Iene dispara em Nova York e dólar tem queda de 2,6% com suspeita de ação japonesa no câmbio
O dólar americano registrou uma forte desvalorização contra o iene, alcançando o menor patamar em dois meses e meio ao encerrar o pregão em Nova York, em 30 de outubro de 2026. A movimentação acentuada gerou especulações de que autoridades monetárias do Japão teriam agido para fortalecer a moeda local, que vinha sendo negociada em seus níveis mais baixos em décadas. A divisa dos Estados Unidos também recuou em comparação com outras principais moedas globais.
Ainda sem confirmação oficial, diversos agentes do mercado financeiro indicaram que as oscilações significativas no valor do iene foram, possivelmente, impulsionadas por uma intervenção. O Ministério das Finanças do Japão foi procurado para comentar o assunto, mas não emitiu nenhuma declaração até o momento.
Tom Nakamura, que lidera as áreas de renda fixa e câmbio na AGF Investments, avaliou que o cenário aponta para uma intervenção. “Não vimos nenhuma evidência definitiva, mas acreditamos que seja intervenção. O movimento repentino e significativo na taxa de câmbio dólar/iene sugere intervenção”, declarou o especialista.
Mais sobre o assunto: Intervenção coordenada entre Japão e EUA impulsiona valorização do iene para 155 por dólar
O par dólar/iene registrou uma queda de 2,6%, fechando o pregão cotado a 159,225 ienes por dólar, o patamar mais baixo desde 14 de maio de 2026. Essa valorização do iene foi a mais acentuada dos últimos meses.
Roberto Cobo Garcia, que ocupa o cargo de chefe de estratégia cambial para o G10 no BBVA, comentou sobre a possível tática. Ele disse: “Parece que as autoridades japonesas aproveitaram o momento de baixa criado pela piora dos indicadores econômicos dos EUA para vender dólares e comprar ienes.”
A notável valorização do iene acontece um dia antes da reunião de política monetária do Banco do Japão, marcada para 31 de outubro de 2026. Analistas de mercado geralmente preveem que a taxa básica de juros do país será mantida em 1%. Contudo, informações recentes apontam que a economia japonesa enfrenta desafios de pressões inflacionárias, exacerbadas pela prolongada guerra com o Irã, o que poderia levar o Banco do Japão a considerar elevações mais rápidas nas taxas de juros.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou em 30 de outubro de 2026 que os dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) para o segundo trimestre indicaram um crescimento anualizado de 1,5%. Este resultado representa uma desaceleração econômica em relação ao primeiro trimestre, principalmente impactado por um déficit comercial em expansão.
Saiba mais: Desvalorização do iene japonês atinge mínima de 40 anos frente ao dólar, com possibilidade de intervenção
Juan Perez, diretor sênior de negociação da Monex USA, sediada em Washington, analisou as implicações para o dólar. Ele afirmou: “Existe a possibilidade de o Fed ter que se preocupar mais com o crescimento do que com a inflação. Isso também seria muito, muito negativo para o dólar americano.”
O euro também registrou alta, valorizando-se 0,5% e atingindo a cotação de US$ 1,15318 por euro, dando sequência à trajetória de valorização observada no dia anterior.
A libra esterlina teve uma valorização de 0,8%, alcançando US$ 1,34755 por libra.
Enquanto isso, o Banco da Inglaterra optou por manter suas taxas de juros sem alterações. Contudo, três membros do conselho de política monetária votaram a favor de um aumento, indicando um debate interno sobre a futura direção monetária britânica.

















