Novas exigências do INSS incluem biometria para aposentadoria e BPC

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expandiu a utilização da identificação biométrica para a concessão de benefícios previdenciários e assistenciais, conforme regulamentação publicada no final de junho de 2026 no Diário Oficial da União. A medida reforça a necessidade de confirmar a identidade dos segurados por meio de bases oficiais do governo antes da liberação de determinados valores.

Essa iniciativa integra a estratégia do governo federal para combater fraudes e impedir pagamentos feitos de forma indevida a outras pessoas. A partir da nova regulamentação, os solicitantes de benefícios incluídos nesta norma precisarão ter um cadastro biométrico válido em bases de dados oficiais.

A Portaria nº 1.347 do INSS formaliza esta regulamentação, estabelecendo diretrizes para a aplicação do decreto presidencial de julho de 2025, que já havia introduzido a biometria como critério para certos benefícios.

Em termos práticos, o instituto agora consolida um procedimento que já era aplicado em algumas formas de atendimento. O principal objetivo é assegurar que a identidade de quem solicita o benefício seja plenamente confirmada antes da sua concessão.

A validação biométrica pode ser realizada utilizando registros já existentes em documentos oficiais. Entre eles estão a Carteira de Identidade Nacional (CIN), a base de dados biométrica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) presente no título de eleitor e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Benefícios que exigem a confirmação biométrica

Biometria digital – Foto: artoleshko/ Istockphoto.com

A regra da biometria é aplicada a pedidos de aposentadoria, ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) e também ao auxílio-reclusão.

No entanto, outras categorias de benefícios estão isentas dessa obrigatoriedade. Entre elas estão os pedidos de pensão por morte, o salário-maternidade e os benefícios por incapacidade, como o auxílio-doença.

Segurados com mais de 80 anos também são dispensados da biometria, assim como refugiados e migrantes, conforme especificado na regulamentação.

Como a medida visa diminuir as fraudes

O INSS afirma que a biometria aprimora os mecanismos de segurança na análise de benefícios, diminuindo as chances de fraude. Essa validação impede que indivíduos usem a identidade de outras pessoas para acessar recursos da Previdência Social.

O processo de implementação da biometria tem sido gradual. A exigência para novos pedidos do BPC começou em 2024, sendo expandida para aposentadorias e auxílio-reclusão em novembro de 2025.

Agora, com a nova portaria, essas diretrizes são formalmente incorporadas aos procedimentos administrativos do INSS, consolidando a prática.

Ministério Público Federal solicita suspensão provisória da biometria

Mesmo com a regulamentação, o Ministério Público Federal (MPF) aconselhou o INSS a suspender temporariamente a obrigatoriedade da biometria. O pedido se baseia na interrupção do cadastramento biométrico eleitoral, que deve durar até novembro de 2026, dificultando para muitos cidadãos a regularização antes do prazo.

Segundo a avaliação do MPF, um grande número de segurados ainda encontra obstáculos para acessar os serviços de coleta biométrica. Essa dificuldade pode criar impedimentos no acesso a benefícios previdenciários e assistenciais para quem mais precisa.

Se o INSS aceitar a recomendação, os cidadãos sem biometria em bases oficiais poderão apresentar um documento com foto e comprovar a ausência do cadastro biométrico. Nesse cenário, o instituto consultaria os dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para prosseguir com a análise do pedido.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.