Tragédia na serra fluminense deixa dez mortos em capotamento de ônibus irregular

Acidente em Petropolis - Divulgação/CBMERJ Foto: Acidente em Petropolis - Divulgação/CBMERJ

Uma viagem que deveria terminar no litoral carioca resultou em uma tragédia com dez vítimas fatais na serra fluminense durante a madrugada de 16 de agosto de 2026. O desastre envolvendo um veículo de passageiros ceifou a vida de nove mulheres, grupo que incluía uma passageira grávida, além de uma menina.

O tombamento aconteceu na altura do quilômetro 91 da BR-040, por volta das 4h30, exatamente no trecho de declive acentuado que liga a região serrana à capital do Rio de Janeiro. Esta via é historicamente conhecida pelo alto índice de acidentes graves envolvendo veículos pesados devido às curvas sinuosas e neblina constante.

Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) detalharam que o transporte era de responsabilidade da viação Estrela Guia Turismo, tendo iniciado o trajeto em Belo Horizonte com o objetivo de chegar à praia de Copacabana. Fiscais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atestaram que o coletivo viajava sem as devidas autorizações, burlando as inspeções obrigatórias de segurança que poderiam ter evitado falhas mecânicas.

Dados levantados pela concessionária Elovias apontam que 56 ocupantes estavam a bordo, somando os viajantes, o condutor e dois assistentes de viagem. O trabalho conjunto entre os socorristas da rodovia e o Corpo de Bombeiros prestou os primeiros socorros a 49 feridos ainda na pista, momento em que oito perdas irreparáveis foram constatadas de imediato, englobando a vítima infantil.

Ônibus foi destombado na manhã deste domingo — Reprodução/TV Globo

Os corpos de nove pessoas que perderam a vida no local precisaram ser transferidos para as instalações do Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) no município serrano. No instituto, os especialistas realizam os exames de necropsia fundamentais para a liberação e o avanço do inquérito.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro confirmou a identidade de seis mulheres que faleceram no desastre rodoviário:

  • Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos;
  • Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7 anos;
  • Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos;
  • Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos;
  • Keyla Perucci da Silva, de 35 anos;
  • Priscilla de Souza Braz, de 33 anos.

O balanço da corporação militar de resgate indicou que duas vítimas sofreram traumas gravíssimos, enquanto outras doze tiveram machucados de gravidade intermediária. Toda a rede de urgência foi acionada para receber os sobreviventes, com transferências focadas no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, situado na Baixada Fluminense, e no Hospital Municipal Santa Tereza, na própria cidade imperial.

Infelizmente, um dos passageiros resgatados com vida teve uma parada fatal dentro da ambulância a caminho do centro médico. O homem que conduzia o ônibus escapou com vida e deve prestar esclarecimentos formais aos investigadores em breve, enquanto a 105ª Delegacia de Polícia assumiu a responsabilidade de apurar as circunstâncias do capotamento com base nos laudos periciais.

O fluxo de veículos na descida da serra precisou ser totalmente bloqueado para o trabalho das equipes, sendo normalizado somente após quatro horas de interrupção.

Relatos de imprudência e desespero antes da tragédia na rodovia

Uma jovem de 25 anos, que trabalha como administradora e sobreviveu ao impacto, optou por manter sua identidade preservada ao relatar os hematomas e cortes que sofreu pelo corpo. Ela denunciou que o homem ao volante mantinha um ritmo acelerado e perigoso desde os primeiros quilômetros em Minas Gerais, gerando desconforto e queixas diretas por parte de quem estava a bordo.

A testemunha explicou que a captação de clientes ocorreu em pontos distintos da capital mineira, passando pela Praça da Cemig, Avenida Afonso Pena e finalizando no Shopping Estação. As falhas estruturais eram evidentes, com diversos cintos de segurança travados ou quebrados, somados à pressa excessiva do motorista. Durante uma pausa na cidade de Juiz de Fora, o grupo implorou por mais cautela, mas o condutor rebateu afirmando que precisava estacionar em Copacabana impreterivelmente às 4h30.

Quando o veículo acessou o trecho de serra, o ambiente se transformou em um cenário de terror com gritos ecoando pelo corredor. A administradora contou que despertou no susto, agarrou-se ao seu companheiro e teve a certeza de que aquele seria o fim. O transporte pesado perdeu a estabilidade nas curvas íngremes, tombou no asfalto e foi rasgado pela estrutura de uma árvore que penetrou a lataria.

Prefeitura detalha a força-tarefa montada para salvar os feridos

O chefe do executivo municipal, Hingo Hammes, veio a público para explicar a dimensão do aparato de emergência acionado assim que a notícia do desastre chegou às autoridades. Ele enfatizou a integração rápida entre os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) local e da Baixada Fluminense, atuando lado a lado com bombeiros e policiais rodoviários.

Nas palavras do gestor público, a mobilização se configurou como uma operação gigantesca de salvamento, onde as frotas médicas, militares e rodoviárias trabalharam em sintonia fina para compartilhar dados e otimizar o resgate.

Hammes prestou condolências às famílias enlutadas e explicou a logística de distribuição dos pacientes, que envolveu o Hospital Santa Teresa e diversas Unidades de Pronto Atendimento da região metropolitana. Para dar conta da demanda, a prefeitura precisou deslocar cinco viaturas avançadas do Samu simultaneamente.

Os boletins emitidos pelas secretarias de saúde apontam que a rede hospitalar fluminense absorveu um total de 23 vítimas oriundas do capotamento.

A direção do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes registrou a entrada de 14 pessoas em suas dependências. Foi nesta unidade que um dos passageiros não resistiu aos ferimentos graves, deixando os outros 13 sob monitoramento intensivo das equipes médicas.

Já o complexo do Hospital Santa Teresa acolheu nove sobreviventes do impacto. A administração do centro médico garantiu que todos passam por avaliações rigorosas de especialistas, respeitando as normas de triagem de trauma, embora a política de privacidade impeça a divulgação do estado de saúde específico de cada internado.

Posicionamento da empresa responsável pela viagem clandestina

Os advogados que representam a agência de viagens comunicaram que o dono do negócio não tem condições psicológicas para dar declarações no momento, justificando que o empresário se encontra em choque profundo.

Através de um comunicado escrito, a Estrela Guia Turismo manifestou tristeza pelo evento catastrófico, enviou mensagens de apoio aos parentes das vítimas e prometeu não medir esforços para custear as necessidades dos sobreviventes, além de garantir transparência total junto aos órgãos de investigação.

A equipe jurídica da companhia também anunciou a disponibilização de um novo veículo para realizar o trajeto de volta a Minas Gerais, mas a viagem de retorno só acontecerá mediante a alta médica oficial de cada passageiro afetado.

Durante o período da tarde, a viação confirmou que oito pessoas já haviam sido liberadas pelos médicos para voltar para casa. O homem que dirigia o coletivo permanece internado após fraturar os dois membros inferiores no momento da batida, em uma viagem que tinha a orla carioca como destino final.

Pessoas que buscam notícias sobre entes queridos que estavam na lista de passageiros foram orientadas a procurar a administração da agência para receber suporte logístico e informativo.

Para centralizar essa comunicação de crise, a empresa de transporte habilitou uma linha telefônica exclusiva dedicada ao atendimento emergencial.

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