Diagnóstico da ANM mapeia R$ 40,4 bilhões em investimentos minerais na Amazônia Legal e aponta desafiosPor Luís Pereira
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Um novo estudo da Agência Nacional de Mineração (ANM) lançado nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, oferece um panorama detalhado sobre os minerais críticos e estratégicos na Amazônia Legal. O relatório, intitulado “Amazônia Legal: Minerais Críticos e Estratégicos – Diagnóstico Setorial”, revela tanto o vasto potencial da região quanto os significativos desafios para a exploração mineral sustentável. A pesquisa visa subsidiar a formulação de um Plano Nacional para o setor, orientando futuras decisões e investimentos.
A Amazônia Legal desempenha um papel central nas discussões sobre mineração no Brasil, sendo responsável por quase metade do valor gerado pelos minerais estratégicos do país. Apesar dessa relevância, a produção atual da região foca predominantemente em substâncias como ferro, bauxita, cobre e ouro. O diagnóstico aponta para uma lacuna na extração de outros minerais cruciais para o desenvolvimento nacional, incluindo cobalto, terras raras e potássio, que ainda não possuem produção ativa na área.

Panorama e potencial estratégico da região
O documento elaborado pela Superintendência de Economia Mineral e Geoinformação (SEG) da ANM compila uma base técnica robusta, abrangendo aspectos territoriais e econômicos. Ele detalha os direitos minerários e a produção regional, com recortes específicos por substância e unidade federativa, além de agregar dados sobre investimentos em pesquisa e lavra, arrecadação de royalties e comércio exterior. O relatório também traça um perfil dos principais projetos em andamento, oferecendo uma visão completa da atividade minerária na Amazônia Legal.
Mauro Sousa, diretor-geral da ANM, enfatiza a importância estratégica da Amazônia Legal para o setor mineral brasileiro. Segundo ele, o estudo aproveita a competência técnica da agência para qualificar os debates em torno de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A meta é construir uma política que não apenas atraia investimentos, mas também assegure o desenvolvimento do Brasil, respeitando os desafios ambientais e sociais da região. Inara Barbosa, superintendente da SEG, complementa que o objetivo é fornecer uma base técnica sólida para as tomadas de decisão, confirmando a posição relevante da Amazônia Legal no cenário mineral do país.
Concentração mineral e as lacunas de produção
Um dos achados mais notáveis do diagnóstico é que a Amazônia Legal concentra 48,2% de todos os processos relacionados a minerais críticos e estratégicos no Brasil. Dentro da própria região, alguns estados se destacam pela maior relevância nesses processos:
- Pará, com 51% dos processos da Amazônia Legal.
- Mato Grosso, respondendo por 19,0%.
- Rondônia, com 10,3%.
O ouro continua sendo a substância mineral predominante, presente em 67% dos processos na região. Em seguida, aparecem o estanho, com 10%, e o cobre, com 7,3%. Apesar dessa concentração e do volume de recursos direcionados à pesquisa, o estudo ressalta a ausência de produção de substâncias fundamentais para o país, como potássio, terras raras e cobalto, que são essenciais para tecnologias modernas e a transição energética.
Investimentos e o caminho para destravar projetos
Entre os anos de 2006 e 2024, a Amazônia Legal recebeu um aporte significativo de R$ 40,4 bilhões em investimentos destinados a minas e usinas de beneficiamento de minerais estratégicos, excluindo-se o minério de ferro dessa análise. Os principais investimentos realizados em 2024 foram direcionados a:
- Cobre, com 31,3% do total.
- Níquel, recebendo 19,8%.
- Alumínio, com 18,7%.
- Ouro, que atraiu 17,2%.
- Manganês, com 11,3%.
Os aportes em pesquisa mineral totalizaram R$ 4,9 bilhões entre 2003 e 2024, com a maior parte direcionada ao ouro (65,8%) e ao cobre (19,1%). João Vasconcelos, gerente de Economia Mineral da ANM, argumenta que reverter a ausência de produção de minerais críticos exige mais investimento em pesquisa geológica para ampliar o conhecimento do potencial mineral da região. Ele também aponta a necessidade de destravar projetos estruturantes já identificados, como Autazes, Araguaia e Vermelho, além de gerar maior segurança regulatória para atrair capital de longo prazo e promover parcerias público-privadas em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Desafios da governança socioambiental e sustentabilidade
A crescente demanda global por minerais críticos e estratégicos, impulsionada por suas aplicações em tecnologias avançadas, defesa e equipamentos para a transição energética, coloca a Amazônia Legal em uma posição de destaque. No entanto, a localização de grandes reservas na região impõe o desafio adicional de conciliar a importância econômica e geológica com a preservação ambiental e os direitos dos povos originários.
João Vasconcelos enfatiza que um planejamento responsável do aproveitamento mineral da Amazônia deve reconhecer que uma parte significativa do potencial geológico está em áreas constitucionalmente protegidas ou sujeitas a consulta prévia, conforme a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O estudo, portanto, defende a implementação de uma governança socioambiental robusta, processos de consulta prévia, licenciamento com regras e prazos claros, e a vinculação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) a fundos de desenvolvimento sustentável municipal. Essas medidas fornecem a base técnica para um planejamento e gestão territorial integrados, superando decisões pontuais e reativas.







