Casa da Igualdade Racial em Salvador imortaliza seis referências negras da história do Brasil

Personalidades negras da história do Brasil ganham destaque na Casa da Igualdade Racial de SalvadorPersonalidades negras da história do Brasil ganham destaque na Casa da Igualdade Racial de Salvador

Personalidades negras da história do Brasil ganham destaque na Casa da Igualdade Racial de Salvador Crédito: Personalidades negras da história do Brasil ganham destaque na Casa da Igualdade Racial de Salvador

Seis figuras femininas que deixaram marcas indeléveis na história negra brasileira foram eternizadas na Casa da Igualdade Racial Bahia, em Salvador, durante a última quinta-feira, 30 de julho de 2026. A iniciativa presta um significativo tributo a Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Esperança Garcia, Dona Ivone Lara, Neusa Santos Souza e Alaíde do Feijão, cujos nomes agora batizam as salas do importante equipamento cultural e social da capital baiana. A ação integra as celebrações do Julho da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, reforçando a memória e o impacto dessas líderes e pensadoras.

A cerimônia de reconhecimento mobilizou diversos segmentos da sociedade civil, destacando o engajamento comunitário em prol da valorização dessas personalidades. Profissionais de coletivos como Bahia pela Paz, Programa Corra pro Abraço e Programa Cidadania Pop Rua estiveram presentes, assim como um grupo de mães de estudantes do Centro de Formação em Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). Representantes de movimentos sociais e organizações comunitárias também marcaram presença, evidenciando a relevância do evento para a agenda antirracista.

Personalidades negras da história do Brasil ganham destaque na Casa da Igualdade Racial de Salvador Crédito: Personalidades negras da história do Brasil ganham destaque na Casa da Igualdade Racial de Salvador

Legados imortalizados em espaços temáticos

A Casa da Igualdade Racial Bahia reconfigurou seus espaços internos para honrar as trajetórias das homenageadas, atribuindo seus nomes a salas específicas, de acordo com suas notáveis contribuições. A sala dedicada ao Serviço Social foi rebatizada como Sala Ivone Lara, um reconhecimento à sambista e assistente social que foi pioneira em sua área de atuação, unindo arte e compromisso social. O espaço de Psicologia agora leva o nome de Sala Neusa Santos Souza, em memória da psicanalista e escritora cuja obra “Tornar-se Negro” impactou profundamente os estudos sobre identidade e saúde mental da população negra no Brasil.

A área de Atendimento Jurídico passou a ser a Sala Esperança Garcia, remetendo à advogada considerada a primeira mulher negra alfabetizada no Brasil a redigir uma petição judicial no século XVIII, um marco histórico na luta por direitos e justiça. O mezanino, um local vibrante que serve de palco para diversas atividades da Casa, foi denominado Luiza Bairros, em homenagem à socióloga, professora e ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, figura central na formulação de políticas públicas de equidade. Finalmente, a sala da Coordenação e Comunicação agora é a Sala Lélia Gonzalez, celebrando a antropóloga, professora, filósofa e ativista, uma das mais importantes intelectuais do feminismo negro e da negritude brasileira.

Mês de atividades e engajamento comunitário

As homenagens culminaram um mês repleto de programação intensa na Casa da Igualdade Racial, que registrou a participação de aproximadamente 300 pessoas em suas diversas atividades ao longo de julho. A agenda do Julho da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha foi marcada por uma série de rodas de conversa e debates aprofundados sobre temas cruciais para a comunidade negra feminina, visando a ocupação do equipamento e a promoção do diálogo.

Entre os assuntos abordados, que geraram ricas trocas de experiências e conhecimentos, destacam-se:

  • Acesso à educação e a superação de barreiras;
  • A jornada de trabalho e a demanda pelo fim da escala 6×1;
  • Saúde da população negra, com foco em especificidades e desigualdades;
  • Práticas de autocuidado e a importância do bem-estar mental e físico;
  • Sexualidade e o empoderamento feminino negro;
  • Literatura e a valorização de autoras negras e suas contribuições.

Essas discussões visaram promover a ocupação efetiva do equipamento e fortalecer o senso de comunidade e pertencimento, incentivando a troca de experiências e o desenvolvimento de soluções para desafios enfrentados cotidianamente pela população negra.

Diálogos e reflexões sobre a jornada da mulher negra

A programação do mês foi estruturada para oferecer um espaço seguro e acolhedor para o diálogo e a construção coletiva de saberes. As rodas de conversa não apenas abordaram os temas previamente definidos, mas também permitiram uma avaliação participativa sobre o percurso construído e as aprendizagens adquiridas ao longo do mês, promovendo um ambiente de reflexão contínua e aprimoramento. A metodologia participativa assegurou que as vozes dos envolvidos fossem ouvidas e valorizadas.

Como encerramento cultural das atividades, foi realizado o Sarau Escrevivências, um evento literário que celebrou a produção escrita de mulheres negras e a potência de suas narrativas. Durante o sarau, foram lidas obras de autoras consagradas que inspiram gerações com suas escritas e poesias, como Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Maya Angelou. Além de homenagear essas grandes referências, o sarau também deu voz a textos autorais dos próprios participantes, promovendo a expressão e o reconhecimento da escrita local e contemporânea.

O papel fundamental da Casa da Igualdade Racial na Bahia

A Casa da Igualdade Racial Bahia se consolida como um centro vital para a promoção da equidade e a valorização da cultura afro-brasileira na capital baiana. Ao dedicar seus espaços a personalidades que lutaram e contribuíram significativamente para a história e os direitos da população negra, a instituição reforça seu papel como guardiã da memória e impulsionadora de novas conquistas sociais. Este tipo de reconhecimento público é essencial para combater o apagamento histórico e inspirar futuras gerações.

A iniciativa não apenas homenageia essas mulheres, mas também educa as novas gerações sobre a relevância de seus legados e a importância da contínua luta por direitos. A nomeação das salas é um ato simbólico poderoso, transformando o espaço físico em um ambiente de constante lembrança e inspiração, onde a história é vivida e recontada diariamente, incentivando a reflexão, o aprendizado e o ativismo contínuo em prol de uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

Luís Pereira: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.