Dólar hoje recua para R$ 5,13 com a queda do preço do petróleo e reflete impactos na bolsaPor Maria
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O dólar encerrou esta segunda-feira em declínio, cotado a R$ 5,13, após iniciar o dia em valorização. A baixa foi influenciada pela redução do preço do petróleo no cenário internacional, consequência direta da elevação da produção pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Simultaneamente, o índice Ibovespa começou a semana em território negativo, impactado por quedas de ações da Petrobras e da Vale, além de novidades sobre ofertas de ações da Engie e da Isa Energia.
Movimento do dólar no cenário nacional
A cotação do dólar inverteu sua tendência após um início de pregão em alta. A moeda dos Estados Unidos, que oscilou por volta de R$ 5,17 na maior parte da manhã, fechou o dia em desvalorização frente ao real. O valor final ficou em R$ 5,134 para venda no mercado comercial, representando uma retração de 0,70% em comparação com o fechamento da última sexta-feira.
Opep eleva produção e afeta cotações globais de petróleo
Os sete principais membros da Opep decidiram, em reunião recente, aumentar novamente suas cotas de produção de petróleo. Essa medida ocorre em um período de recuperação para os países do Golfo, que buscam se reerguer das consequências do conflito no Oriente Médio. Historicamente, decisões da Opep têm o poder de estabilizar ou desestabilizar o mercado global, e a atual elevação da oferta visa equilibrar as dinâmicas de preço e demanda, frequentemente ligadas à geopolítica regional. O contrato do barril de petróleo tipo Brent, uma referência internacional negociada na Bolsa ICE Intercontinental Exchange, registrava queda de 0,14% por volta das 15h40 (horário de Brasília), negociado a US$ 72,01. Este patamar ainda se encontra abaixo dos US$ 72,48 registrados antes do início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra Irã, em 28 de fevereiro.
Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a confirmação do aumento da produção de petróleo pela Opep+ a partir de agosto traz uma perspectiva mais otimista para a inflação mundial. A decisão sinaliza uma normalização da oferta, o que tende a reduzir a pressão sobre o Brent e diminuir os prêmios de risco geopolítico associados à região do Oriente Médio.
No cenário econômico brasileiro, o mercado financeiro atualizou suas projeções para inflação e juros. A expectativa de inflação para este ano, medida pela pesquisa Focus do Banco Central, registrou a primeira queda em 16 semanas. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no final de 2026 recuou de 5,33% para 5,30%. Contudo, a projeção para a taxa básica de juros Selic em 2026 permaneceu em 14%, indicando que os agentes do mercado antecipam apenas mais um corte na taxa, atualmente em 14,25% ao ano.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto, considera que a primeira revisão para baixo da expectativa de inflação, após um longo período de alta, é um indicativo importante. No entanto, ele ressalta que esse dado ainda é insuficiente para alterar significativamente a leitura da política monetária, pois a pesquisa Focus continua apontando para uma economia com perda gradual de dinamismo, sem uma desaceleração que possa eliminar rapidamente as pressões inflacionárias.
Impacto no Ibovespa durante a semana
O índice Ibovespa, que reúne as ações de maior liquidez da bolsa brasileira B3, registrou queda desde a abertura do pregão. Por volta das 16h, o indicador apresentava recuo de 0,98%, atingindo 172.356 pontos.
A bolsa brasileira tem demonstrado dificuldade em sustentar uma recuperação robusta. Embora o Ibovespa tenha fechado a última sexta-feira com alta de 0,74%, a 174.070 pontos, ele tem flutuado entre 171.700 e 174.300 pontos nos cinco pregões anteriores. O índice ainda mantém um avanço de 7% no acumulado do ano, mas já perdeu quase 15% de sua valorização máxima alcançada em 14 de abril, principalmente devido à menor entrada de investimentos estrangeiros, responsáveis por 60% das negociações na B3.
A conjunção de juros elevados nos Estados Unidos, inflação persistente e incertezas fiscais no Brasil tem levado o mercado a recalibrar suas expectativas para a Bolsa brasileira em 2026. Uma pesquisa mensal do BofA (Bank of America) com gestores que atuam no país revelou que apenas 31% dos entrevistados acreditam que o Ibovespa superará os 190 mil pontos ao final de 2026, uma queda expressiva em comparação com os 66% registrados na sondagem anterior.
