Ibovespa sobe puxada por Petrobras em meio a falas do Fed e dados nacionais

Ibovespa, bolsa de valores

Ibovespa - Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Ibovespa inverteu o movimento e voltou a registrar ganhos durante a sessão, buscando a oitava valorização consecutiva. O índice da bolsa brasileira havia sido impactado inicialmente pelo pronunciamento de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), realizado no Simpósio de Jackson Hole. No entanto, o mercado recuperou vigor impulsionado pela alta das ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e por resultados do mercado de trabalho brasileiro que ficaram abaixo das expectativas.

No período da tarde, por volta das 16h40 (horário de Brasília), o principal indicador da B3 apresentava uma valorização de 0,11%, atingindo 175.270,1 pontos. Simultaneamente, o dólar comercial registrava elevação de 0,8%, negociado a R$ 5,2032.

Em Nova York, os índices acionários inicialmente reagiram negativamente à fala de Warsh. Contudo, o Dow Jones conseguiu recuperar parte das perdas e subiu 0,03%, enquanto S&P 500 e Nasdaq apresentavam recuos de 0,25% e 0,51%, respectivamente, no mesmo período.

Discurso de Warsh em Jackson Hole e o impacto nos mercados

Em sua fala, o presidente do Fed enfatizou que, embora nenhuma métrica de preços seja perfeita, todas indicam um cenário semelhante: a inflação permanece acima da meta de 2% ao ano. Segundo ele, o foco principal da instituição neste momento deve ser a estabilidade dos preços.

Após o discurso, a plataforma FedWatch, do CME Group, registrou um aumento nas projeções de alta dos juros nos Estados Unidos para o mês de setembro, com uma probabilidade de 55,7%. No dia anterior, a expectativa predominante, de 64,7%, apontava para a manutenção das taxas de juros na próxima reunião do Fed.

Yihao Lin, economista sênior da Genial Investimentos, explicou que taxas de juros mais elevadas nos Estados Unidos tendem a restringir as condições financeiras em escala global, fortalecendo o dólar e ampliando a vulnerabilidade do real a contextos de aversão ao risco. O especialista acrescentou que, embora esse cenário não sinalize uma retomada imediata do ciclo de alta da Selic, reforça a necessidade de cautela por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) e pode moderar a intensidade e a velocidade dos próximos cortes.

Comportamento divergente das ações da Petrobras e da Vale no mercado

Recentemente, os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão em queda. O barril de Brent, com entrega em novembro, cedeu 0,47%, fechando a US$ 88,1, enquanto o WTI, para outubro, recuou 0,16%, cotado a US$ 83,4.

Em contrapartida à queda do petróleo, as ações da Petrobras operavam em alta, com os papéis ordinários avançando 1,37% e os preferenciais subindo 1,43%.

Na ocasião, as instituições Ágora Investimentos e Bradesco BBI elevaram a recomendação para as ações da Petrobras de “neutra” para “compra”, estabelecendo um preço-alvo de R$ 53. As casas de análise justificaram a mudança apontando que o recente movimento nos preços das ações, influenciado por valores mais baixos do petróleo, combinado com um desempenho superior no aumento da produção da empresa, gerou uma relação de risco-retorno favorável.

Por outro lado, as ações da Vale (VALE3) registraram queda de 1,43% no pregão, apresentando um comportamento diferente do minério de ferro, que teve valorização na China e em Singapura.

Empresas com os maiores ganhos no Ibovespa durante a sessão

As ações da BB Seguridade (BBSE3) lideraram os ganhos do Ibovespa na sessão, com uma alta limitada de 1,83%.

  • BB Seguridade (BBSE3): +1,83% a R$ 40,17
  • Santander (SANB11): +1,63% a R$ 29,95
  • Petrobras (PETR4): +1,76% a R$ 43,45

Ações com as maiores quedas registradas no Ibovespa

As ações do Magazine Luiza (MGLU3) registraram a maior queda no Ibovespa no período da tarde, com perdas de 5,99%. Em seguida, os papéis da MRV (MRVE3) e da CSN (CSNA3) também apresentaram recuos expressivos.

  • Magazine Luiza (MGLU3): -5,99% a R$ 4,55
  • MRV (MRVE3): -5,3% a R$ 5,18
  • CSN (CSNA3): -3,72% a R$ 5,17

Principais indicadores da economia brasileira: IGP-M e Caged

No cenário doméstico, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) mostrou uma retração de 0,22% em agosto, após uma queda de 1,16% em julho, conforme divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Este resultado foi menos acentuado do que a média das projeções do mercado, que indicava um recuo de 0,30% para o mês. As estimativas variavam entre uma retração de 0,60% e uma alta de 0,28%.

Um dado que chamou a atenção no dia foram os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que apontaram a criação de 58.568 postos de trabalho formais em julho de 2026 no Brasil. Este foi o desempenho mais fraco para o mês no ano de 2026, além de ser o pior julho desde 2019 e o mais baixo da série histórica atual do Novo Caged, iniciada em 2020. O resultado ficou aquém da expectativa de 114 mil novas vagas, segundo a pesquisa Projeções Broadcast.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a expressiva frustração em relação às projeções sugere uma possível desaceleração no mercado de trabalho formal, embora seja prematuro considerá-lo uma tendência consolidada. Kayo também avaliou que a fragilidade dos dados pode intensificar as apostas em uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, e talvez em um corte de mesma magnitude em um dos encontros subsequentes.

Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing