Hospital de Clínicas fecha centro obstétrico após surto de bactéria que matou bebês prematuros na UTI neonatalPor Beatriz
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O centro obstétrico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) foi interditado por um período mínimo de 72 horas. A medida foi tomada após a detecção de um surto da bactéria Serratia spp na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal da instituição. A ação visa a completa higienização da área e a contenção do microrganismo, que é considerado multirresistente. A reabertura do setor aconteceu na quinta-feira, 2 de julho.
Oito pacientes internados na unidade tiveram resultados positivos para a presença da bactéria, com os casos sendo identificados desde o dia 22 do mês passado. A confirmação mais recente ocorreu na manhã de segunda-feira, 29 de junho. Além disso, o hospital iniciou uma investigação para apurar uma possível conexão entre duas mortes de bebês prematuros e o surto bacteriano. Segundo informações da instituição, os recém-nascidos, com 23 e 27 semanas de gestação, já se encontravam em condição extremamente delicada antes mesmo da identificação da bactéria.
Os demais pacientes que testaram positivo para a infecção permanecem sob cuidados intensivos, porém em quadro clínico estável e em regime de isolamento. Diante da situação, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre orienta a transferência das gestantes que estão atualmente hospitalizadas. A instituição também solicita que futuras parturientes busquem outras unidades de saúde na região.
Entenda as características da bactéria Serratia spp
A bactéria Serratia spp é comumente encontrada em ambientes naturais, mas sua relevância médica é significativa devido à sua capacidade de atuar como um patógeno oportunista. Isso significa que ela tende a causar infecções principalmente em pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos ou em pacientes hospitalizados. Em ambientes de UTI neonatal, como o do HCPA, a fragilidade extrema dos bebês prematuros torna a contenção de microrganismos multirresistentes um desafio ainda maior para a saúde pública.
Um dos principais riscos clínicos associados à Serratia spp é sua resistência intrínseca a diversos antibióticos de uso comum. Além disso, a bactéria possui uma alta capacidade de desenvolver novos mecanismos de resistência a medicamentos. Essa característica dificulta o tratamento de infecções hospitalares, exigindo abordagens terapêuticas mais complexas e monitoramento constante.

Infecções graves causadas pela Serratia spp em pacientes vulneráveis
Em indivíduos saudáveis, o contato com a bactéria raramente desencadeia complicações sérias. Contudo, em cenários hospitalares ou em pessoas com o sistema imunológico comprometido, a Serratia spp pode colonizar o organismo e provocar infecções graves, incluindo:
- Infecções urinárias: frequentemente relacionadas ao uso prolongado de sondas ou cateteres urinários em pacientes internados.
- Infecções respiratórias: capazes de desenvolver pneumonia, especialmente em pacientes que necessitam de ventilação mecânica.
- Infecções na corrente sanguínea: a bactéria pode entrar diretamente na circulação sanguínea, o que pode levar a um quadro de infecção generalizada severa, conhecida como sepse.
- Infecções em feridas e locais cirúrgicos: coloniza queimaduras ou incisões cirúrgicas, podendo atrasar consideravelmente o processo de cicatrização.
- Conjuntivite e queratite: apresenta risco elevado para usuários de lentes de contato que não praticam a higienização adequada dos estojos e das próprias lentes.







