Espécie ‘dragão-azul’ é encontrada no litoral de São Paulo e vira objeto de estudo

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Dragão azul Glaucus atlanticus - Reprodução/YouTube Foto: Dragão azul Glaucus atlanticus - Reprodução/YouTube

Um molusco exótico, conhecido como dragão azul, foi avistado encalhado na Praia do Guaraú, em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo. O aparecimento do pequeno animal, que mede entre 3 e 4 centímetros na água, chamou a atenção da pesquisadora Gemany Caetano, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), que o encontrou.

O achado despertou curiosidade pela beleza do molusco e sua relevância para o ecossistema marinho. A raridade de sua presença na costa brasileira tem motivado análises sobre os fatores que o trouxeram para tão perto da areia.

Espécie de mar aberto chega ao litoral brasileiro de forma inesperada

O dragão azul, cientificamente chamado Glaucus atlanticus, é uma lesma-do-mar pelágica que habita as águas profundas do oceano, distantes da costa. Ele se mantém flutuando com a barriga para cima, utilizando uma camuflagem natural na superfície para se proteger enquanto se alimenta de outros organismos, como a Caravela Portuguesa e pequenos invertebrados.

Conforme explicou a pesquisadora Gemany, a descoberta do animal na areia é atípica devido ao seu habitat em mar aberto e ao seu tamanho reduzido. Quando fora da água, o dragão azul encolhe, atingindo aproximadamente 1 centímetro, um pouco maior que uma moeda de um centavo.

O exemplar encontrado por Gemany estava morto, e o registro foi possível porque a pesquisadora mantém o hábito de sempre ter seu celular por perto. Na data, ventos leste com velocidade superior a 40 km/h foram registrados na área, indicando que este pode ter sido o motivo que arrastou o animal até a praia. “Ele é facilmente arrastado por ventos e correntezas, já que não consegue vencê-los”, afirmou Gemany.

Precauções ao se deparar com o molusco azul

Apesar da aparência fascinante, com suas cores azul-metálico e formato que lembra asas, o dragão azul exige cuidado. Ele se alimenta de animais com células urticantes, como a Caravela Portuguesa, e pode armazenar essas toxinas.

Gemany alertou que, embora não existam registros de acidentes com humanos, a manipulação direta do molusco é desaconselhada. Se alguém encontrar o animal vivo, o recomendado é contatar órgãos ambientais ou o Corpo de Bombeiros para que o molusco seja devolvido ao mar com segurança.

A pesquisadora ainda pontuou que a presença do dragão azul oferece uma chance de aprender sobre a diversidade marinha e as consequências das alterações ambientais nos ecossistemas costeiros. Ela reiterou a importância de proteger a vida marinha e de não tocar em animais desconhecidos.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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