Urna eletrônica soma 30 anos de uso sem registro de fraudePor Jeronimo Santos
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O Tribunal Superior Eleitoral confirmou em 16 de setembro de 2026, às 11h28, que as eleições brasileiras transcorrem sem registro comprovado de fraude na recepção, contagem ou totalização dos votos desde 1996, data em que a urna eletrônica começou a operar no país. Ao completar três décadas de serviço contínuo, a tecnologia agregou instrumentos sucessivos de blindagem contra manipulações externas.
Mais de 40 procedimentos de checagem cercam o calendário de votação com a fiscalização direta da Ordem dos Advogados do Brasil, do Ministério Público, do Congresso Nacional e dos partidos registrados. O trabalho técnico inclui abertura irrestrita de dados fundamentais, aplicação de assinaturas digitais, testes públicos de segurança, lacração e avaliação imediata do resultado após o encerramento do pleito.
Etapas de certificação e conferência prévia dos equipamentos
Técnicos e fiscais examinam o código dos sistemas nas fases preliminares da disputa para homologar a integridade das aplicações. Na cerimônia oficial de validação, os arquivos compilados recebem chaves criptográficas denominadas hashes, ganham autenticação digital e acabam armazenados em mídias lacradas para instalação direta nas cabines eleitorais.
A checagem matemática comprova se o arquivo instalado no aparelho é exatamente o mesmo validado nas sessões técnicas oficiais.
As organizações credenciadas mantêm livre acesso ao código-fonte da solução durante o intervalo regulamentar aberto pelas autoridades de Brasília, momento no qual peritos externos executam simulações de invasão destinadas a localizar falhas e reparar vulnerabilidades eventuais.
O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, explicou que chaves criptográficas exclusivas identificam cada equipamento de modo particular e chancelam os arquivos produzidos pelas máquinas durante a contagem.
Isolamento total de redes e barreiras de conexão sem fio
O aparelho opera sem nenhuma porta de comunicação remota, sem conectividade com a internet e com ausência total de componentes para sinal Wi-Fi ou Bluetooth nas placas eletrônicas internas, executando apenas o sistema validado previamente pelos técnicos do tribunal. O sistema opera off-line.
O terminal imprime o Boletim de Urna ao fim da votação, salva os números apurados em mídia física e encaminha esses arquivos aos servidores centrais por uma rede criptografada e controlada unicamente pela Justiça Eleitoral.
— A urna é isolada, não tem internet, não tem Wi-Fi, não tem Bluetooth. Depois que termina a votação, a gente retira a mídia de resultado e faz a transmissão dos resultados — explicou Valente.
Uma bateria integrada assegura a autonomia do maquinário durante falhas repentinas na rede elétrica local, além de a infraestrutura prever geradores e substituições para garantir o sufrágio em regiões de acesso territorial complexo.
A mesa receptora confere o documento de identificação do cidadão antes de autorizar o acesso à cabine, utilizando dados biométricos quando cadastrados na base governamental, embora regras operacionais específicas permitam a liberação formal do eleitor quando a leitura das digitais falha reiteradamente no terminal.
A impressão física do Boletim de Urna ocorre logo após a conclusão dos votos para fixação pública na porta da seção, ao passo que o arquivo correspondente segue para consolidação no tribunal e posterior consulta aberta pela população.
O Registro Digital do Voto guarda os lançamentos de modo anônimo e aleatório dentro da memória segura da urna eletrônica. Valente relatou que essa base técnica permite recontar cada voto e abastece auditorias formais em casos de contestação legal do resultado.
Os peritos judiciais confrontam as tabelas impressas com os números que entraram na centralização para comprovar se houve preservação das assinaturas eletrônicas e das rotinas internas do equipamento.
O Teste de Integridade reúne cédulas de papel preenchidas anteriormente por voluntários para digitação direta em urnas sorteadas no mesmo momento do pleito oficial, com o objetivo de confrontar a leitura automática com a contagem manual feita por observadores independentes.
A versão biométrica dessa checagem convoca eleitores reais em seções vizinhas para desbloquear o terminal de teste com as próprias impressões digitais, método introduzido nas rotinas nacionais a partir do pleito municipal de 2024.
Mostra institucional apresenta mecanismos de transparência em Brasília
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o chefe da Justiça Eleitoral, Kássio Nunes Marques, abriram em agosto no Congresso a mostra O Caminho do Voto – a jornada da democracia, que retrata a evolução tecnológica das urnas brasileiras.
Nunes Marques declarou que o funcionamento estável do modelo depende da cooperação de múltiplos órgãos estatais.
— Que cada visitante, ao percorrer esta exposição, possa compreender que o verdadeiro caminho do voto tem origem no trabalho coordenado das instituições da República, no compromisso permanente com a transparência e na responsabilidade compartilhada de preservar a confiança da sociedade no processo eleitoral brasileiro — disse Nunes Marques.
Davi Alcolumbre ressaltou a importância de apresentar os mecanismos de segurança à população em geral para comprovar o nível de proteção do sufrágio nacional perante a sociedade civil.
— Temos um dos processos eleitorais mais confiáveis do mundo, se não for o mais confiável. Precisamos disseminar entre as brasileiras e os brasileiros esta convicção, esta certeza — disse Alcolumbre.







