Um iPhone 17 Pro Max da Apple, incluído em uma cápsula do tempo que será aberta daqui a 250 anos, tem poucas chances de funcionar quando for desenterrado. O aparelho, na cor Laranja Cósmica, foi adicionado à iniciativa America250 e contém, no aplicativo Notas, “artefatos digitais” pensados para futuras gerações.
Uma análise da Forbes sugere que o smartphone será inutilizável. A principal fragilidade está na bateria de íon-lítio, que se deteriora naturalmente com o passar do tempo. Além disso, as políticas restritivas da Apple, que incluem o encerramento do suporte a modelos mais antigos, podem inviabilizar o desbloqueio do dispositivo, mesmo que o hardware se mantenha íntegro. A escolha de um iPhone para a cápsula levanta a questão da durabilidade e longevidade de produtos tecnológicos em um mundo de constante inovação.
A funcionalidade futura do iPhone também depende da manutenção de infraestruturas atuais. É preciso considerar se, em 2276, a humanidade ainda utilizará os mesmos padrões de tomadas, carregadores, voltagem e fornecimento de energia, e se os servidores da Apple permanecerão ativos.
O evento “America Innovates”, organizado em parceria pela Forbes e pela America250, foi o palco para a inclusão do dispositivo. Existe uma discussão sobre se a inserção do aparelho da Apple seria uma crítica intencional à sua estratégia de “obsolescência programada”, um modelo de negócios onde produtos são concebidos com uma vida útil limitada.
Representantes da America Innovates não responderam prontamente a um pedido de esclarecimento feito por outra publicação sobre os motivos da inclusão do iPhone.
O significado cultural da tecnologia em cápsulas do tempo
Embora o ato de enterrar tecnologia em uma cápsula do tempo possa ser ineficaz para a preservação prática, ele mantém um valor cultural significativo. O hardware certamente falhará bem antes de dois séculos, mas o item cumpre um propósito histórico e simbólico, e não meramente funcional.
A inclusão do iPhone também serve como uma reflexão sobre a percepção contemporânea da era digital, ressaltando a crença de que estávamos em um período tecnológico definitivo. Contudo, essa tecnologia de ponta pode se transformar em resíduo plástico glorificado e não biodegradável em 250 anos.
A cápsula do tempo de 408 quilos guarda diversos outros itens. Ela contém fotografias, documentos e objetos dos três poderes do governo, além de contribuições de todos os 50 estados e territórios. Entre os artefatos estão um rosário de aço inoxidável de Porto Rico e uma Constituição de bolso com assinaturas de juízes da Suprema Corte.
No entanto, especialistas alertam para a ineficácia das cápsulas do tempo na preservação de informações. Fatores como a presença de água subterrânea contribuem para essa fragilidade. Um estudo de 2019 apontou que cerca de 99% das cápsulas desenterradas foram destruídas ou, em alguns casos, simplesmente perfuradas.
O blogueiro Matt Novak, do Paleofuture, expressou ao Mental Floss que “enterrar algo é literalmente a pior maneira de preservá-lo para as gerações futuras, mas continuamos fazendo isso”.
A inclusão de um iPhone não é a primeira vez que um produto da Apple é colocado em uma cápsula do tempo. Em 2013, uma “cápsula do tempo de Steve Jobs”, considerada perdida por 30 anos, foi encontrada com um mouse da Apple em seu interior. A descoberta também revelou um pacote de seis cervejas Ballantine e um cubo mágico.