Daniel Cobucci Faria, analista do BB Investimentos, alerta que, apesar de uma breve recuperação, os mercados permanecem cautelosos com a inflação em alta. Ele explica que, caso a elevação de juros para conter a inflação se confirme, haverá um aumento no custo de capital das empresas e uma diminuição do prêmio de risco em ações. Faria complementa que a tendência primária de alta ainda é forte, mas que a trajetória das taxas de juros e os dados do mercado de trabalho norte-americano exigem atenção constante.
Destaques no setor corporativo
A Engie Brasil Energia protocolou um pedido de registro para uma oferta pública primária de ações ordinárias, totalizando até R$ 10,5 bilhões. O objetivo é otimizar a estrutura de capital da companhia e possibilitar a incorporação integral da Jirau Energia S.A., usando a participação atual de sua controladora para subscrever a maior parte da operação. Na sexta-feira, as ações da Engie, controlada por capital francês, encerraram o dia cotadas a R$ 32,14.
A Isa Energia ampliou seu grupo de bancos envolvidos na oferta de novas ações. Além do BTG Pactual Investment Banking, a empresa de energia contratou o Bank of America Merrill Lynch, o Banco Bradesco BBI e o Itaú BBA para atuar como agentes de colocação internacional na distribuição primária subsequente de ações preferenciais, em uma transação estimada em R$ 650 milhões.
As ações da Petrobras registraram queda, acompanhando a desvalorização da cotação do petróleo. Na tarde desta segunda-feira, as ações preferenciais (PN) da estatal brasileira recuavam 1,5%, negociadas a R$ 37,68. Analistas do Itaú BBA indicam que incertezas sobre os níveis de dividendos e a capacidade de geração de caixa da companhia têm contido o interesse do mercado, especialmente diante de uma possível vulnerabilidade caso o barril de Brent caia para a faixa de US$ 60 a US$ 65. No entanto, um grupo menor de investidores otimistas aponta para a resiliência dos ativos do pré-sal com o Brent acima de US$ 70 e a significativa contribuição da área de refino.
A Vale também registrou baixa nas negociações, influenciada por incertezas relacionadas ao seu conselho. As ações da mineradora, que detêm o maior peso no Ibovespa (11,5% do índice), caíam 1% na tarde de hoje, cotadas a R$ 77,99. Há informações, apuradas pelo jornal Valor Econômico, de que o presidente do conselho da empresa, Daniel Stieler, pode renunciar ao cargo ainda hoje. Se confirmada, a saída atenderia a uma demanda da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), que é a maior acionista individual da Vale e solicitou a substituição de Stieler, indicado pela própria empresa, por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira. Uma assembleia foi agendada para o dia 23 deste mês para votar a questão.
As redes Pague Menos e RD Saúde receberam revisões positivas do BB Investimentos. A corretora reiterou a recomendação de compra para as ações de ambas as companhias, elevando seus preços-alvo para o fim de 2026: de R$ 5,00 para R$ 6,50 (Pague Menos) e de R$ 18,00 para R$ 21,00 (RD Saúde). Esses novos objetivos sugerem potenciais de valorização de aproximadamente 74% e 23%, respectivamente, em relação às cotações de mercado. Apesar das perspectivas otimistas, ambas as ações ainda apresentam variação negativa no ano, com Pague Menos em -40,6% e RD Saúde em -28%. O analista William Bertan, do BB, explicou que os modelos de valuation foram atualizados para incorporar os resultados do primeiro trimestre, premissas macroeconômicas recentes e ajustes nas expectativas de crescimento de receitas e margens.
Construtoras tiveram suas ações liderando as quedas na Bolsa após uma proposta de fusão. Na última sexta-feira, a HBR Realty propôs adquirir a totalidade da Helbor por meio de uma troca de ações, indicando que a transação poderia gerar uma economia de até R$ 20 milhões em despesas operacionais. A resposta inicial na Bolsa foi negativa, com os papéis da HBR Realty e da Helbor recuando mais de 20% hoje, após teleconferência com analistas e investidores.
A Gerdau teve sua perspectiva elevada de neutra para positiva pela agência de classificação de risco Fitch, que manteve a nota de longo prazo em ‘BBB’ e a nota nacional no patamar máximo de ‘AAA(bra)’. Em seu relatório, a Fitch destacou que a mudança reflete o potencial de melhoria no perfil de negócios e na rentabilidade da siderúrgica no curto prazo. Em um relatório distinto, a equipe de analistas do BTG revisou a recomendação para a Gerdau para compra, elevando o preço-alvo das ações de R$ 25 para R$ 28. Na tarde desta segunda-feira, as ações preferenciais (PN) da Gerdau eram negociadas em alta de 1%, cotadas a R$ 21,66.







