PF aponta que lobista dizia gastar R$ 100 mil mensais com despesas ligadas a LulinhaPor Beatriz
3 min de leitura
![]() |
Uma conversa entre a lobista Roberta Luchsinger e um empresário, ocorrida em 25 de agosto de 2025, revelou gastos mensais de R$ 100 mil destinados a cobrir despesas de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Os detalhes surgem de um inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a possível atuação de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de Luchsinger na intermediação de contratos com a Dataprev, empresa federal de tecnologia.
De acordo com a apuração de investigadores, Roberta teria mencionado a necessidade de interromper o pagamento de passagens, citando a lentidão no recebimento de valores previamente combinados.
Em um diálogo, Roberta disse: “Se cê souber o que que o outro disse, eu fui cortar o negócio né, daí eu falei ‘ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de 100 mil, então assim, não vai dar mais pra ter essas passagens né’, ele falou ‘ah, eu vou ficar pedindo pro Cleber e ro Checon’, eu ri pra caramba, eu falei ué, eu falei ué, boa sorte pra você”.
O empresário Cléber Ribas foi o interlocutor de Roberta na conversa de 25 de agosto de 2025, que teria iniciado com um áudio de Luchsinger questionando sobre pagamentos.
Um trecho da investigação mostra a mensagem de Roberta: “Bom dia, tudo bem? Deixa eu te falar, o Freitas paga quando? Aí será que ele não paga hoje não? Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio, aí vai pagar com o dinheiro do Freitas, tá foda”.
Em resposta, Ribas teria afirmado: “ele paga sempre dia 28, vou ver com ele aqui”. Foi após essa troca de mensagens que a lobista detalhou as despesas de Lulinha.
A polícia informou que a identidade da pessoa citada como “Freitas” ainda está sob investigação, e que as apurações prosseguem para elucidar o contexto completo da conversa.

Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, afirmou que não pode confirmar a autenticidade das mensagens. “O que podemos dizer é que, caso elas sejam verdadeiras, foram tiradas de contexto. Não há nada nos autos que possa sugerir que a Roberta gastava R$ 100 mil com Fábio. Não há nada nos autos. São inferências não conclusivas e irresponsáveis de setores da PF que seguem tentando interferir nas eleições de 2026”, disse o advogado.
A defesa de Cléber Ribas criticou o vazamento das mensagens, alegando que elas foram retiradas de contexto. “Os vazamentos de trechos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses extratos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva. Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja”, afirmou a defesa.







