Como a SpaceX de Elon Musk atingiu um valor de US$ 1,8 trilhão com marcos na exploração espacial

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SpaceX Foto: SpaceX - Findaview / Shutterstock.com

A empresa, que iniciou como uma startup com grandes ambições, evoluiu para uma das companhias de tecnologia mais valorizadas globalmente. Ela foi pioneira na criação de foguetes reutilizáveis, enviou astronautas para a NASA, estabeleceu a maior rede de satélites de internet e desenvolve a Starship, uma espaçonave destinada a missões lunares e, futuramente, a Marte.

A seguir, destacamos os principais feitos que moldaram a SpaceX, convertendo-a de uma startup promissora em uma potência global no espaço.

2002: a fundação da SpaceX por Elon Musk

Elon Musk estabeleceu a SpaceX no ano de 2002 com a meta ousada de diminuir expressivamente o custo de envio de cargas ao espaço. Seu objetivo era também auxiliar a humanidade a se tornar uma civilização multiplanetária.

Nesse período, o domínio dos lançamentos orbitais pertencia a agências estatais e companhias aeroespaciais estabelecidas. A SpaceX, contudo, optou por conceber e produzir a maior parte de seus equipamentos internamente, buscando desenvolver sistemas de lançamento com capacidade de reutilização.

Por que isso importava: A empresa questionou o modelo tradicional de décadas sobre o design, a construção e a operação de foguetes.

Elon Musk
Elon Musk – Foto: Frederic Legrand – COMEO / Shutterstock.com

2008: o foguete Falcon 1 alcança a órbita

O primeiro propulsor da companhia, o Falcon 1, não obteve sucesso em suas três primeiras tentativas. Contudo, na quarta vez, em 28 de setembro de 2008, o lançamento foi bem-sucedido, fazendo do Falcon 1 o primeiro foguete a combustível líquido de uma empresa privada a atingir a órbita terrestre.

Por que isso importava: Esse êxito demonstrou a capacidade da SpaceX de fabricar um veículo de lançamento orbital, ocorrendo em um momento crucial de escassez de recursos financeiros para a empresa.

2008: NASA contrata SpaceX para reabastecimento comercial

Meses após o triunfo do Falcon 1, a NASA escolheu a SpaceX para seu programa de Serviços Comerciais de Reabastecimento. A finalidade era transportar suprimentos para a Estação Espacial Internacional.

O acordo garantiu estabilidade financeira e aumentou a credibilidade da empresa. Isso contribuiu para que a SpaceX deixasse de ser uma startup em fase de testes e se tornasse uma parceira de confiança da NASA.

2010: estreia do foguete Falcon 9

Em junho de 2010, o Falcon 9 foi lançado com êxito pela primeira vez. Esse foguete, de maior porte, consolidou-se como o pilar das operações de lançamento da SpaceX, levando satélites comerciais, cargas militares, missões da NASA e, futuramente, satélites Starlink. O lançamento inicial do Falcon 9 representou um ponto crucial para os voos espaciais realizados por entidades privadas.

Por que isso importava: O Falcon 9 estabeleceu as fundações para quase todos os grandes feitos subsequentes da SpaceX.

2012: cápsula Dragon chega à Estação Espacial Internacional

A cápsula Dragon foi a primeira espaçonave desenvolvida por uma empresa privada a transportar carga para a Estação Espacial Internacional. O sucesso da missão evidenciou que companhias comerciais são capazes de dar suporte seguro aos programas de voos espaciais tripulados da NASA. A chegada da Dragon à ISS foi um evento histórico.

Por que isso importava: A SpaceX demonstrou ser capaz de ir além do lançamento de foguetes, operando também espaçonaves em órbita.

2015: SpaceX realiza pouso de foguete orbital

Em 21 de dezembro de 2015, a SpaceX executou com êxito o pouso do primeiro estágio do foguete Falcon 9, após o lançamento de uma carga em órbita. Anteriormente, os foguetes orbitais eram majoritariamente considerados descartáveis.

Por que isso importava: A recuperação de um propulsor de foguete abriu a possibilidade de uma significativa redução nos custos de lançamento, graças à sua reutilização.

2017: foguete Falcon 9 reutilizado realiza novo voo

O pouso de um foguete auxiliar foi apenas o começo. Em março de 2017, a SpaceX lançou e pousou com êxito um propulsor Falcon 9 que já havia sido utilizado, confirmando que foguetes reutilizáveis podem integrar operações rotineiras. Essa missão histórica demonstrou a viabilidade da reutilização de propulsores.

Por que isso importava: A capacidade de reutilização consolidou-se como um dos principais diferenciais competitivos da SpaceX, permitindo à empresa executar mais missões com custos reduzidos.

2018: o Falcon Heavy realiza seu primeiro voo

Em fevereiro de 2018, o Falcon Heavy fez sua estreia, tornando-se o foguete operacional mais poderoso do mundo naquele período. Sua missão inicial ficou conhecida por enviar o Tesla Roadster de Elon Musk para o espaço profundo, enquanto dois propulsores auxiliares pousaram ao mesmo tempo.

