Veja quais são os carros mais baratos de manter no Brasil em 2026
O universo automotivo apresenta constantes novidades, com diversos lançamentos de modelos mensalmente, abrangendo segmentos, propostas e, crucialmente, diferentes custos. Com a importância da palavra “custos” no cenário atual, o Prêmio Menor Custo de Uso se consolida como um guia anual para identificar os veículos mais acessíveis para se manter no Brasil.
Este reconhecimento avalia todos os gastos essenciais de um carro novo ao longo de um ano, incluindo o valor da compra. No cálculo, são considerados os custos de seguro, a primeira revisão (limitada a 12 meses), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e a despesa anual com combustível. Para automóveis elétricos, adota-se uma média empírica para recargas rápidas (DC), enquanto os híbridos têm apenas os gastos com gasolina incluídos, dada a variedade entre modelos híbridos plenos (HEV) e plug-in (PHEV) na categoria.
Após reunir todas as despesas, o total é dividido por 12 para chegar ao custo mensal de cada modelo. A análise foca nos dez veículos mais vendidos de cada segmento, considerando a versão mais popular de cada um para atender ao maior número de consumidores. A desvalorização deixou de ser um fator de cálculo neste ano devido à falta de precisão para modelos recém-lançados, especialmente entre os híbridos e elétricos, o que reflete o bom momento do mercado brasileiro.
Metodologia: entenda como o custo de uso foi determinado
O consumo de combustível é calculado com base na média ponderada (70% urbano, 30% rodoviário), utilizando dados do Inmetro. Os preços (R$ 6,67/litro para gasolina e R$ 7,28/litro para diesel) representam valores médios da Petrobras, apurados entre 26 de abril e 2 de maio. Para a eletricidade, considera-se R$ 2,40/kWh-DC, seguindo uma média de apuração empírica. Modelos híbridos têm apenas os custos de gasolina incluídos, abrangendo tanto os HEV quanto os PHEV, com uma estimativa de 15.000 km rodados anualmente.
As despesas de manutenção contemplam as revisões obrigatórias indicadas pelas fabricantes para o primeiro ano ou até 15.000 km, o que ocorrer primeiro.
O valor do seguro é a menor cotação obtida pela TEx, da Serasa Experian, uma ferramenta de gestão e multicálculo para corretoras. O perfil utilizado para a cotação é de um homem, casado, com 35 anos e sem filhos.
O custo mensal de cada veículo é determinado pela soma das despesas anuais, dividida pelos 12 meses do ano.
Os valores de compra são os preços sugeridos pelas fábricas, conforme levantamento realizado no final de abril.
O IPVA é calculado com base na alíquota de 4% do valor de tabela do veículo, seguindo a taxa praticada no estado de São Paulo.
Hatchbacks: Chevrolet Onix 1.0 MT lidera em economia de manutenção
O Chevrolet Onix, em sua versão de entrada com motor 1.0 aspirado e câmbio manual, ascendeu três posições em relação a 2025, retomando a liderança conquistada anteriormente em 2022 e 2024. O hatchback se destacou pelos menores custos de revisão e seguro da categoria, além de apresentar um dos menores gastos anuais com combustível, superado apenas pelo Renault Kwid, que ficou em segundo lugar. No entanto, seu preço de compra é o mais alto entre os cinco primeiros colocados do prêmio de 2026.
Os subcompactos Kwid e Mobi ocuparam a segunda e terceira posições, respectivamente. Ambos os rivais diretos exibem custos bastante similares em todos os quesitos avaliados. O Kwid levou vantagem em preço de compra, seguro e revisão, mas ficou atrás no gasto anual com combustível. A pequena diferença de apenas R$ 39 entre eles sugere que outros fatores, além do custo, podem ser decisivos na escolha. O Polo Track, o carro mais vendido do Brasil em 2025, oferece um seguro consideravelmente mais baixo que Kwid e Mobi e um custo de revisão parecido. Contudo, seu valor de compra e IPVA são mais elevados, assim como o gasto com combustível, um aspecto relevante para o segmento de entrada.
