Controle da dívida pública reduziria juros a um dígito com grande impacto social, diz EstevesPor Janderson Luiz
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O Brasil enfrenta um cenário econômico onde a dívida pública se destaca como o principal obstáculo para a redução das taxas de juros, segundo André Esteves, chairman do BTG Pactual. Ele argumenta que a alta nos juros, atualmente em 14% ao ano, prejudica severamente a atividade econômica e até mesmo o próprio setor financeiro. O executivo fez as declarações na abertura do Macro Day 2026, evento realizado em 31 de agosto de 2026.
Esteves desafiou a percepção comum de que juros elevados beneficiam os bancos, afirmando que essa ideia não corresponde à realidade. “É ruim para as empresas, para todos os setores, para a indústria, para o varejo, para o empreendedorismo e para os bancos. Essa ideia de que juro alto é bom para os bancos, não é. É muito ruim”, disse. Ele enfatizou que um ambiente com taxas tão altas cria grandes desafios para a prosperidade de diversos segmentos da economia.
Juros elevados: um peso para a atividade econômica e para os bancos
A manutenção de juros em patamares como 14% ao ano compromete o desenvolvimento de empresas de todos os portes. Este cenário desfavorável afeta diretamente a capacidade de investimento e expansão. Indústrias, varejistas e empreendedores sentem o impacto negativo de custos de capital mais altos, resultando em menor crescimento e geração de empregos.
Mesmo o sistema financeiro, erroneamente visto como beneficiado, sofre com a desaceleração econômica geral. Um ambiente de negócios menos dinâmico leva a uma menor demanda por crédito e a um aumento no risco de inadimplência. Esteves reiterou que a saúde dos bancos está intrinsecamente ligada à saúde da economia como um todo.
Trajetória fiscal desequilibrada como principal entrave
Apesar dos desafios, André Esteves ressaltou que a economia brasileira possui elementos bem estruturados. Ele citou importantes pilares que oferecem uma base sólida para o país, caso a questão fiscal seja resolvida.
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Entre os pontos fortes da economia, Esteves mencionou:
- Reservas cambiais robustas, totalizando aproximadamente US$ 370 bilhões.
- Solidez do sistema financeiro nacional.
- Forte atuação do mercado de capitais.
- Baixo nível de desemprego na época da declaração.
No entanto, o chairman do BTG Pactual apontou o rápido crescimento da dívida pública como o principal fator de desequilíbrio. Para ele, esse é o item que ainda impede o Brasil de atingir um patamar de juros mais sustentável. “Tem um item que ainda está fora do lugar: o crescimento da dívida pública no Brasil está muito alto, muito forte e muito rápido. A gente precisa tratar desse tema”, afirmou.
Oportunidade de reduzir os juros à metade e seus benefícios
André Esteves indicou que o Brasil tem a capacidade de cortar as taxas de juros pela metade, chegando a cerca de 7% ao ano. Essa redução dependeria diretamente de um enfrentamento eficaz ao aumento da dívida pública. A visão de Esteves é de que o país não está fadado a viver em um ambiente de juros tão elevados.
A discussão sobre o controle da dívida não deve ser vista como uma questão ideológica, mas sim técnica e institucional. O executivo defendeu a aplicação de métodos e tecnologias para gerenciar esse desafio. “Existe uma técnica para isso, existe tecnologia, existe ciência. A gente tem que abraçar essa ciência e entregar para a sociedade esse enorme benefício”, explicou.
Transformação social com juros de um dígito e seu impacto
Levar a taxa de juros a um dígito de forma sustentável teria um efeito transformador profundo na sociedade, especialmente para a população de menor renda. Este é um dos maiores benefícios apontados por Esteves. Aqueles na base da pirâmide são os que mais sofrem com o custo elevado do crédito e a instabilidade econômica gerada por juros altos.
O executivo fez uma comparação impactante, afirmando que a queda dos juros para um patamar de um dígito sólido equivaleria a “30 vezes qualquer programa social”. Ele enfatizou a relevância dessa mudança para a vida das pessoas. Esteves concluiu que essa transformação é não apenas possível, mas “relativamente simples” de ser alcançada e pode se tornar um dos principais legados do próximo governo.







