Submersível que explorou o Titanic traz primeiras imagens do naufrágio do Quest de Shackleton

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restos do Quest Foto: restos do Quest - Instituição Oceanográfica Woods Hole

Uma colaboração entre a Sociedade Geográfica Real Canadense (RCGS) e a Instituição Oceanográfica Woods Hole tornou públicas, na terça-feira, 13 de julho de 2026, as primeiras imagens dos destroços do Quest, o histórico navio que marcou a última expedição do célebre explorador antártico Sir Ernest Shackleton. A embarcação, que permaneceu submersa por mais de seis décadas no Mar do Labrador, representa uma descoberta significativa na pesquisa subaquática.

Para a obtenção desses registros visuais inéditos, a equipe utilizou o submersível tripulado Alvin, um equipamento com um notável histórico, sendo o primeiro de seu tipo a inspecionar os destroços do famoso Titanic cerca de 40 anos antes. Adicionalmente, um Veículo Operado Remotamente (ROV) também foi empregado, ambos equipados com câmeras e sensores avançados, projetados para operar em grandes profundidades e assegurar a alta qualidade da documentação.

A avaliação preliminar conduzida pelos pesquisadores indicou que grande parte da estrutura do navio se mantém bem preservada e visível, com especial atenção para a proa, o convés e diversas vigias que resistiram ao tempo. Apesar de o mastro principal ter sido encontrado tombado, a embarcação está agora coberta por uma rica e diversa vida marinha, incluindo corais rosados e várias espécies de peixes como bacalhau, peixe-vermelho e peixe-lobo, evidenciando um ecossistema vibrante que se desenvolveu ao redor do naufrágio.

destroços do Quest
destroços do Quest – Instituição Oceanográfica Woods Hole/ Instituição Oceanográfica Woods Hole

John Geiger, líder da expedição e CEO da RCGS, expressou seu profundo entusiasmo com a descoberta. “Ver o navio de Shackleton e conseguir imaginar o explorador sobre aquele convés um século atrás é uma experiência extraordinária. Inicialmente, a escuridão era predominante, mas a proa se revelou de forma nítida à medida que nos aproximávamos”, relatou Geiger.

Os vestígios do Quest haviam sido localizados previamente em 2024 pela Expedição Shackleton Quest, também sob a liderança da RCGS. No entanto, naquela ocasião, apenas foram capturadas imagens de sonar de varredura lateral. Geiger nutria o desejo de retornar ao local com tecnologias de imagem mais avançadas e veículos subaquáticos para compreender melhor o destino do navio e sua condição atual, tendo observado extensas redes de pesca obscurecendo partes da embarcação em sua primeira análise.

A equipe tem planos de dedicar três dias para realizar levantamentos minuciosos e mapear o naufrágio, logo após a captura das novas imagens. Para tanto, será utilizada a tecnologia canadense de fotogrametria subaquática Voyis, que permitirá a criação de uma réplica digital permanente do local, valiosa para pesquisas futuras e para o acesso e a educação do público.

Ainda no decorrer de julho deste ano, a expedição prosseguirá em direção ao nordeste, rumo à Groenlândia, com o objetivo de investigar um segundo naufrágio de considerável importância histórica. Trata-se do “Terra Nova”, a última embarcação pertencente ao rival de Shackleton, Robert Falcon Scott, uma figura central na Era Heroica da exploração antártica. Scott foi o segundo a atingir o Polo Sul em 1912, logo após a conquista da expedição norueguesa de Roald Amundsen, e tragicamente perdeu a vida na viagem de retorno junto com quatro membros de sua tripulação.

Ambas as embarcações possuem significativas conexões históricas com o Canadá, onde operaram como navios de caça às focas em águas locais por muitos anos. Originalmente, Shackleton planejava conduzir o Quest para o Ártico canadense antes de reorientar seu foco para a região da Antártida em sua derradeira jornada.

A expedição é composta por uma equipe internacional de renomados especialistas, incluindo nomes como o caçador de naufrágios David Mearns, a arqueóloga marinha Cora Annamaiya Norling (Njord Center, Museu Nacional da Dinamarca), a ecologista bentônica Kirstin Meyer-Kaiser (WHOI), o diretor de pesquisa Antoine Normandin (RCGS), o historiador e autor Jan Chojecki, e o historiador Geir Kløver (diretor do Museu Fram).

Conheça a trajetória e o legado do explorador Ernest Shackleton

Ernest Shackleton é amplamente reconhecido como um dos mais notáveis exploradores polares do mundo, tendo falecido a bordo do próprio Quest em 1922, aos 47 anos. Ele é lembrado como a figura central de uma das mais impressionantes histórias de sobrevivência humana, por ter conseguido resgatar toda a sua tripulação após a perda do navio Endurance, que ficou aprisionado no gelo do Mar de Weddell por dois anos. No momento de seu falecimento, ele estava a caminho da Antártida para o que seria sua última viagem de exploração.

Após a morte de Shackleton, o Quest foi comercializado para uma família norueguesa, permanecendo sob sua posse por quatro décadas, utilizado na caça de focas nas águas geladas do Ártico. O fim da embarcação ocorreu enquanto concluía uma temporada no Mar do Labrador, sendo esmagado por imensos blocos de gelo e afundando em 5 de maio de 1962.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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