Por que isso importava: O Falcon Heavy expandiu a capacidade da SpaceX de lançar cargas governamentais, científicas e comerciais de maior peso.

2019: o início do projeto Starlink

A SpaceX iniciou o lançamento de seu primeiro grande conjunto de satélites Starlink em 2019, começando a formar a que se tornaria a maior constelação de internet via satélite global. Desde então, a Starlink expandiu-se além da conexão residencial, alcançando setores como aviação, navegação marítima, redes corporativas, comunicações de emergência e conexão direta para celulares.

Por que isso importava: O Starlink ofereceu à SpaceX um modelo de negócio com receita contínua, que transcende significativamente as operações de lançamento de foguetes.

2020: SpaceX envia astronautas da NASA ao espaço

Na terça-feira, 30 de maio de 2020, a cápsula Crew Dragon Demo-2 transportou os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley até a Estação Espacial Internacional. Este foi o primeiro lançamento orbital tripulado de solo americano desde que o Ônibus Espacial foi aposentado em 2011. A relevância da missão Demo-2 foi amplamente reconhecida.

Por que isso importava: A missão demonstrou que uma empresa privada possuía a capacidade de levar astronautas da NASA para a órbita, preparando o terreno para as subsequentes operações tripuladas da SpaceX.

SpaceX
SpaceX – Walter Cicchetti/Shutterstock.com

2021: NASA escolhe nave espacial para o programa Artemis

A NASA escolheu o sistema de pouso humano Starship da SpaceX como suporte para o retorno do programa Artemis à Lua. Essa decisão posicionou a Starship como elemento central nos planos de longo prazo da agência espacial para a exploração lunar. O projeto Starship Human Landing System foi oficialmente concedido.

Por que isso importava: A Starship deixou de ser apenas um projeto voltado para Marte. Ela se transformou também na base das futuras aspirações lunares da NASA.

2022: NASA amplia o papel da Starship

Posteriormente, a NASA exerceu uma opção para que a Starship apoiasse o programa Artemis IV, consolidando o engajamento de longo prazo da agência com o veículo. A NASA indicou que o aporte financeiro extra demandaria da SpaceX o desenvolvimento e a demonstração de um módulo de pouso lunar Starship que cumprisse as exigências da agência para uma aterrissagem tripulada no programa Artemis IV.

Por que isso importava: A concessão adicional do contrato evidenciou que a NASA considerava a Starship como componente de uma arquitetura de exploração mais abrangente, e não apenas como uma demonstração isolada.

2023-2026: continuidade dos testes da Starship

A SpaceX intensificou o desenvolvimento da Starship através de uma série de testes de voo integrados, cada vez mais arrojados. Apesar de diversos testes não terem sido bem-sucedidos, cada um forneceu dados de engenharia essenciais para as próximas versões do veículo. O sistema permanece crucial para os planos da SpaceX de lançar cargas pesadas e para o programa Artemis da NASA.

Por que isso importava: A Starship constitui a maior aposta tecnológica da SpaceX, com potencial para, eventualmente, superar o Falcon 9, caso suas operações de reutilização total se tornem rotineiras.

2024-2026: Starlink se consolida como plataforma de comunicação global

A SpaceX manteve um ritmo acelerado no lançamento de satélites Starlink, enquanto simultaneamente expandia a rede. Essa expansão alcançou setores como aviação, navegação marítima, governamental, resposta a emergências e serviços de conectividade direta para aparelhos celulares.

Por que isso importava: O Starlink transformou a SpaceX de uma empresa de lançamentos para uma companhia de comunicações e infraestrutura com receita recorrente em escala global.

starlink
starlink – Foto: Photo Agency / Shutterstock.com

2026: SpaceX realiza oferta pública inicial

A SpaceX finalizou sua aguardada Oferta Pública Inicial (IPO) em junho de 2026. As ações foram lançadas a US$ 135, conferindo à empresa uma avaliação de cerca de US$ 1,8 trilhão, posicionando-a como um dos maiores IPOs da história, conforme indicam relatórios de mercado.

No começo da negociação, os papéis da empresa registraram alta acima do preço de oferta, porém, em seguida, apresentaram recuo. Isso ocorreu enquanto investidores analisavam as expectativas de crescimento da empresa a longo prazo.

Por que isso importava: A abertura de capital da empresa concedeu aos investidores acesso direto aos serviços de lançamento da SpaceX, ao Starlink e ao avanço da Starship. Ao mesmo tempo, colocou a companhia sob o olhar atento e as expectativas dos mercados públicos.

Próximos passos para a SpaceX

O desafio iminente da SpaceX consiste em fazer com que a Starship alcance o mesmo sucesso operacional do Falcon 9. A empresa ainda precisa provar a reutilização segura da Starship, o reabastecimento em órbita e as capacidades exigidas para sustentar os planos em constante evolução do programa Artemis da NASA.

Enquanto isso, o Falcon 9 e o Starlink seguem financiando muitos dos empreendimentos mais ambiciosos da SpaceX. Independentemente de a empresa concretizar sua visão de levar humanos à Lua, alcançar Marte ou edificar a próxima geração de infraestrutura de comunicação global, suas duas primeiras décadas já revolucionaram a economia dos voos espaciais.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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