Mortes em excesso na Europa superam 10 mil após onda de calor recorde em junho
O continente europeu contabilizou mais de 10 mil óbitos acima do esperado no fim de junho, durante uma onda de calor sem precedentes que afetou a região oeste. Conforme informações divulgadas nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, pelo EuroMOMO — um sistema de monitoramento de mortalidade europeu respaldado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —, a maioria das vítimas era de pessoas com 65 anos ou mais, grupo notoriamente mais suscetível às severas consequências do calor extremo.
O acompanhamento realizado pelo EuroMOMO abrange informações de 27 nações. O relatório do monitoramento revelou que aproximadamente 90% dos falecimentos excedentes ocorreram entre indivíduos com mais de 65 anos. O período de maior incidência foi entre 22 e 28 de junho, quando várias localidades experimentaram máximas históricas de temperatura.
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Entre as nações mais impactadas estão França, Espanha, Reino Unido e Bélgica. Especificamente na Bélgica, a taxa de mortalidade em excesso durante essa onda de calor alcançou o patamar mais elevado já documentado para eventos similares. Os levantamentos indicam, ainda, que a mortalidade nos períodos que antecederam o evento estava abaixo da média habitual, o que consolida a ligação entre o calor intenso e o aumento subsequente de óbitos.
No Reino Unido, estudos conduzidos pelo Imperial College London, Met Office e London School of Hygiene and Tropical Medicine apontaram que mais de 2.700 indivíduos perderam a vida na Inglaterra e no País de Gales em decorrência das ondas de calor observadas entre os meses de maio e junho. Segundo os cientistas envolvidos, cerca de 42% dessas fatalidades podem ser diretamente conectadas à elevação extra da temperatura, um efeito atribuído às alterações climáticas.
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Especialistas ressaltam que as altas temperaturas não causam mortes apenas por insolação direta. O calor intenso também pode intensificar condições médicas preexistentes, como enfermidades cardiovasculares, respiratórias e renais. Isso eleva significativamente os riscos de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e insuficiência respiratória, particularmente em pessoas idosas e em indivíduos que já possuem alguma condição de saúde delicada.
Além das fatalidades, a onda de calor resultou em uma série de outras consequências graves, incluindo incêndios florestais de grande escala, interrupções no fornecimento de energia elétrica, fechamento de instituições de ensino e o estabelecimento de novos recordes de temperatura em diversas nações da Europa Ocidental.
Pesquisadores enfatizam que o evento climático teria sido “praticamente impossível” de ocorrer sem a influência do aquecimento global, impulsionado pelas atividades humanas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido um alerta na semana anterior, indicando que o continente europeu poderia vivenciar mais períodos de calor extremo e um aumento nas taxas de mortalidade se as temperaturas elevadas continuassem.

















