Efeito demográfico: Brasil vê eleitorado envelhecer e juventude diminuir nas urnas de 2026Por Luís Pereira
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O cenário eleitoral brasileiro para 2026 aponta para uma participação de mais de 158 milhões de eleitores, representando um acréscimo de 2,2 milhões de cidadãos aptos a votar em comparação com as eleições gerais de 2022. Contudo, essa expansão numérica vem acompanhada de uma significativa mudança no perfil demográfico dos votantes, com o eleitorado exibindo uma tendência clara de envelhecimento, conforme análises de especialistas.
O cientista político Carlos Oliveira observa que o Brasil está desenvolvendo um eleitorado mais maduro, espelhando o processo de envelhecimento da população nacional. As faixas etárias que mais crescem são as de 45 anos em diante, um dado que ressalta a importância de se compreender as demandas e prioridades desse segmento crescente para as futuras políticas públicas.
Perfil etário do eleitorado em transformação
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 2026 indicam uma concentração maior do eleitorado nas idades adultas, com um crescimento notável entre os grupos mais velhos. A faixa etária entre 40 e 44 anos, por exemplo, soma 15,9 milhões de pessoas, correspondendo a 10,08% do total de eleitores no país. Essa fatia é seguida de perto por outros grupos etários maduros, que formam a espinha dorsal do corpo eleitoral.
A seguir, o detalhamento das principais faixas etárias adultas que compõem o eleitorado nacional:
- 45 a 49 anos: 15,271 milhões de eleitores
- 35 a 39 anos: 15,262 milhões de eleitores
- 30 a 34 anos: 15,178 milhões de eleitores
- 25 a 29 anos: 14,9 milhões de eleitores
Esse panorama reforça a ideia de que as próximas eleições serão disputadas em um contexto onde a experiência de vida e as prioridades de eleitores mais velhos podem ter um peso decisivo no resultado das urnas.
Crescimento dos mais velhos e recuo dos jovens
O segmento de eleitores com 60 anos ou mais registrou um aumento expressivo de 4,56 milhões de pessoas entre 2022 e 2026, elevando o total para 37,45 milhões. Esse grupo agora representa 23,6% de todo o eleitorado, consolidando sua influência. Em contrapartida, as faixas etárias mais jovens apresentaram um declínio preocupante.
A faixa entre 21 e 34 anos, por exemplo, viu seu contingente diminuir de 43,8 milhões de eleitores em 2022 para 41,037 milhões em 2026. Entre os eleitores com 18 anos ou menos, cujo voto é facultativo, houve uma queda de 606 mil registros em relação a 2022. Carlos Oliveira explica que o engajamento desses adolescentes na política e o incentivo para irem às urnas frequentemente vêm do círculo familiar ou de amigos.
“Se a mãe, o pai ou os colegas são muito engajados politicamente, e o jovem está naquele ambiente, a probabilidade de ele tirar o título e votar é maior”, afirmou o especialista. Essa dinâmica também se aplica a outra faixa de voto facultativo: a dos eleitores com mais de 70 anos.
Pesquisas internacionais indicam que o engajamento político prévio é um fator determinante para a continuidade da participação cívica em idades avançadas. Além disso, a convivência com netos ou bisnetos politicamente ativos pode ser um estímulo importante para que idosos com voto facultativo mantenham sua presença nas eleições.
Participação feminina: maioria nas urnas, minoria nas cadeiras
As mulheres constituem a maioria do eleitorado brasileiro, representando 52,8% do total de votantes. No entanto, essa predominância numérica não se reflete proporcionalmente na política, onde elas ainda são minoria tanto entre os candidatos quanto entre os eleitos. Carlos Oliveira aponta que, desde a redemocratização, a legislação tem buscado fortalecer a participação feminina na política.
Para o cientista político, a efetiva ampliação da presença feminina na política depende de uma conscientização geral da sociedade. Ele destaca a carga desproporcional de trabalho doméstico que recai sobre as mulheres em todo o mundo.
“Quando chegam em casa, normalmente as mulheres dedicam na média, no mundo inteiro, 3 horas a mais de trabalho do que os homens. E aí eu acho que às vezes muitas delas têm uma liderança incrível, têm uma capacidade, têm possibilidade de contribuir muito com a sociedade, mas elas precisam de um apoio também”, enfatiza Oliveira. Essa realidade impõe barreiras adicionais para a plena inserção das mulheres na vida pública.
Engajamento político e a importância do voto
Carlos Oliveira também aborda a relação do eleitorado com a política, observando que, em média, os brasileiros ainda não fazem uma conexão direta entre os representantes eleitos e as políticas públicas que são elaboradas por governos e parlamentos. No entanto, ele acredita que essa conscientização pode se aprofundar, especialmente à medida que o eleitor percebe o impacto da política em seu cotidiano.
“A política é fundamental. O ideal, quando a gente vai votar, é não pensar só na gente – a gente tem que pensar no todo. Então, se você pensa no todo e você acredita numa ideia, acha que aquela ideia vai ser melhor ao longo dos anos, a gente não pode pensar só no momento. O que eu não posso é desistir, porque para a maior parte da população ter direito ao voto foi uma luta muito grande”, defendeu Oliveira.
Neste ano eleitoral, os cidadãos brasileiros terão a responsabilidade de escolher seus representantes para os cargos de presidente, governador, deputados estaduais ou distritais, deputados federais e senadores. A participação consciente e informada é crucial para o fortalecimento da democracia e a construção de um futuro mais alinhado com as necessidades da população.