O Hyundai HB20 surpreende com o menor custo de revisão da categoria, totalizando apenas R$ 357 no primeiro ano, e um seguro mais acessível que o do Fiat Mobi. Entretanto, seus proprietários gastam mais na aquisição e no abastecimento, resultando em um dos maiores gastos anuais com combustível. Mesmo assim, a diferença para o Onix no custo mensal não é tão expressiva.

Sedãs: Hyundai HB20S Limited MT se destaca com baixo custo
Enquanto o Hyundai HB20 não obteve uma posição de destaque entre os hatches, apesar de um bom custo mensal, a versão sedã, o HB20S, celebrou a vitória em sua categoria. O modelo se sobressaiu por ser o sedã elegível mais acessível e por ter um custo de revisão inicial surpreendentemente baixo. Além disso, o HB20S registra o menor gasto com consumo de combustível do segmento, com uma diferença de R$ 232 anuais em relação ao Honda City, o segundo colocado. O seguro do modelo está entre os mais caros entre os cinco primeiros, superado apenas pelo prêmio anual do Fiat Cronos.
O Honda City, vencedor em 2025, ficou em segundo lugar neste ano com a versão de entrada LX, sem que houvesse grandes pontos negativos. Ele apresenta um seguro mais acessível que o HB20S e um custo de combustível semelhante. A revisão de R$ 426 é apenas R$ 69 mais cara que a do seu concorrente. Assim, os fatores que mais influenciam sua posição são o valor de compra e, consequentemente, o IPVA mais elevado. O terceiro lugar é ocupado pelo Onix Plus, que não figurou entre os cinco melhores em 2025. Nesta avaliação, ele aparece na versão topo de linha, Premier, com o maior custo de compra e IPVA da categoria, mas uma revisão que se mantém como a segunda mais econômica.
Próximo ao Onix Plus está o Virtus, com custo similar ao modelo da General Motors, porém com custos de seguro e gasolina mais vantajosos. Sua desvantagem reside na revisão, que custa mais que o dobro da do concorrente. Por fim, o Cronos, que não é o mais caro, não tem a revisão mais elevada nem o pior consumo, mas ocupa a quinta colocação devido ao alto valor do seguro, o mais caro entre os sedãs compactos participantes do prêmio.

SUVs compactos: Fiat Pulse Drive AT garante o bicampeonato
Desde 2025, o Fiat Pulse passou a competir com o VW Tera, seu principal rival. Embora isso possa ter impactado suas vendas, não impediu que o modelo mantivesse sua posição como o SUV compacto mais econômico de se manter no país, conquistando seu bicampeonato. O VW Tera, por sua vez, ficou em sétimo lugar na categoria, considerando sua versão topo de linha, High, turbo e automática.
Na versão Drive AT, a mais vendida do modelo, equipada com motor 1.3 de 107 cv e câmbio automático tipo CVT, o Pulse é o mais acessível do segmento nesta pesquisa, com preço inicial de R$ 115.990. Ele também registrou o menor prêmio anual de seguro e o menor gasto com combustível. Sua primeira revisão também está entre as mais baratas da tabela.
A segunda posição é do Chevrolet Tracker, em sua versão Turbo AT, direcionada ao público PcD, assim como as versões dos demais modelos no top 5. O SUV da General Motors tem o menor custo de revisão, mas o gasto com combustível só não é pior do que o do Jeep Renegade. O T-Cross Sense, com motor 1.0 turbo de 128 cv e câmbio automático, e um bom pacote de equipamentos de série, vem em seguida. Ele se destaca nos gastos com gasolina e seu seguro é próximo ao do Pulse, mas a revisão está entre as mais caras do segmento.
Após o Fastback, o Citroën Basalt ocupa a quinta colocação, uma surpresa negativa, considerando que o SUV cupê foi projetado com a proposta de ser um modelo de baixo custo, mesmo aparecendo em sua versão topo de linha com motor 1.0 turbo. Seus maiores vilões foram o valor do seguro e o custo da primeira revisão.

SUVs médios: Caoa Chery Tiggo 7 Sport surpreende no segmento
O Caoa Chery Tiggo 7 Sport ganhou reconhecimento por ser um SUV médio bem equipado e espaçoso, oferecido a um preço de SUV compacto topo de linha. Essa característica já lhe confere vantagens sobre os concorrentes, resultando, inclusive, no IPVA mais acessível da categoria. No entanto, a diferença no custo mensal para o Toyota Corolla Cross, que ficou em segundo lugar, é mínima, de apenas R$ 70. Isso ocorre porque o modelo da Toyota apresenta valores mais atraentes em outros quesitos, como seguro, revisão e gastos com combustível, embora todos esses custos sejam próximos entre os dois veículos.
