O Instituto Nacional do Seguro Social, a Polícia Federal e entidades financeiras intensificaram uma força-tarefa de orientação para conter os dez principais golpes aplicados presencialmente e pela internet contra aposentados e pensionistas em todo o Brasil. As abordagens criminosas envolvem desde a captura de biometria facial em links fraudulentos até a inclusão forçada de empréstimos e mensalidades sindicais na folha de pagamento.
O alerta nacional ganhou tração após investigações da Polícia Federal apontarem uma estimativa de R$ 6,3 bilhões em movimentações irregulares e descontos não autorizados em benefícios previdenciários ao longo de apurações realizadas entre 2019 e 2024. Sobre o contato indevido com os segurados, o instituto reiterou sua posição oficial: “O INSS não envia servidores à sua casa, não pede senhas, dados bancários nem transferências de dinheiro.”
Os dez métodos usados por criminosos contra segurados
As fraudes mapeadas pelas autoridades combinam engenharia social, vazamento de registros cadastrais e falsificação de documentos públicos para enganar beneficiários:
- Falsa prova de vida: envio de links maliciosos por SMS e WhatsApp ou chamadas exigindo fotos de documentos e biometria facial sob ameaça de suspensão do pagamento.
- Empréstimo consignado não solicitado: contratação forçada de crédito ou cartões com desconto em folha por meio de dados vazados.
- Descontos associativos indevidos: cobrança automática de mensalidades para entidades, associações e sindicatos sem a autorização do aposentado.
- Falso funcionário com visita domiciliar: criminosos com crachás clonados vão à residência da vítima sob pretexto de recadastramento para fotografar cartões.
- Revisão de benefício e atrasados: cartas ou mensagens que prometem liberação imediata de precatórios mediante antecipação de taxas via Pix.
- Falso advogado: estelionatários usam fotos de defensores reais em aplicativos para cobrar guias fictícias de liberação de depósitos judiciais.
- Falsa restituição ou ressarcimento: cobrança de valores prévios com a promessa de acelerar devoluções de perdas causadas por fraudes anteriores.
- Benefício bloqueado: alertas falsos sobre inconsistências no CPF para induzir a entrega de senhas da plataforma Gov.br e dados de contas bancárias.
- Falsa perícia médica: exigência de pagamentos para agilizar laudos ou garantir parecer positivo em pedidos de auxílio por incapacidade temporária.
- Golpe do motoboy: ligações simulando uma central de atendimento bancário pedem para a vítima cortar o cartão do benefício e entregá-lo a um portador.
Canais e números oficiais de monitoramento
O atendimento ao segurado e as checagens de autenticidade ocorrem exclusivamente por plataformas homologadas pelo governo federal:
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- Central 135: canal telefônico gratuito oficial do INSS para esclarecimento de dúvidas e agendamentos.
- Aplicativo Meu INSS: sistema digital com ferramenta de bloqueio de empréstimos e consulta a extratos de pagamento.
- Investigações federais: 4,1 milhões de beneficiários foram potencialmente afetados por cadastros associativos irregulares apurados em auditorias.
Mudança regulatória na comprovação de vida
As tentativas de estelionato eletrônico se multiplicaram após a publicação da Portaria 723 do INSS, em 8 de março de 2024, que consolidou a realização da prova de vida por cruzamento automático de bancos de dados públicos. O procedimento deixou de exigir o comparecimento anual dos segurados às agências bancárias, passando a ser validado por registros de votação em eleições, vacinação, emissão de passaportes, renovação de documentos e perícias médicas presenciais. Criminosos, contudo, passaram a enviar mensagens alarmistas para simular a necessidade de recadastramento individual.
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Orientações para bloquear desvios e proteger dados
Para se blindar contra descontos indevidos, qualquer segurado pode utilizar o aplicativo Meu INSS para ativar a função de bloqueio de contratação de empréstimos consignados e mensalidades associativas a qualquer momento. Caso a vítima receba contatos telefônicos de pessoas oferecendo facilidades ou exigindo transferências, a orientação é interromper a comunicação. “Se você receber alguma ligação nesse sentido, desligue imediatamente o telefone”, declarou Marcelo Barbosa, coordenador do Procon da ALMG.
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As autoridades de segurança pública e os órgãos de controle financeiro ainda não confirmaram o número consolidado de perdas financeiras individuais detalhadas por vítima em cada tipo de golpe eletrônico praticado em 2026. Em caso de identificação de descontos não autorizados no extrato, a recomendação é registrar a ocorrência na Polícia Civil e solicitar a exclusão da cobrança pela Central 135.
