Descoberta de terras raras no fundo do mar impulsiona novas fronteiras de exploração

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oceano Foto: oceano - Chris West Photography/Shutterstock.com

A busca por recursos essenciais para a tecnologia moderna tem levado a humanidade a explorar não apenas o solo terrestre, mas também as profundezas dos oceanos e o espaço sideral. Em um marco recente, o Japão concluiu com êxito um teste crucial para a extração contínua de lama rica em elementos de terras raras do fundo do mar, a uma profundidade de 5.569 metros, na costa de Minamitorishima. A operação recuperou aproximadamente 50 toneladas de material, confirmando a viabilidade técnica da mineração em ambientes extremos.

O teste, realizado entre 12 de janeiro e 14 de fevereiro de 2026, superou desafios significativos, como ondas de quase 7 metros e ventos fortes. O equipamento de mineração e o tubo de elevação de lama levaram 12 dias para atingir o fundo do mar, um período maior do que os sete dias inicialmente planejados. Apesar das adversidades, a máquina conseguiu extrair continuamente a lama solta, comprovando a estabilidade do sistema e a recuperação de material em três camadas distintas.

A relevância estratégica dos elementos de terras raras para a tecnologia global

Os elementos de terras raras são cruciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, desde dispositivos eletrônicos de consumo até motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, aeronaves e robôs. A independência na produção desses materiais é uma meta estratégica para muitos países, dada a concentração das reservas e do processamento em poucas regiões do mundo, o que gera vulnerabilidades na cadeia de suprimentos global. A descoberta em Minamitorishima representa um passo importante para a segurança do fornecimento japonês.

A análise da lama recuperada revelou que 53,9% dos elementos de terras raras eram de tipos médios e pesados, enquanto 46,1% eram leves. Os percentuais mais notáveis incluíram:

  • Ítrio: 29,9%, utilizado em fósforos vermelhos, vidro óptico e como estabilizador de zircônia para aumentar a resistência ao calor.
  • Neodímio: 18,4%, material essencial para ímãs permanentes de alta potência.
  • Gadolínio: 4,9%, aplicado em ímãs, vidro óptico e como blindagem contra radiação.
  • Disprósio: 4,6%, fundamental para ímãs de neodímio que mantêm a força magnética sob altas temperaturas.
  • Praseodímio: 4,1%, usado para colorir ímãs, cerâmica e vidro.

Um detalhe crucial é que as “50 toneladas” referem-se ao peso da lama contendo os elementos, e não à quantidade pura de terras raras. Será necessária uma avaliação aprofundada da concentração e purificação para determinar o volume final de elementos utilizáveis. A análise inicial não detectou quantidades significativas de substâncias nocivas ou radioativas no material.

Próximos passos e a viabilidade da mineração submarina profunda

O sucesso deste teste abre caminho para uma fase mais ambiciosa do projeto. Um teste de mineração em larga escala está previsto para começar em fevereiro de 2027 na mesma área marítima, com duração aproximada de um mês. Após essa etapa, uma avaliação abrangente, incluindo a viabilidade econômica da operação, deverá ser concluída até março de 2028. A exploração de recursos nas profundezas oceânicas, embora promissora, enfrenta desafios técnicos, financeiros e ambientais que precisam ser cuidadosamente gerenciados para garantir um desenvolvimento sustentável.

Missão Psyche da NASA investiga asteroide metálico no espaço

Em paralelo aos avanços na Terra, a exploração de recursos se estende ao espaço com a missão Psyche da NASA. A sonda está a caminho de um asteroide rico em metais, também chamado Psyche, localizado entre Marte e Júpiter. Acredita-se que este asteroide seja o núcleo metálico exposto de um protoplaneta que perdeu suas camadas rochosas após colisões violentas.

Diferente da mineração terrestre, o principal objetivo da missão Psyche não é a extração de metais para trazer de volta à Terra. Trata-se de uma empreitada científica destinada a fotografar a superfície do asteroide, analisar sua composição, e medir seu campo magnético e gravidade. O estudo de Psyche pode fornecer dados valiosos sobre a formação de planetas rochosos, já que o núcleo da Terra é inacessível para observação direta.

A sonda Psyche foi lançada em outubro de 2023 e realizou uma manobra de assistência gravitacional bem-sucedida ao passar a cerca de 4.609 quilômetros de Marte em 15 de maio de 2026. A previsão é que a sonda entre no campo gravitacional do asteroide Psyche por volta do final de julho de 2029 e inicie dois anos de observações orbitais a partir de agosto do mesmo ano.

Novas fronteiras da busca por recursos e conhecimento

Tanto o programa japonês para desenvolver elementos de terras raras no fundo do oceano quanto a missão da NASA para investigar a natureza de asteroides metálicos representam a expansão dos limites da exploração humana. Embora com objetivos e localizações distintas – um focado em recursos estratégicos para a tecnologia terrestre e o outro em desvendar mistérios da formação planetária – ambos os esforços são desafios audaciosos que buscam desvendar o potencial de áreas anteriormente inatingíveis pela humanidade.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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