Uma das surpresas deste ano foi o Renault Boreal, lançado no final de 2025 e que já aparece em terceiro lugar. Apesar do seguro e da primeira revisão, além dos valores de compra e IPVA serem mais altos entre os três primeiros, o modelo registra o menor gasto com combustível da categoria. O Boreal também se destaca por ser o maior dos três, com amplo espaço interno e um porta-malas de 522 litros. A versão mais vendida, e que participou do Menor Custo de Uso, é a Iconic, a mais cara, enquanto o Tiggo 7 e o Corolla Cross são representados por suas versões de entrada.
A quarta colocação é do VW Taos, modelo recentemente atualizado, com custo mensal quase igual ao do Boreal. Ele oferece seguro e revisão ligeiramente mais baratos, mas o gasto mais elevado com combustível impacta negativamente o Taos. Por fim, o líder de vendas Jeep Compass fica em quinto lugar. Este modelo é o que apresenta o maior gasto com combustível entre os cinco, além da revisão e do seguro mais caros, embora as diferenças sejam pequenas. O Compass deve, em breve, receber um sistema híbrido leve de 48V para complementar seu motor 1.3 turbo flex.
Picapes flex: Fiat Strada Endurance conquista a liderança
A Fiat Strada Endurance, versão de entrada da picape mais vendida no país, assume a liderança do Menor Custo de Uso, após dois anos na segunda posição. A vantagem no custo mensal, no entanto, é modesta, com apenas R$ 110 de diferença para a VW Saveiro Robust, antiga líder e também a versão mais acessível da linha.
As picapes pequenas, que são rivais históricas, apresentam custos de propriedade semelhantes, inclusive no preço de compra. O que as diferencia e determinou suas posições no ranking foram o valor da primeira revisão, que é mais alto na Saveiro, e o gasto anual com combustível, que é menor na Strada e o melhor da categoria. A Strada Endurance, com cabine simples, é equipada com motor 1.3 flex de 107 cv e câmbio manual de cinco marchas, enquanto a Saveiro Robust mantém o antigo motor 1.6 flex de 116 cv com câmbio manual de cinco marchas. Ambas as picapes pequenas terão substitutas: a Fiat planeja uma nova geração até 2030, e a Volkswagen a substituirá pela Tukan.
Sem outros modelos no porte da Strada e Saveiro — uma raridade crescente, visto que a Tukan será uma picape maior —, o restante da categoria é composto por picapes intermediárias. A Renault Oroch, terceira colocada, se aproxima da Saveiro em custos, mas com um porte maior. O mesmo se aplica à Chevrolet Montana, que aparece em sua versão topo de linha, Premier. Por fim, a quinta colocação da Fiat Toro é facilmente justificada: além de ser mais cara, ela tem um custo de revisão mais elevado e um maior consumo de combustível em comparação com suas rivais, embora o seguro surpreenda positivamente.
Picapes diesel: Fiat Toro Ranch mantém a primeira posição
A Fiat Toro Ranch, mais uma vez campeã, beneficiou-se de ser o menor modelo da categoria nos anos anteriores. Contudo, desta vez, a picape viu seu domínio ameaçado por modelos maiores, suas “irmãs” Fiat Titano e Ram Rampage, que apresentaram custos mensais bastante próximos. Isso não é surpreendente, já que as três picapes são parte da Stellantis e compartilham o mesmo conjunto mecânico.
O trio é equipado com o motor 2.2 turbo diesel de 200 cv e 45,9 kgfm, com tração 4×4, prometendo maior eficiência, desempenho e melhor consumo de combustível em relação à concorrência e ao antigo motor 2.0 de 170 cv. De fato, esses modelos registraram os menores custos de combustível. Nos quesitos de revisão, os valores cobrados não são os mais baixos, mas mostram similaridade. Titano e Rampage se distanciam da Toro pelos preços de tabela e, consequentemente, pelo IPVA, além dos maiores custos de seguro, sendo o da Toro o menor da categoria.
