Greve da Caixa chega ao 13º dia e afeta liberação de contratos da casa própriaPor Carolina Costa
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A paralisação nacional dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal atinge o 13º dia consecutivo nesta quarta-feira (23), com agências de portas fechadas e atrasos no andamento de contratos habitacionais. A instituição financeira tenta encerrar o movimento por meio de negociações diretas com os sindicatos e evita, no momento, ingressar com pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), embora mantenha a medida sob análise jurídica.
O movimento paredista teve início em 10 de setembro de 2026, data em que empregados do Banco do Brasil e dos Correios também paralisaram as atividades pelo país. Enquanto os funcionários do Banco do Brasil aceitaram a proposta inicial e retornaram ao trabalho nos primeiros dias, a greve nos Correios aguarda julgamento no TST marcado para quinta-feira (24). Na Caixa, a categoria realizou uma assembleia virtual em 21 de setembro de 2026 e rejeitou a contraproposta da instituição, aprovando a continuidade da paralisação por tempo indeterminado.
Em nota oficial sobre o impasse, a Caixa Econômica Federal informou que “segue empenhada na construção de uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira”. Os debates para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho ocorriam desde junho de 2026, mas 90% das bases sindicais recusaram a primeira oferta salarial apresentada pela direção no início das tratativas.
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Proposta para cobrir rombo no plano de saúde motivou a recusa
O centro da divergência entre a empresa e os empregados reside nas mudanças de custeio do plano de assistência médica dos trabalhadores, o Saúde Caixa. Para tentar conter o déficit financeiro do convênio, o banco propôs elevar de 6,5% para 9% o teto de participação da folha de pagamento na manutenção do plano a partir de 1º de janeiro de 2027. O texto manteve o reajuste salarial geral de 4,6% assegurado a toda a categoria bancária, índice que embute um ganho real de 0,6% acima da inflação apurada.
Apesar de o banco assumir o rombo financeiro acumulado em 2026 sem reajustar mensalidades no período, as cobranças fixadas para 2027 desagradaram aos trabalhadores. O plano previa cobrança de 3,7% da remuneração-base do titular e valores específicos para dependentes: mensalidade de R$ 560 para dependente direto, R$ 660 para dependente indireto de 21 a 24 anos e R$ 900 para dependentes indiretos de 24 a 27 anos ou pais remanescentes. A oferta reduzia ainda a taxa de pronto atendimento de R$ 150 para R$ 120, mas os funcionários alegaram que o aumento nos custos anularia o ganho real conquistado no reajuste salarial.
Canais disponíveis para pagar contas e boletos bancários
A Caixa esclareceu que a greve não suspende o vencimento de contas de consumo, faturas ou boletos bancários em cobrança, e os clientes precisam quitar as obrigações para evitar encargos por atraso. Os repasses de benefícios sociais como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia continuam sendo liberados nas datas habituais por meio de operações automatizadas, sem registro de falhas nas transferências.
O atendimento ao público e os pagamentos devem ser efetuados por meio das alternativas em operação fora das agências físicas:
- Casas lotéricas e unidades da rede de correspondentes Caixa Aqui em todo o território nacional.
- Caixas eletrônicos situados no autoatendimento das agências e terminais da Rede Banco24Horas.
- Aplicativos móveis Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e aplicativo oficial da Caixa.
- Serviços de internet banking no site institucional da Caixa.
- Canais telefônicos pelo Alô Caixa nos números 4004-0104 para capitais e regiões metropolitanas, 0800-1040104 para outras localidades e atendimento pelo WhatsApp oficial.
Prazos do FGTS e impactos nos financiamentos da casa própria
As rotinas de solicitação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço permanecem ativas por meio do aplicativo FGTS. Os pedidos de retirada ordinários são creditados em conta de qualquer instituição bancária indicada pelo trabalhador no prazo de cinco dias úteis. No caso de solicitações motivadas por doenças graves, a necessidade de avaliação técnica presencial fixa o prazo regulamentar em 30 dias úteis para emissão de parecer. Apenas o saque do FGTS destinado à compra da casa própria continua bloqueado por exigir conferência física.
O setor imobiliário enfrenta atrasos nas rotinas de concessão que dependem de verificação presencial e análise humana de funcionários internos. Estão comprometidas a conformidade documental de compradores e vendedores, a emissão de laudos de engenharia e a formalização das assinaturas contratuais. O correspondente bancário e especialista em crédito imobiliário Murilo Arjona recomenda a continuidade da separação de certidões atualizadas e certidões de matrícula para diminuir a retenção nas agências, apontando que “ficar parado durante a greve pode aumentar ainda mais o prazo da compra”. A reabertura da mesa de negociações entre as lideranças sindicais e a diretoria do banco público segue sem data definida.







