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O cenário político para as eleições de 2026 já se desenha com temas que prometem dominar o debate e influenciar diretamente a escolha do eleitorado. Questões como educação, segurança pública, saúde mental, o setor agropecuário e a agenda ambiental emergem como pontos centrais, exigindo propostas robustas e decisões estratégicas dos futuros representantes do Executivo e Legislativo.

A complexidade desses assuntos vai além de promessas de campanha, envolvendo a continuidade ou reformulação de políticas públicas existentes, a alocação de recursos orçamentários, a necessidade de alterações legislativas e a implementação de ações com impacto de médio e longo prazos. Especialistas de diversas áreas já apontam os desafios e as expectativas em torno dessas pautas, sublinhando a importância de um planejamento governamental que atenda às demandas da sociedade.

Educação: Prioridade eleitoral e planejamento de longo prazo

A área da educação desponta como uma das principais preocupações da população, influenciando diretamente o comportamento eleitoral. De acordo com Talita Nascimento, diretora de relações governamentais do Todos pela Educação, dados recentes corroboram o engajamento cívico em torno do tema. Uma pesquisa do Instituto Ideia, encomendada por entidades da sociedade civil, revela que 71% dos brasileiros consideram as ações governamentais no setor educacional ao decidir seu voto.

O levantamento ainda aponta que 83% dos cidadãos defendem que a educação esteja entre as três prioridades máximas dos próximos governadores. Essa percepção, segundo Nascimento, transcende o interesse de especialistas e da sociedade civil organizada, refletindo a vivência de pais e responsáveis com filhos na rede pública, que veem na educação uma política essencial. A diretora enfatiza que os eleitos em 2026 terão de dedicar atenção a medidas que geram resultados em anos, citando como exemplo o Novo Plano Nacional de Educação, aprovado e sancionado neste ano, que estabelece metas e estratégias para o setor.

Segurança pública: Integração e combate à corrupção

A segurança pública permanece como um dos maiores anseios da sociedade brasileira e tema recorrente em todos os pleitos. Lucas de Oliveira Jaques, consultor legislativo da Câmara dos Deputados e ex-policial federal, ressalta que o enfrentamento à criminalidade, especialmente às organizações criminosas, exige uma articulação coordenada entre os governos estaduais e a esfera federal, com foco no controle de fronteiras e portos.

A Lei do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) já oferece instrumentos para uma maior integração entre as forças, mas Jaques sugere que essa coordenação pode ser aprimorada. Ele menciona a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, atualmente em análise no Senado, e a possível criação de um Ministério da Segurança Pública como caminhos para fortalecer a atuação conjunta. Contudo, o consultor alerta que a eficácia da integração está intrinsecamente ligada ao combate à corrupção dentro dos próprios órgãos. “Se houver uma pessoa corrupta, por melhor que seja a operação, ela pode comprometer todo o trabalho”, pondera. O aumento de penas para crimes graves, embora possa ser uma resposta à demanda social, não é a solução isolada para a complexidade da criminalidade. As responsabilidades são compartilhadas: governos estaduais lidam com ampliação de vagas em presídios e efetivo policial, enquanto o governo federal também possui atribuições específicas. Aos legisladores, cabe a tarefa de propor e votar mudanças nas leis penais e na estrutura da segurança, além de participar da definição orçamentária para a área.

Saúde mental: Um desafio negligenciado nas urnas

A saúde mental, embora cada vez mais presente no cotidiano, ainda não ocupa o espaço merecido nos debates eleitorais. Bruno Ziller, gerente-executivo do Instituto Cactus, uma entidade dedicada à promoção da saúde mental no Brasil, destaca a necessidade urgente de que o tema ganhe mais relevância na agenda pública. O Instituto Cactus tem atuado para informar eleitores e candidatos, lançando guias que detalham a política pública de saúde mental, os marcos legais e a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), além de apresentar propostas para os próximos anos.

Ziller enfatiza que a discussão sobre saúde mental não pode ser dissociada de outras áreas cruciais, como educação, segurança pública, meio ambiente, emprego e moradia. Ele observa que, embora o tema esteja sendo incorporado ao vocabulário político, muitas vezes ocorre de forma genérica, sem a profundidade necessária para enfrentar os desafios reais. As propostas do Instituto Cactus para o aprimoramento das políticas de saúde mental incluem:

  • Ampliação e qualificação da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
  • Fortalecimento da atenção primária em saúde mental.
  • Investimento em prevenção e promoção da saúde mental em escolas e comunidades.
  • Aprimoramento da legislação e monitoramento da aplicação de recursos.
  • Combate ao estigma e à discriminação relacionados a transtornos mentais.

Agronegócio e meio ambiente: Crédito, crise e sustentabilidade

O agronegócio, responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, figura proeminentemente nos programas de governo dos candidatos. Luiz Rodrigues, consultor legislativo do Senado, aponta que as plataformas reforçam a importância de linhas de crédito para a agricultura familiar e a expansão do suporte ao seguro rural. Ele lembra que o mercado de commodities, como soja e milho, possui características cíclicas de preços e é altamente dependente de crédito para custeio e investimento.

O cenário recente tem sido desafiador para o setor. Conflitos internacionais no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia impactaram os mercados de fertilizantes e combustíveis. Somado a um fenômeno El Niño mais intenso, muitos produtores precisaram recorrer a instrumentos de rolagem de dívidas e recuperação judicial. A Serasa Experian registrou um aumento de 22% nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o ano anterior. Rodrigues alerta que grandes empresas do setor em recuperação judicial podem adiar pagamentos, gerando um efeito cascata em toda a cadeia produtiva.

No que tange ao meio ambiente, Rafael Vargas Marques, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, destaca a relevância dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para a redução das emissões de gases de efeito estufa. A agenda ambiental se conecta com o agronegócio através de oportunidades ligadas à transição energética, como a expansão da produção de etanol de milho e do combustível sustentável de aviação (SAF), que podem abrir novos mercados e modelos de negócio para produtores de todos os portes, integrando a sustentabilidade à economia rural.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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