A Nissan Frontier, cuja produção foi transferida da Argentina para o México, vem logo em seguida, com custo mensal semelhante, mas um gasto de combustível mais elevado, o que a coloca em quarto lugar. Em breve, a picape deve receber a companhia da nova Frontier Pro, uma versão híbrida. Por fim, a Chevrolet S10 LTZ aparece em quinto lugar, impulsionada principalmente pelo baixo custo da primeira revisão, com um valor similar ao de picapes flex. Por outro lado, ela possui os piores valores de compra, IPVA e combustível entre os cinco primeiros colocados.
Veículos elétricos: BYD Dolphin Mini GS é o mais barato de manter
O BYD Dolphin Mini tem motivos para comemorar: além de ser o mais barato para manter em sua categoria, este guia o apontou como o carro com o menor custo mensal entre todos os pesquisados. Ou seja, ele terminou como o detentor do Menor Custo de Uso de 2026, com um valor mensal de apenas R$ 868. Seu principal diferencial é o preço de compra, o mais baixo entre os modelos elegíveis da categoria, assim como o prêmio do seguro. Sua revisão é a terceira mais acessível, e seu consumo de energia, o segundo melhor.
Logo depois, com uma pequena diferença de R$ 91, surge seu principal rival no mercado brasileiro: o Geely EX2. Este modelo apresenta o menor consumo de energia da categoria e é o segundo mais barato para se adquirir, mas tem um seguro mais caro. Confirmando o posicionamento do EX2 entre o Dolphin Mini e o Dolphin GS no Brasil, o terceiro colocado é justamente o Dolphin GS. Este tem custos de revisão similares, mas se distancia no preço de compra, IPVA e no gasto com recargas. O seguro, de R$ 4.811, fica entre o Dolphin Mini e o EX2.
Um estreante no mercado e no Menor Custo de Uso é o Chevrolet Spark EUV. O elétrico mais acessível da marca no Brasil, derivado de um modelo chinês, o Baojun Yep Plus, ocupa o quarto lugar devido a bons índices de consumo de energia e revisão, além de um valor de seguro menor que o do Geely. No entanto, seu preço de compra é o mais alto da lista. Por fim, a BYD aparece novamente com o Yuan Pro, vencedor da categoria em 2025. Seu valor de compra e IPVA foram os fatores que o prejudicaram, mas a fabricante chinesa ainda tem motivos para celebrar.
Modelos híbridos: BYD King GS emerge como vencedor da categoria
A categoria dos híbridos foi, mais uma vez, dominada pela BYD e Toyota, enquanto a GWM, vencedora em 2025, saiu do top 5. O espaço foi “cedido” à GAC, que fez sua estreia na lista.
A vitória coube ao BYD King, o sedã híbrido plug-in montado no Brasil. Na pesquisa, ele se beneficiou do menor custo de compra, além do seguro anual mais acessível, muito próximo ao do Corolla Cross e consideravelmente mais barato que o do Corolla sedã. Sua revisão não está entre as mais baratas, assim como os gastos com combustíveis. As despesas com energia elétrica para recarga de sistemas plug-in não são consideradas nesta categoria.
O Corolla Cross, um híbrido pleno (HEV) sem necessidade de recargas externas, vem em seguida, com o menor custo de revisão, empatado com o Corolla Altis, e bons índices de seguro e gasto com combustível. Seu “irmão”, o Corolla sedã, é penalizado não apenas pelo desembolso na compra, mas também pelo valor do seguro, uma diferença curiosa em relação ao SUV. Contudo, o gasto com gasolina é o menor da categoria.
A BYD reaparece com o Song Pro, também um modelo plug-in, que sofre no consumo de combustível. Sua revisão também é a mais cara entre os cinco modelos mais bem colocados no prêmio. Por fim, a GAC figura pela primeira vez no Menor Custo de Uso com o GS4, um SUV médio que é o único híbrido da marca no Brasil até o momento. O modelo se beneficia de um bom custo de compra e uma revisão de preço médio, mas o gasto com combustível é elevado e seu seguro é o mais caro entre os cinco apresentados. Ainda assim, o custo mensal não é alarmante.
Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.








