Segurança preso por linchamento chega à delegacia com bicicleta de Cláudio Rafael

Segurança preso pelo espancamento de Cláudio Rafael chegou à DP para depor pedalando bicicleta da vítima — Foto: Reprodução Foto: Segurança preso pelo espancamento de Cláudio Rafael chegou à DP para depor pedalando bicicleta da vítima — Foto: Reprodução

Na segunda-feira, 17 de agosto de 2026, um dos quatro homens detidos pelo envolvimento na morte de Cláudio Rafael Landeiro compareceu para prestar depoimento portando a bicicleta que a vítima utilizava no dia do linchamento. Cláudio Rafael foi espancado até a morte após ser falsamente acusado de furto de bicicletas, mas o veículo, na verdade, pertencia à sua irmã.

Davi Santos Machado, de 21 anos, que trabalha como segurança de rua, inicialmente depôs como testemunha e negou qualquer participação nas agressões em 17 de agosto. Contudo, ele retornou à delegacia no dia seguinte, em 18 de agosto, e admitiu seu envolvimento no crime.

Ele chegou à 12ª Delegacia de Polícia, localizada em Copacabana, levando consigo a bicicleta que era utilizada por Rafael, nome pelo qual a vítima era conhecida por seus familiares.

A bicicleta havia sido retirada do local na noite em que o crime ocorreu por Jorge Luiz Ricardo Dias, outro segurança, conforme revelam imagens examinadas pela polícia. Os envolvidos alegaram acreditar que estavam recuperando um objeto roubado, o que posteriormente se confirmou como um equívoco.

Conforme os relatos obtidos, Rafael foi a uma loja em Copacabana por volta das 23h20 de 11 de agosto com o objetivo de pedir um cigarro. Por não possuir dinheiro, não conseguiu o item desejado. Pouco tempo depois, o segurança Davi apareceu e questionou sobre a bicicleta ao lado de Rafael, que simplesmente respondeu “não”, referindo-se ao fato de o veículo não ser dele, mas sim de sua irmã.

A família da vítima informou que Rafael possui dificuldades cognitivas que impactam diretamente sua capacidade de comunicação.

Uma testemunha relatou que Davi pegou a bicicleta e solicitou que ela fosse guardada. A testemunha declarou ter colocado o veículo ao lado de galões de água e o prendeu com um cadeado. Davi então fotografou a bicicleta e deixou o local.

Em seguida, Davi retornou afirmando ter localizado o proprietário da bicicleta, removeu o cadeado e levou o veículo, enquanto Rafael o seguia. O funcionário da loja permaneceu em seu posto.

Pouco tempo depois, um cliente alertou que dois homens agrediam uma pessoa com pedaços de madeira. A testemunha se dirigiu à frente da loja e presenciou Davi e outro segurança desferindo golpes em Rafael, tanto na rua quanto na calçada.

A mesma testemunha confirmou que o outro segurança pegou a bicicleta com Davi e se afastou do local, ao passo que Rafael continuava seguindo na direção do homem que estava com o veículo.

Depoimento revela as agressões e a confissão de Davi Machado

Davi prestou seu primeiro depoimento cinco dias após o ocorrido, inicialmente como testemunha. A polícia indicou que ele forneceu informações falsas, negando ter presenciado ou participado das agressões.

No entanto, no dia seguinte, ele retornou à delegacia e confessou as agressões contra Rafael. Em seu depoimento, Davi disse que ele e os dois entregadores agrediram a vítima com socos e pontapés, e que ele próprio utilizou um cacetete para atingi-la.

Conforme o relato, ele desferiu múltiplos golpes na cabeça de Rafael em um “ato insano”, e afirmou não conseguir explicar o motivo que o levou a agir de tal maneira.

Davi também declarou que não existia nenhuma prova concreta de que a bicicleta tivesse sido roubada.

O depoimento ainda revela que Rafael não reagiu e seguiu as ordens dos agressores. Davi afirmou não ter ouvido a vítima pedir ajuda.

Detalhes da investigação sobre o crime que vitimou Cláudio Rafael

Rafael saiu de sua residência para andar de bicicleta na noite de 11 de agosto. De acordo com informações da família, ele possuía transtornos mentais e tinha dificuldades na fala.

Na Rua Barata Ribeiro, ele foi abordado pelo segurança de rua Davi Santos Machado, que o questionou sobre a propriedade da bicicleta. Cláudio Rafael respondeu que não, e a bicicleta realmente pertencia à sua irmã.

A investigação aponta que Davi começou a desconfiar que Rafael havia furtado a bicicleta e, por isso, acionou dois entregadores que estavam passando nas proximidades.

Gravações indicam que Jorge Luiz Ricardo Dias, outro segurança, tomou a bicicleta de Cláudio de forma violenta. A vítima tentou recuperar o objeto, foi agredida e em seguida correu.

Cláudio se sentou diante de um edifício, na Rua Felipe Oliveira, onde foi novamente cercado pelos agressores. Os dois entregadores se uniram a Davi e deram início a novas agressões.

As agressões se estenderam por aproximadamente nove minutos e foram gravadas em vídeo pelos próprios participantes. Cláudio não demonstrou qualquer reação.

Posteriormente, a vítima agonizou na calçada por cerca de trinta minutos. Bombeiros foram acionados e transportaram Cláudio para o hospital, onde ele acabou não resistindo aos ferimentos.

Identificação dos indivíduos envolvidos no ataque fatal

  • Davi Santos Machado, 21 anos: segurança de rua. Ele é visto nas imagens agredindo Cláudio com um cassetete e desferindo múltiplos golpes na cabeça da vítima. De acordo com a polícia, ele prestou depoimento inicialmente como testemunha, negando envolvimento nas agressões. No dia subsequente, ele retornou à delegacia e confessou o crime.
  • Jorge Luiz Ricardo Dias: outro segurança de rua com participação no ocorrido. Ele é registrado em imagens portando um pedaço de madeira e levando a bicicleta de Cláudio.
  • Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23 anos: entregador. Ele é mostrado nas filmagens envolvido nas agressões. Felipe se apresentou à polícia na tarde de 21 de agosto.
  • Ailton José da Silva: também atuou como entregador. Ele é visível nas imagens espancando Cláudio.

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