Helmholtz da CISPA para Segurança da Informação, destacam riscos significativos para a segurança de dispositivos móveis.
A pesquisa se concentrou em mapear as potenciais camadas de ataque dessas duas populares tecnologias. Nesses recursos, os aparelhos primeiro estabelecem um sinal para comunicação e, em seguida, criam uma conexão segura para a transmissão de dados, que são decodificados ao chegar ao dispositivo receptor.
As vulnerabilidades identificadas no AirDrop e no Quick Share residem exatamente entre a formação dessa ponte de conexão e o processo de decodificação. Um invasor pode enviar pacotes de dados formatados de forma incorreta, fazendo com que a tecnologia falhe e se torne vulnerável a explorações.
Descobertas sobre vulnerabilidades no AirDrop
Sob a liderança de Arash Ale Ebrahim e Nils Ole Tippenhauer, os estudiosos encontraram três vulnerabilidades no AirDrop que permitem ataques sem a necessidade de interação do usuário. Todas elas têm origem em um mesmo ponto crítico: o `sharingd`, um serviço da Apple que administra grande parte da conectividade sem fio nos produtos da empresa.
O `sharingd` é responsável por gerenciar o AirDrop e outros sistemas de comunicação wireless. Se ele sofrer uma falha, todo o ecossistema de conectividade da Apple pode ficar comprometido. Um ataque sofisticado pode desabilitar a integração entre os dispositivos da marca várias vezes em um curto espaço de tempo.
A falha mais básica funciona como um ataque de negação de serviço (DDoS). O invasor consegue enviar mensagens adulteradas a cada dois segundos, impedindo que o `sharingd` se reinicie e resolva os problemas.
As outras duas vulnerabilidades afetam diretamente os frameworks de sistema operacional compartilhados da Apple, como o iOS. O método envolve a criação de um arquivo de planilha com cerca de 200 camadas aninhadas, uma dentro da outra, que é enviado via AirDrop.
Ao tentar decodificar essa planilha complexa, o sistema trava devido à sobrecarga de leitura dessas camadas ocultas, resultando em um colapso de memória. Este tipo de erro é abrangente e pode afetar qualquer aplicativo e sistema da empresa, incluindo macOS, iOS, watchOS, tvOS e visionOS, colocando em risco a estabilidade e a segurança de uma vasta gama de dispositivos Apple.
Recentemente, a Apple lançou uma série de atualizações de segurança para corrigir diversas brechas em seus sistemas iOS, macOS e no navegador Safari.
Detalhes sobre as falhas encontradas no Quick Share
Em relação ao Quick Share, da Samsung e Google, os pesquisadores utilizaram um Galaxy S23 Ultra para examinar o protocolo de handshake da tecnologia. Esse protocolo é crucial para estabelecer um canal criptografado e seguro para a transmissão de dados.
A primeira vulnerabilidade observada ocorre quando um dispositivo não autorizado consegue controlar os processos de conexão antes que a criptografia seja ativada. Já a segunda brecha permite que comandos de controle trafeguem por esse canal sem a devida segurança criptográfica.
A falha mais grave foi identificada no aplicativo do Quick Share para Windows. Nela, duas conexões tentam acessar e modificar o mesmo arquivo de memória simultaneamente. Essa disputa gera uma falha no aplicativo, que acaba excluindo o arquivo em questão. Para agravar a situação, uma camada de proteção do Windows, o Control Flow Guard, estava desativada, possibilitando a inserção de códigos maliciosos nessa memória.
