Anatel bloqueia empresas por fraude em 4 milhões de chamadas com número adulteradoPor Thiago Lemos
3 min de leitura
![]() |
A Agência Nacional de Telecomunicações determinou a suspensão das atividades de emissão de chamadas telefônicas ligadas a duas companhias comerciais que geraram mais de 4,3 milhões de conexões com números mascarados entre setembro de 2025 e junho de 2026. A manipulação deliberada do identificador de chamadas caracteriza a fraude técnica de spoofing.
Em comunicado divulgado em 16 de setembro de 2026, a agência reguladora apontou que as conexões barradas integram um universo que ultrapassa 203 milhões de ligações telefônicas com dados forjados. Os técnicos federais não conseguiram detectar o ponto de partida de todo o fluxo. As companhias de telecomunicação terão que rastrear a totalidade do tráfego.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
A apuração oficial localizou os disparos na Voros Telecomunicações, fornecedora de tecnologia para emissores de chamadas massivas, e na ELO Contact Center, prestadora de serviços de teleatendimento contratada pela operadora TIM.

A fiscalização concluiu que a Voros atuava de forma clandestina no mercado nacional de telefonia móvel e fixa sem possuir as autorizações exigidas pela legislação em vigor para explorar o segmento. O despacho impede que as operadoras Algar, Datora e Foco destinem faixas de suas estruturas de transmissão para manter os disparos da companhia.
A ELO Contact Center violou normas setoriais ao disparar chamadas com linhas fora dos padrões técnicos definidos pela autoridade reguladora. Uma determinação impôs que a TIM bloqueie as emissões geradas por essa central no prazo de 30 dias. As ordens foram expedidas formalmente.
A Agência Nacional de Telecomunicações justificou as sanções para conter a adulteração de dados na rede, afirmando que a técnica “dificulta a identificação do efetivo originador das comunicações e pode ser utilizada em fraudes ou outras condutas irregulares”.
Determinação estabelece auditoria técnica sobre linhas sob suspeita
As empresas TIM, Algar, Itelco e Surf Telecom movimentaram um elevado volume de dados considerados irregulares durante as análises dos técnicos. As operadoras receberam o prazo limite de 30 dias para enviar relatórios detalhados com os pontos de saída de todas as ligações adulteradas.
A Voros Telecomunicações declarou à agência que não fornece tráfego voltado à rede pública e que a tarefa de manter a identificação correta cabe unicamente às concessionárias parceiras.
A ELO Contact Center respondeu à fiscalização que as falhas técnicas partiram de uma empresa terceirizada e que aplicou ações corretivas imediatas. A TIM informou que não possuía gerência técnica sobre o sistema da parceira e aplicou sanções contratuais contra o centro de atendimento. Medidas internas foram abertas.
A Algar e a Surf sustentaram que os registros anômalos derivaram de intermediárias contratadas, sem geração de tráfego ilícito em seus sistemas centrais. A Itelco não respondeu.















