Conflito entre Inglaterra vs Argentina vai muito além do futebol e resgata memórias da Guerra das Malvinas

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Guerra das Malvinas - Globo Foto: Guerra das Malvinas - Globo

A iminente disputa entre Inglaterra e Argentina por uma vaga na final da Copa do Mundo, marcada para esta quarta-feira, 15 de julho, reacende uma das mais complexas rivalidades esportivas e históricas. Contudo, o embate entre as duas seleções transcende as quatro linhas do campo, carregando um pesado contexto político e cultural que se originou décadas antes dos encontros nos torneios de futebol.

A tensão principal reside na histórica disputa pela soberania das Ilhas Malvinas, também conhecidas como Falklands pelos britânicos. Este arquipélago, situado a menos de 500 quilômetros da costa sul-americana, está sob administração do Reino Unido desde 1833, mas permanece como uma reivindicação territorial da Argentina.

Em 1982, durante o regime militar argentino, o país invadiu as ilhas em uma manobra para fortalecer o nacionalismo e tentar recuperar o apoio popular em meio a uma profunda crise interna. A resposta britânica não tardou, mobilizando uma vasta operação militar que enviou mais de 28 mil combatentes ao arquipélago em pouco mais de dois meses.

A guerra culminou com a vitória do Reino Unido. Para a Argentina, a derrota intensificou o desgaste da ditadura militar, acelerando sua queda. No Reino Unido, o triunfo militar reforçou a imagem e a posição política da então primeira-ministra Margaret Thatcher, que garantiu sua reeleição meses depois.

Quatro anos após o conflito bélico, a rivalidade encontrou um novo palco nos gramados. Nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, no Estádio Azteca, no México, Argentina e Inglaterra protagonizaram um dos confrontos mais emblemáticos da história do futebol, onde o passado recente acrescentou uma camada de significado à partida.

Nesse memorável jogo, o craque argentino Diego Maradona eternizou dois dos gols mais famosos da modalidade. O primeiro, controverso e conhecido como “A Mão de Deus”, foi marcado com o uso da mão. O segundo, aclamado por muitos como o “Gol do Século”, impressionou o mundo ao driblar vários adversários antes de balançar a rede.

Desde aquele icônico confronto, cada partida entre as duas seleções assumiu um peso simbólico considerável. A Argentina eliminou os ingleses nos pênaltis nas oitavas de final da Copa de 1998, enquanto a Inglaterra levou a melhor na fase de grupos do Mundial de 2002, mantendo a chama da rivalidade acesa.

Diante do novo embate, o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, buscou minimizar o pano de fundo histórico, declarando que a partida seria “apenas um jogo de futebol”. Contudo, entre os torcedores, a rivalidade permanece palpável: na Argentina, cânticos lembram os confrontos passados, enquanto na Inglaterra, a confiança na equipe se mistura à expectativa de enfrentar o ídolo Lionel Messi.

Messi e Argentina - Photo by Carl Recine/Getty Images
Messi e Argentina – Photo by Carl Recine/Getty Images

Os torcedores ingleses também mantêm viva a tradicional canção “It’s coming home” (A taça está voltando para casa), uma expressão que remete à Inglaterra como o berço do futebol moderno, onde as regras do esporte foram originalmente estabelecidas, adicionando uma camada de orgulho histórico à paixão pelo jogo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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