Diesel com defasagem recorde de R$ 3,89: há risco de falta nos postos?Por Beatriz
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A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis registrou uma defasagem de R$ 3,89 por litro no preço do diesel vendido nas refinarias da Petrobras em relação às cotações internacionais. O descompasso decorre da rápida valorização do barril de petróleo tipo Brent, que atingiu o patamar de US$ 108 nas bolsas globais após episódios de violência no Oriente Médio. Diante do distanciamento entre as tabelas locais e os custos de importação, distribuidoras independentes reduziram encomendas de navios cargueiros com cargas vindas do exterior.
A disparada da cotação internacional ocorreu imediatamente após novas investidas armadas realizadas pelos rebeldes houthis contra embarcações comerciais que cruzavam rotas marítimas no Mar Vermelho. Em resposta à deterioração da segurança na navegação regional, o governo da Arábia Saudita determinou a suspensão temporária de embarques em trechos estratégicos para evitar ataques adicionais. Esse bloqueio logístico reduziu a circulação de matéria-prima nos portos globais e gerou forte apreensão entre compradores industriais da Europa e da Ásia. Com menor volume disponível para pronta entrega, refinarias estrangeiras elevaram as cotações de derivados como o óleo diesel e o combustível marítimo.
Conflito no Mar Vermelho trava navios petroleiros
A interrupção de rotas marítimas vitais provocou custos extras de frete e seguros para todas as petroleiras internacionais que transportam insumos entre o Oriente Médio e os mercados consumidores ocidentais. Empresas de navegação desviaram frotas inteiras pelo extremo sul do continente africano, o que adicionou quase duas semanas aos trajetos regulares e encareceu os contratos de suprimento imediato.
Os ataques coordenados de drones e mísseis lançados pelo grupo houthi transformaram o Mar Vermelho em uma das travessias marítimas mais arriscadas da navegação moderna mundial, forçando grandes transportadoras a recusarem viagens sem a escolta direta de navios militares. Fontes diplomáticas da região confirmaram que as decisões de segurança das autoridades da Arábia Saudita paralisaram operações em terminais de carga que alimentam refinarias de diversos continentes. Os reflexos comerciais alcançaram o mercado brasileiro quase em tempo real, ampliando os custos operacionais das importações privadas que abastecem portos do Nordeste e do Sul.
A frota comercial desviou rotas.

Cálculo da Abicom expõe recuo de importadores privados
O cálculo elaborado pelos técnicos da Abicom indica que o diesel fóssil negociado no Brasil precisaria subir quase quatro reais por litro para restabelecer o equilíbrio econômico com as refinarias dos Estados Unidos e da Europa. Quando a diferença nominal supera a casa de um real por litro, empresas importadoras costumam paralisar operações portuárias para conter perdas financeiras diretas. Sem margem de lucro nos contratos de revenda para distribuidoras regionais, essas empresas privadas fecham janelas de desembarque e recuam na contratação de fretes adicionais. Esse recuo transfere toda a demanda de consumo interno diretamente para o parque de refino operado pela Petrobras.
Cargas internacionais deixaram de atracar nos terminais brasileiros operados pelo setor privado. Essa retração eleva a probabilidade de restrições pontuais na entrega de produto a postos de serviços instalados longe das refinarias estatais.
O abastecimento nacional depende de compras externas para atender cerca de um quarto de todo o diesel queimado por caminhões e máquinas agrícolas no território brasileiro. Regiões litorâneas que não contam com tubulações ligadas aos polos petroquímicos estatais compram derivados descarregados por via marítima em terminais terceirizados. Se os importadores independentes mantiverem os navios parados nos países de origem em decorrência da defasagem de R$ 3,89, estoques regionais podem cair antes do fim das próximas semanas de atividade econômica contínua.
Petrobras descarta repasse automático da volatilidade
A diretoria da Petrobras informou que segue sua estratégia comercial própria para formação de preços e evita transferir oscilações causadas por especulações conjunturais no mercado internacional do petróleo. A estatal afirmou que avalia parâmetros técnicos de mercado interno, alternativas de refino próprio e margens operacionais antes de qualquer deliberação sobre novos valores na refinaria.
A companhia declarou que monitora atentamente a trajetória do barril de Brent a US$ 108 e busca proteger os consumidores locais de variações abruptas resultantes de conflitos diplomáticos no exterior. Representantes da empresa sustentam que as refinarias nacionais operam com índices elevados de processamento de óleo cru para manter o suprimento contínuo em todas as bases de entrega. Caso a cotação global do petróleo se estabilize em patamares elevados por períodos prolongados, novos ajustes poderão entrar em análise técnica pela administração da empresa estatal. As distribuidoras mantêm contato com as bases operacionais da petroleira para gerenciar a entrega dos pedidos contratados.







