Fraude milionária na Caixa atinge beneficiários e expõe falha revelada pela JustiçaPor Bruna
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Uma investigação conduzida pela Polícia Federal revelou que uma organização criminosa movimentou pelo menos R$ 45 milhões de contas de clientes da Caixa Econômica Federal, impactando diretamente beneficiários do FGTS e do auxílio emergencial. O montante desviado, conforme apurado, era usado para financiar o estilo de vida luxuoso dos envolvidos no esquema de fraudes bancárias, que se intensificou a partir de 3 de agosto de 2026.
A apuração da Polícia Federal indicou que inúmeras vítimas do golpe foram deixadas sem condições de arcar com necessidades essenciais. Há relatos de indivíduos que ficaram impossibilitados de adquirir medicamentos ou até mesmo alimentos, em contraste com os criminosos que ostentavam uma vida de alto custo e empenhavam-se em dissimular seus bens.

Estratégias utilizadas pela quadrilha nas fraudes financeiras
A investigação da Polícia Federal identificou dois polos distintos de operação do grupo. Em São Paulo, o casal Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa eram os responsáveis pela coordenação das fraudes e por conseguir acesso indevido às contas dos lesados.
Para dificultar a recuperação dos valores pelas autoridades do Brasil, os criminosos estabeleceram uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal. Parte do dinheiro obtido ilegalmente era convertida em criptomoedas, o que tornava seu rastreamento ainda mais complicado.
No Rio de Janeiro, Jader Henrique Areas de Almeida foi apontado pela investigação como o líder, encarregado de organizar as atividades do grupo. Sua função incluía a validação das operações, a marcação das datas para os golpes e a distribuição das informações das vítimas entre os demais membros.
Enzo Grillo Filho, por sua vez, foi identificado pela Polícia Federal como o operador financeiro do esquema. Ele atuava como um intermediário de Jader, facilitando a movimentação dos fundos da quadrilha entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
Descoberta do vazamento de um documento sigiloso da justiça
A análise dos telefones celulares dos membros da organização criminosa levou a Polícia Federal a uma descoberta crucial: os envolvidos possuíam acesso a um documento classificado como sigiloso, que era a íntegra da decisão judicial que dava aval à operação contra o próprio grupo.
Por ser um documento sob segredo de justiça, seu acesso deveria ser restrito apenas a juízes, investigadores e servidores da Justiça Federal.
Embora o líder da quadrilha tenha tentado apagar a mensagem contendo o documento, uma cópia havia sido esquecida no bloco de notas de seu aparelho celular.
A Polícia Federal interceptou uma troca de mensagens na qual o chefe enviava o documento a um de seus cúmplices. A resposta do criminoso evidenciava a gravidade da situação: “Que zica, hein… Blindar o patrimônio”.
Após esta revelação, a direção da investigação foi alterada, focando em como uma decisão judicial, que deveria permanecer resguardada pela Justiça Federal, foi parar nas mãos do líder da quadrilha.
O caminho do documento sigiloso até os integrantes do esquema
A Polícia Federal dedicou-se a reconstruir o trajeto do documento e identificou que o acesso inicial à decisão partiu de Jackson Cozendey, um servidor da Justiça Federal.
Os investigadores constataram que Jackson Cozendey não possuía justificativa funcional para acessar o processo em questão, e ele é apontado como o principal responsável por transferir informações confidenciais ao grupo criminoso, em troca de compensações financeiras.
Consultas subsequentes aos registros revelaram que a conexão de internet utilizada por ele estava localizada no escritório de advocacia de sua esposa, Gabrielle Cozendey.
Gabrielle Cozendey declarou uma renda mensal de R$ 5.200, contudo, a Polícia Federal apurou que ela movimentou um total de R$ 1,74 milhão em um período de seis meses.
A defesa de Jackson Cozendey, servidor da Justiça Federal, e de Gabrielle Cozendey declarou que ambos não têm nenhuma ligação com os eventos investigados no processo.
A Polícia Federal informou que o vazamento da decisão judicial envolveu a colaboração coordenada de três servidores internos da Justiça.
As equipes de defesa de Matheus Casado, Isabely Alves de Sousa e Jader Almeida não responderam aos contatos. Também não foi possível estabelecer comunicação com os advogados de Enzo Grillo Filho.
Tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público Federal optaram por não conceder entrevista sobre o caso.
Há informações de que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão solicitando à Justiça Federal novos mandados de busca e apreensão para serem executados dentro da própria instituição.
A Justiça Federal foi procurada, mas o Tribunal Regional Federal não emitiu pronunciamento a respeito da investigação.







