Novas regras da hemoterapia permitem doação a maiores de 70 e reduzem esperas no Brasil

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Novas regras: pessoas 70+ vão poder doar sangue e intervalos entre doações vai diminur Foto: Novas regras: pessoas 70+ vão poder doar sangue e intervalos entre doações vai diminur Crédito: Novas regras: pessoas 70+ vão poder doar sangue e intervalos entre doações vai diminur

O Brasil implementará a partir de outubro um conjunto de novas diretrizes para a doação de sangue que promete ampliar o número de doadores aptos e otimizar a segurança do processo. As mudanças mais significativas incluem a eliminação do limite de idade para doadores regulares acima de 70 anos e a redução dos prazos de espera para quem realizou certos procedimentos ou esteve em áreas de risco.

A iniciativa, estabelecida pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em 3 de julho, visa modernizar a hemoterapia nacional, alinhando-a aos avanços científicos e ao cenário epidemiológico atual. Essas atualizações buscam não apenas facilitar o acesso à doação, mas também reforçar a proteção tanto dos voluntários quanto dos pacientes que necessitam de transfusões.

Novas regras: pessoas 70+ vão poder doar sangue e intervalos entre doações vai diminur
Novas regras: pessoas 70+ vão poder doar sangue e intervalos entre doações vai diminur Crédito: Novas regras: pessoas 70+ vão poder doar sangue e intervalos entre doações vai diminur

Novos critérios de idade e incentivo à participação

Uma das alterações mais impactantes é a permissão para que indivíduos acima de 70 anos continuem doando sangue, desde que sejam doadores regulares, mantenham boa saúde e sejam considerados aptos após avaliação clínica nos serviços de hemoterapia. Anteriormente, a idade de 70 anos representava um impedimento automático, mesmo para quem já possuía o hábito de doar.

Essa medida reflete o aumento da expectativa de vida da população brasileira e reconhece a capacidade de pessoas idosas saudáveis em contribuir vitalmente para o abastecimento dos bancos de sangue. O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, destacou que as novas regulamentações incentivam a participação de um número maior de cidadãos, ao mesmo tempo em que garantem a integridade e a segurança de todo o processo.

Prazos de impedimento mais curtos para doadores

As novas regras também trazem uma flexibilização nos períodos de espera para que pessoas temporariamente impedidas possam retornar à doação. Essa atualização busca agilizar o retorno dos voluntários sem comprometer a segurança.

Confira algumas das principais reduções de prazos:

  • Endoscopia e uso de anabolizantes sem prescrição: O período de espera foi diminuído de seis para quatro meses.
  • Tatuagens, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos (botox, preenchimento, microagulhamento): A doação poderá ser realizada após apenas sete dias, desde que o procedimento tenha sido feito em local que siga as normas de segurança sanitária. Caso a avaliação da segurança não seja possível, o prazo será de quatro meses.
  • Piercings na boca ou região genital: A doação será permitida quatro meses após a retirada do adereço.

Essas mudanças são cruciais para reduzir as barreiras de entrada e facilitar que mais pessoas se tornem ou continuem sendo doadoras regulares, impactando positivamente os estoques de sangue em todo o país.

Tecnologia e padronização para maior segurança

O Brasil se destaca globalmente ao ser o primeiro país a implementar a testagem obrigatória de malária em 100% dos exames de triagem de sangue, utilizando o teste NAT Plus. Desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, esse método já era empregado para identificar HIV e hepatites B e C, e agora incluirá a detecção do parasita causador da malária.

A inclusão do teste de malária reduz significativamente o período de impedimento para indivíduos que viajaram para áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata. Antes, o prazo poderia ser de até 12 meses; agora, é de apenas 30 dias. Outra inovação é a adoção do padrão internacional ISBT 128 para a identificação de bolsas e amostras de sangue. Essa padronização eleva a rastreabilidade em todas as etapas, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos, minimizando o risco de erros de identificação.

Aumento da validade de plaquetas e o cenário da doação no país

O prazo de validade do concentrado de plaquetas, um hemocomponente vital, poderá ser estendido de cinco para até sete dias, desde que sejam adotadas rigorosas medidas de controle de qualidade. Essa extensão é fundamental para diminuir perdas e aumentar a disponibilidade de plaquetas, que são amplamente utilizadas no tratamento de pacientes com câncer, submetidos à quimioterapia, pessoas com doenças hematológicas e outras condições que exigem transfusões frequentes.

A doação regular é essencial não apenas para formar estoques, mas para manter o abastecimento contínuo da rede de saúde ao longo do ano. Com os diferentes prazos de validade dos hemocomponentes e a demanda ininterrupta, os serviços de saúde dependem de novas doações diárias para evitar períodos de escassez e garantir que o sangue esteja sempre disponível quando necessário.

Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue, atingindo uma taxa de 15,29 doações por mil habitantes, o maior índice desde o início da pandemia. Esses dados indicam uma recuperação gradual nas doações após a diminuição observada em 2020. Para doar, é preciso estar em boas condições de saúde, pesar no mínimo 50 quilos, estar descansado e alimentado, além de apresentar um documento oficial com foto, que pode ser digital. Adolescentes a partir dos 16 anos também podem doar, desde que tenham autorização dos pais ou responsáveis legais. Os interessados devem procurar o hemocentro mais próximo para informações sobre horários e procedimentos de triagem.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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