Nicarágua usa reservas para estabilizar combustíveis em meio à alta do petróleoPor Luís Henrique Costa
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O Banco Central da Nicarágua informou, na terça-feira, 20 de julho de 2026, que está empregando suas reservas financeiras para garantir a estabilidade dos preços dos combustíveis no país. A medida surge em resposta à elevação dos valores do petróleo no mercado internacional, uma consequência direta dos atuais conflitos no Oriente Médio.
A iniciativa visa prevenir reajustes nas tarifas de transporte e nos custos de produção nacionais, conforme aponta uma análise. Contudo, há um alerta de que a capacidade financeira do Estado pode ser comprometida se a conjuntura global de preços elevados continuar.
Impacto nos custos de produção e a estratégia do BC
Ovidio Reyes, presidente do Banco Central, detalhou em declaração que a valorização do petróleo bruto tem gerado um impacto significativo sobre a produção em território nicaraguense.
Reyes enfatizou que o efeito se estende aos custos de diversos materiais essenciais, não se limitando apenas ao combustível. Ele ainda esclareceu que a instituição utilizou fundos previamente acumulados, descrevendo a ação como um recurso à “própria força” do país para preservar a estabilidade econômica.
Utilização de reservas e variações nos preços locais
Informações indicam que o governo decidiu empregar as reservas financeiras já existentes para estabilizar os preços dos combustíveis e impedir aumentos repentinos. Apesar dessa medida, os impactos da pressão global já são perceptíveis na economia do país.
Nos primeiros cinco meses de 2026, o custo da cesta básica de alimentos subiu C$ 551,22, equivalente a cerca de US$ 15,10. Em dezembro, o valor era de C$ 20.821,68 (aproximadamente US$ 569,50), chegando a C$ 21.372,90 (cerca de US$ 584,60) em maio. Esse acréscimo é diretamente ligado à influência dos valores internacionais nos preços praticados internamente.
Analistas econômicos apontam que o direcionamento das reservas estatais para subsidiar, por exemplo, a gasolina, pode reduzir a capacidade de resposta das finanças públicas se a conjuntura internacional de alta persistir. A sustentabilidade dessa estratégia, portanto, dependerá da evolução dos conflitos no Oriente Médio e da quantidade de recursos disponíveis no país.
Remessas e a forte dependência econômica externa
Em sua fala, Reyes defendeu a transição para moedas locais no comércio global, alinhado à perspectiva do bloco BRICS, e o distanciamento do dólar. Apesar disso, números divulgados pelo próprio Banco Central da Nicarágua revelam que a economia do país ainda tem uma significativa dependência das remessas provenientes dos Estados Unidos.
No primeiro trimestre de 2025, o montante das remessas originadas dos Estados Unidos alcançou US$ 1,208 bilhão. Ao longo do ano de 2025, o total anual de remessas atingiu cerca de US$ 6,167 bilhões, sendo US$ 5,168 bilhões vindos dos EUA, o que representa 83,8% do total recebido.







