Estudo aponta ineficiência na semana de 5 dias e defende trabalho de 4 dias
Uma pesquisa abrangente, que se tornou um marco no estudo das jornadas laborais, sugere que o formato tradicional de cinco dias de trabalho semanal leva à subutilização do tempo, com funcionários dedicando uma parte significativa da jornada a atividades improdutivas. Em contraste, a adoção de um modelo de quatro dias tem demonstrado ganhos substanciais de produtividade e bem-estar. A informação foi divulgada em 2 de abril de 2026, com base em um estudo global que analisou trabalhadores nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Irlanda. Este importante levantamento é um dos maiores do gênero e o primeiro a examinar os efeitos a longo prazo da semana de quatro dias, oferecendo um novo panorama sobre a eficiência no ambiente corporativo.
Produção otimizada em jornadas mais curtas
O relatório de 2023 do grupo de defesa sem fins lucrativos 4 Day Week Global revelou que trabalhadores conseguem produzir o mesmo volume em uma semana de 33 horas que em uma de 38 horas. Isso ocorre porque, ao ter menos tempo disponível, os profissionais naturalmente eliminam atividades que desperdiçam tempo e se concentram nas tarefas essenciais. A pesquisa indicou que, essencialmente, aqueles que trabalham cinco dias por semana acabam preenchendo seus dias com compromissos menos produtivos, como reuniões desnecessárias ou pausas prolongadas.
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Um programa piloto no Reino Unido, que se tornou o maior teste mundial da semana de quatro dias, envolveu mais de 60 empresas e cerca de 3.000 trabalhadores. O modelo testado, conhecido como “100:80:100”, propunha 100% do salário por 80% do tempo de trabalho, em troca de 100% de produtividade. Os resultados foram significativos, com a produtividade sendo mantida ou até mesmo aumentada na maioria das empresas participantes, além de uma queda considerável na taxa de turnover. A duração inicial do projeto-piloto foi de apenas seis meses, fornecendo dados importantes para estudos posteriores de longo prazo.
Ganhos significativos para equipes e organizações
A redução da semana de trabalho para quatro dias trouxe uma série de vantagens notáveis tanto para os colaboradores quanto para as companhias. Os resultados a longo prazo do estudo global, que acompanhou trabalhadores por 18 meses, mostraram melhorias expressivas em diversos aspectos da vida profissional e pessoal dos envolvidos.
- Houve uma redução de 65% no número de dias de licença médica, indicando melhor saúde e bem-estar dos funcionários.
- A probabilidade de um funcionário pedir demissão caiu 57%, melhorando drasticamente a retenção de talentos e reduzindo custos com contratação.
- Níveis de esgotamento profissional diminuíram consideravelmente, com melhoria da saúde geral e maior satisfação no trabalho.
- As empresas que adotaram o modelo viram sua receita aumentar em 15% durante o período de teste, um dado ponderado conforme o tamanho de cada organização.
Como a produtividade é impulsionada pela semana reduzida
A principal explicação para o sucesso da semana de quatro dias reside na capacidade dos trabalhadores de eliminar ineficiências. Ao ter menos tempo, os profissionais são incentivados a otimizar suas agendas, focando em trabalhos que exigem atenção ininterrupta e minimizando interrupções. Reuniões excessivas e outras tarefas que consomem tempo são naturalmente reduzidas, permitindo um maior direcionamento para as prioridades. Após seis meses no novo formato, os trabalhadores já conseguiam reduzir sua jornada média para 34 horas semanais. Aqueles que mantiveram o cronograma por um ano reduziram mais uma hora, alcançando 33 horas, e relataram um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal, além de ganhos adicionais na saúde mental e física. Nenhuma das organizações manifestou desejo de retornar ao período de cinco dias após o teste, e 89% dos trabalhadores também preferiram manter o novo plano de trabalho.
Implementação da semana de quatro dias apresenta desafios
Apesar dos evidentes benefícios, a transição para uma semana de trabalho de quatro dias não é simples e envolve complexidades logísticas. As empresas precisam lidar com uma série de alterações contratuais e adaptar suas operações para garantir que a mudança seja justa e eficiente para todos os envolvidos.
Charlotte Morris, diretora associada da ESP Solicitors, explicou que “as empresas não podem simplesmente alterar os termos contratuais de uma pessoa unilateralmente”. Para qualquer modificação permanente, é fundamental o acordo dos funcionários, abordando questões como o impacto para trabalhadores de meio período que já atuam em uma semana reduzida, quais dias da semana os funcionários terão folga e como o pagamento de férias será calculado.
Contudo, a estrutura de quatro dias pode não ser ideal para todos os modelos de negócios ou para todos os funcionários. Pierre Lindmark, cofundador e CEO da consultoria de gestão Winningtemp, disse que “a verdade é que a semana de trabalho de quatro dias não é para todos”. Ele alertou que um dia a menos de trabalho pode intensificar a ansiedade e o isolamento, já que a mesma carga de tarefas precisa ser concluída em menos tempo. Esse cenário pode não se alinhar a todas as culturas empresariais ou às necessidades individuais dos colaboradores.

















