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O presidente Lula atingiu 39% das intenções de voto contra 35% do senador Flávio Bolsonaro na pesquisa do Datafolha concluída em 10 de setembro de 2026 no Brasil sobre a disputa presidencial, apontando estabilidade durante a crise no Supremo Tribunal Federal.

Na sequência da lista estimulada, Augusto Cury obteve 6%, Ronaldo Caiado registrou 4%, Renan Santos marcou 3% e Romeu Zema alcançou 2% da preferência dos entrevistados. Os postulantes Samara, Edmilson Costa, Clariana Barão e Rui Costa Pimenta somaram 1% cada um. A parcela de eleitores que declarou voto branco ou nulo atingiu 6%, enquanto 4% continuam indecisos.

Na medição anterior, o atual presidente reunia 38% das declarações de voto, diante de 33% computados pelo senador do PL. Naquela ocasião, Augusto Cury acumulava 8% das intenções depois de registrar alta de seis pontos percentuais.

Embora o placar confirme a estabilidade das lideranças da corrida eleitoral, a diferença de quatro pontos percentuais entre os dois primeiros colocados representa a menor distância observada desde maio de 2026 e configura um empate no limite da margem de erro de dois pontos, com probabilidade estatística superior para o petista.

No levantamento espontâneo, em que os nomes não são exibidos aos participantes, Lula cresceu de 31% para 33% das lembranças. Flávio Bolsonaro oscilou de 22% para 25%, ao passo que Augusto Cury recuou de 5% para 3%. O grupo de eleitores sem resposta chegou a 23%.

Na projeção de segundo turno entre os líderes da disputa, Lula somou 46% das intenções contra 44% de Flávio Bolsonaro. Os índices repetem o levantamento anterior e mantêm a condição de empate técnico.

O mandatário também registrou empate técnico no confronto direto inédito contra Augusto Cury. O chefe do Executivo anotou 45% ante 43% do autor. Nas outras simulações, o petista superou Ronaldo Caiado por 46% a 41%, Romeu Zema por 48% a 39% e Renan Santos por 48% a 37%.

Na análise de transferência de apoio, 39% dos simpatizantes de Augusto Cury declararam que escolheriam Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto 37% migrariam para Lula. Entre os entrevistados sem ligação com o petismo ou o bolsonarismo, o senador garantiu 38% das menções e o presidente computou 34%.

A coleta entrevistou 2.002 cidadãos entre 8 e 10 de setembro de 2026 em 125 municípios. O protocolo de registro no Tribunal Superior Eleitoral recebeu a identificação BR-01833/2026. A margem de erro fixou-se em dois pontos.

A composição demográfica do eleitorado manteve o padrão geral, com inversão pontual no Sudeste, território que responde por 42% da base consultada. Nesse colégio eleitoral, Flávio Bolsonaro marcou 37% contra 35% de Lula, revertendo o placar prévio que indicava 36% a 34% a favor do petista.

Nos segmentos sociais de maior peso, Lula preserva folga expressiva entre os 28% de menor escolaridade por 52% a 24%, nos 49% de menor renda por 47% a 27%, nos 27% de moradores do Nordeste por 53% a 25% e nos 50% de perfil católico por 46% a 29%.

Em contrapartida, Flávio Bolsonaro comanda as preferências entre os 47% de cidadãos com ensino médio por 40% a 35% e nos 25% com ensino superior por 37% a 30%. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, que abrange 33% da população, o parlamentar supera Lula por 42% a 31%. O senador também lidera entre os 15% de habitantes do Sul com 40% a 29%, nos 18% da população do Norte e Centro-Oeste com 40% a 32% e nos 28% do segmento evangélico com 50% a 22%.

Disputa eleitoral reflete impactos de crise institucional no STF

O levantamento de campo transcorreu em meio aos atritos no STF. A coleta de respostas terminou antes da divulgação, em 11 de setembro de 2026, sobre a investigação formal contra Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse e da derrubada do segredo de justiça dos autos.

A turbulência no tribunal ganhou força quando o ministro André Mendonça apresentou relatório sigiloso acessado por Alexandre de Moraes contendo registros de proximidade entre o magistrado e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master detido sob suspeita de chefiar fraude no sistema financeiro.

Alexandre de Moraes contestou formalmente os procedimentos adotados pelo colega de plenário. Em seguida, André Mendonça ordenou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do responsável pela inteligência da corporação. O presidente da corte, Edson Fachin, suspendeu as medidas dos dois magistrados para conter a crise interna.

Fachin agendou para 15 de setembro de 2026 o julgamento colegiado sobre a instauração de apuração contra Alexandre de Moraes, após retirar o ministro da relatoria do inquérito sobre notícias falsas aberto em 2019.

Durante os atos de 7 de Setembro, Flávio Bolsonaro vinculou a imagem de Lula a Alexandre de Moraes, responsável pela condução do processo que sentenciou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O senador sustentou que o magistrado manteve interlocução frequente com o governo petista durante o mandato atual.

No mesmo período, o ministro Flávio Dino determinou novas diligências sobre a proximidade entre o senador e Daniel Vorcaro.

Gravações registraram pedidos de recursos feitos pelo parlamentar ao empresário, acompanhados de declarações de fidelidade mútua. O caso gerou desgaste.

O montante de quase R$ 70 milhões tinha como destino a produção cinematográfica Dark Horse, obra projetada sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O senador classificou a iniciativa como negócio exclusivamente privado e não prestou contas formais dos valores. A apuração identificou a presença de repasses da Prefeitura de São Paulo no projeto.

Flávio Dino autorizou diligências da Polícia Federal para apurar a utilização de emendas parlamentares na produção, procedimento que atingiu o deputado Mário Frias. Os reflexos do caso no levantamento eleitoral foram limitados pelo estágio avançado das entrevistas em campo.

A derrubada do segredo de justiça no tribunal confirmou a condição de investigado do senador quando as entrevistas presenciais já estavam concluídas.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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