Câmara avança para formalizar ‘pedofilia’ em leis criminais contra vulneráveis e Estatuto da Criança e do Adolescente

Caroline de Toni foi a relatora da proposta na CCJ - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Caroline de Toni foi a relatora da proposta na CCJ - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, em meados de julho, uma proposta legislativa crucial que visa integrar formalmente o termo “pedofilia” no arcabouço jurídico penal brasileiro e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Projeto de Lei 669/20 não estabelece novas categorias de crimes, mas esclarece e nomeia condutas já tipificadas na legislação, conferindo maior clareza e precisão terminológica.

A iniciativa representa um passo significativo para aprimorar a linguagem legal, especialmente em um tema tão delicado e de grande impacto social como os crimes sexuais contra menores. A medida busca eliminar ambiguidades e fortalecer a aplicação da lei, ao explicitar quais atos, já considerados ilegais, se enquadram sob a denominação de pedofilia, facilitando a identificação e o combate a essas práticas hediondas.

Alterações propostas no Código Penal e no ECA

O Projeto de Lei 669/20, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), recebeu parecer favorável da relatora, deputada Caroline de Toni (PL-SC), na CCJ. A principal modificação proposta incide sobre a nomenclatura de seções e artigos do Código Penal e do ECA, sem a criação de novos tipos penais. O foco reside em consolidar o termo “pedofilia” de maneira explícita, conferindo-lhe um reconhecimento jurídico formal onde antes havia apenas descrições das condutas.

No Código Penal, por exemplo, o título da seção que aborda “Dos crimes sexuais contra vulnerável” passará a ser “Da pedofilia e dos crimes sexuais contra vulnerável”. Essa alteração não apenas incorpora o termo, mas também o posiciona de forma proeminente na legislação, sublinhando a gravidade e a especificidade desses delitos. Tal iniciativa visa aprimorar a compreensão e a aplicação da lei por parte de operadores do direito e da sociedade.

Já no Estatuto da Criança e do Adolescente, a proposta estabelece que o nome jurídico de diversos artigos específicos será alterado para “Pedofilia”. Essa padronização terminológica é essencial para garantir a consistência e a eficácia das medidas de proteção a crianças e adolescentes. A formalização do termo em um diploma legal tão fundamental como o ECA reforça o compromisso do Estado com a defesa dos direitos infantojuvenis e a repressão a qualquer forma de exploração.

  • Artigo 240: Passará a ter o nome jurídico “Pedofilia”.
  • Artigo 241: Será renomeado para “Pedofilia”.
  • Artigo 241-A: Adotará o nome jurídico “Pedofilia”.
  • Artigo 241-B: Também será designado como “Pedofilia”.
  • Artigo 241-C: A nomenclatura será “Pedofilia”.
  • Artigo 241-D: Igualmente passará a ser “Pedofilia”.
  • Artigo 241-E: Terá o nome jurídico “Pedofilia”.
  • Artigo 244-A: Será formalmente intitulado “Pedofilia”.

A relevância da clareza terminológica

A deputada Caroline de Toni enfatizou a importância da aprovação do texto, explicando que, embora o termo “pedofilia” já fosse empregado em diversos documentos oficiais e no debate público, sua ausência como designação explícita na legislação penal gerava uma lacuna. “Fato é que a legislação penal, especificamente, não estabelece com clareza quais seriam os tipos penais ligados a esse termo”, declarou a relatora, destacando a necessidade de uma definição legal inequívoca.

Essa clareza terminológica é fundamental para a segurança jurídica e para a efetividade do sistema de justiça. Ao nomear explicitamente as condutas como “pedofilia”, a lei ganha em especificidade, permitindo que juízes, promotores e advogados utilizem uma linguagem mais precisa e alinhada com a gravidade dos atos. Isso também contribui para que a sociedade compreenda melhor a natureza dos crimes e a resposta legal a eles, auxiliando na prevenção e na denúncia.

A formalização do termo pode ter um impacto significativo na forma como esses crimes são investigados, processados e julgados. A padronização da linguagem legal pode facilitar a interpretação das normas, reduzir a margem para contestações baseadas em ambiguidades semânticas e, em última instância, fortalecer a punição dos agressores. Além disso, a explicitação do termo no ECA reforça o caráter preventivo e protetivo do estatuto, enviando uma mensagem clara sobre a intolerância do Estado a qualquer violação dos direitos de crianças e adolescentes.

Próximos passos da tramitação legislativa

Como a proposta foi analisada em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, ela poderá seguir diretamente para o Senado Federal, sem a necessidade de passar por votação no Plenário da Câmara dos Deputados. No entanto, essa tramitação acelerada pode ser alterada caso haja um recurso assinado por um determinado número de parlamentares, solicitando que a matéria seja submetida à apreciação de todos os deputados em sessão plenária.

Para que o Projeto de Lei 669/20 se transforme em lei, ele precisará ser aprovado em ambas as Casas do Congresso Nacional, ou seja, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Após a aprovação final pelo Legislativo, o texto será encaminhado para sanção presidencial. Esse processo garante que a proposta seja amplamente debatida e revisada, assegurando que as alterações promovidas na legislação sejam robustas e eficazes na proteção de crianças e adolescentes contra a pedofilia.

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