Astrônomos encontram primeiro “açúcar verdadeiro” no espaço, com quatro carbonos, indicando origem da vida
Uma equipe de astrônomos revelou ter identificado uma molécula de açúcar em uma nuvem de gás e poeira próxima ao centro da Via Láctea. O composto, denominado eritrulose e composto por quatro átomos de carbono, é classificado como o primeiro “açúcar verdadeiro” encontrado no espaço interestelar. Essa descoberta, divulgada recentemente, pode oferecer insights cruciais sobre o surgimento da vida no planeta Terra.
Brett McGuire, um renomado astroquímico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, expressou grande entusiasmo com o achado. Ele enfatizou que cientistas da área têm dedicado esforços significativos por um longo período para identificar a presença de açúcares fora da Terra.
Evidências anteriores já sugeriam uma possível origem espacial para açúcares terrestres, substâncias vitais para a vida. A ribose, por exemplo, um açúcar com cinco carbonos, foi previamente detectada em meteoritos com bilhões de anos, levantando a hipótese de que colisões de rochas espaciais com a Terra poderiam ter introduzido esses compostos em nosso planeta.
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No ano 2000, pesquisadores anunciaram a descoberta do glicolaldeído, uma molécula de dois carbonos, no espaço interestelar, que era vista como o açúcar mais simples. Contudo, conforme McGuire esclareceu, mesmo que o glicolaldeído possua características similares a um açúcar, ele não se encaixa formalmente na definição. Ele explicou que açúcares autênticos precisam ter uma estrutura com um mínimo de três átomos de carbono, o que impulsionou a busca por moléculas mais complexas desde então.
A astrônoma Izaskun Jiménez-Serra, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), sediado em Madri, Espanha, integrava a equipe que buscava esses açúcares, mas sem sucesso nas observações iniciais do céu. Em 2022, Emilio Cocinero, físico-químico da Universidade do País Basco, localizada em Leioa, também na Espanha, propôs compartilhar dados espectroscópicos da eritrulose, mostrando a assinatura específica de ondas emitidas por esta molécula.
Um modelo tridimensional da eritrulose demonstra que a molécula possui quatro átomos de carbono. Além disso, a sua composição inclui átomos de oxigênio, representados em vermelho, e átomos de hidrogênio, simbolizados em branco.
Jiménez-Serra recorda sua reação inicial, questionando a sugestão de verificar dados existentes. Apesar do ceticismo inicial, a astrônoma ficou surpresa ao encontrar a assinatura da eritrulose nas observações de sua equipe, localizadas em uma nuvem molecular próxima ao núcleo da Via Láctea. Com o auxílio dos radiotelescópios de Yebes (40 metros) e IRAM (30 metros), ambos situados na Espanha, a equipe de Jiménez-Serra conseguiu observar o sinal de forma ainda mais definida, confirmando a detecção.
Como este achado contribui para a matéria-prima da vida na Terra?
A identificação da eritrulose no espaço interestelar reforça a ideia de que compostos orgânicos complexos, essenciais para o desenvolvimento da vida, podem se formar em ambientes extraterrestres e ser transportados até os planetas. Essa descoberta sugere um caminho onde açúcares, como a eritrulose, poderiam ter servido como um dos blocos construtores primordiais para o surgimento de organismos vivos na Terra.
















