Comissão do Congresso expande permissão para agentes de segurança embarcarem armados em voos comerciaisPor Luís Pereira
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A possibilidade de agentes de segurança pública embarcarem armados em voos comerciais no Brasil pode ser significativamente ampliada. Recentemente, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado do Congresso aprovou um projeto de lei que estende essa prerrogativa a todas as categorias de servidores com porte de arma, marcando uma alteração substancial no atual Estatuto do Desarmamento.
A proposta, que começou com um escopo mais restrito, foi modificada para abranger um número maior de profissionais, visando garantir uma maior igualdade de condições entre as diversas carreiras que compõem o sistema de segurança do país. A medida busca otimizar a capacidade de resposta do Estado em situações que exigem a presença e a atuação desses agentes, eliminando barreiras burocráticas consideradas excessivas.
Ampliação do escopo e justificativas do relator
O texto aprovado representa uma versão substitutiva elaborada pelo relator, deputado Roberto Monteiro Pai, do PL-RJ, para o Projeto de Lei 1687/26, originalmente apresentado pelo deputado Delegado Caveira, do PL-PA. A proposta inicial previa a autorização apenas para policiais civis dos estados e do Distrito Federal, limitando o acesso a essa facilidade.
O relator justificou a ampliação da lista de beneficiados, argumentando que as restrições burocráticas vigentes não se alinham com o cotidiano das corporações e acabam gerando vulnerabilidades inaceitáveis. Segundo ele, tais entraves diminuem a capacidade de reação rápida do Estado, um fator crucial para a segurança pública e o combate ao crime organizado. A medida é vista como um passo para modernizar e desburocratizar os procedimentos, permitindo que os agentes atuem de forma mais eficaz.
Novas condições para o embarque armado
Apesar da ampliação, o novo texto estabelece uma série de condições rigorosas para o embarque de agentes públicos com armamento. A proposta visa equilibrar a necessidade de segurança operacional com a garantia de que as armas sejam manuseadas de forma responsável e controlada. As principais exigências incluem:
- Comprovação de necessidade relacionada ao desempenho de atividades específicas.
- Obtenção de autorização e verificação documental pela Polícia Federal.
- Guarda discreta do equipamento durante todo o voo.
- Subordinação à coordenação do comandante da aeronave.
- Uso da arma restrito a situações de ameaça real e iminente, como último recurso.
- Proibição de portar a arma carregada dentro da aeronave.
- Vedação ao consumo de bebida alcoólica antes ou durante o voo.
A comprovação de necessidade está diretamente ligada a funções policiais, de inteligência, escolta ou pronto emprego operacional, cujas especificações detalhadas serão definidas posteriormente em um regulamento emitido pelo Poder Executivo federal. Essa regulamentação também abordará aspectos técnicos, como a quantidade de armas permitidas por agente, os procedimentos para descarregar e guardar o armamento, e as rotinas a serem seguidas nos aeroportos.
O papel da Polícia Federal e o contexto atual
Um dos pontos cruciais da proposta é a centralização da autorização e fiscalização na Polícia Federal. O substitutivo do relator confere à Polícia Federal a prerrogativa de verificar os documentos necessários e, mais importante, a capacidade de negar um pedido de embarque armado com base em uma avaliação de risco fundamentada por escrito. Essa medida sublinha a importância de um controle rigoroso e discricionário para garantir a segurança de todos os passageiros e tripulantes.
Atualmente, a Resolução 461/18 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já permite o embarque armado em voos comerciais, mas restringe essa possibilidade a agentes públicos com porte de arma em apenas quatro situações específicas relacionadas ao seu trabalho. A proposta em análise no Congresso representa uma expansão considerável em comparação com as normas vigentes, impactando diversas outras categorias de profissionais da segurança.
Próximos passos no processo legislativo
Para que o projeto de lei se torne efetivamente uma norma legal, ele ainda precisa percorrer um longo caminho dentro do Congresso Nacional. Após a aprovação na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, o texto será submetido à análise, em caráter conclusivo, por outras duas importantes comissões.
Primeiramente, passará pela Comissão de Viação e Transportes, que avaliará os impactos da medida no setor aéreo e na logística de transporte. Em seguida, será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, responsável por verificar a constitucionalidade e a legalidade da proposta. Somente após a aprovação em todas essas instâncias da Câmara dos Deputados, o projeto seguirá para o Senado Federal, onde também precisará ser aprovado para, finalmente, ser sancionado e virar lei.







