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BNDES financia compra de 175 ônibus elétricos para o Rio de Janeiro

BNDES
T. Schneider/SHUTTERSTOCK.COM

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a liberação de R$ 329 milhões em recursos do Fundo Clima para estruturar a primeira Parceria Público-Privada (PPP) voltada à circulação de ônibus elétricos no Brasil. A operação atende à Prefeitura do Rio de Janeiro e integra um projeto com investimento total previsto em R$ 509 milhões para a capital fluminense.

A iniciativa contempla a compra de 175 veículos elétricos movidos a bateria e a implantação de uma garagem pública com infraestrutura de recarga no Complexo da Maré, na Zona Norte. O anúncio formal da aprovação do financiamento ocorreu nesta sexta-feira (25) durante cerimônia no Terminal Intermodal Gentileza (TIG), em São Cristóvão.

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Divisão dos investimentos e regras da concessão administrativa

O modelo adotado para viabilizar o sistema de transporte coletivo limpo é o de concessão administrativa com duração de 16 anos, período composto por 1 ano de implantação da infraestrutura física e 15 anos voltados para a prestação dos serviços e a manutenção dos equipamentos. A composição orçamentária de R$ 509 milhões reúne os R$ 329 milhões repassados pelo banco de fomento federal, um investimento de R$ 141,2 milhões sob encargo da concessionária privada que vencer a concorrência pública e uma contrapartida direta de R$ 38,8 milhões desembolsada pelo tesouro municipal carioca.

Todos os veículos contratados terão obrigatoriamente fabricação em território nacional, além de piso baixo, ar-condicionado, pontos de carregamento USB, câmeras e sensores para o acompanhamento dos parâmetros operacionais em tempo real. A exigência de montagem nacional e a ativação dos serviços devem gerar 535 postos de trabalho direto, reunindo motoristas, despachantes e fiscais.

A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, apontou a relevância industrial e ambiental do arranjo financeiro fechado com o município. “O que está acontecendo é uma revolução na mobilidade urbana, a partir da eletrificação da frota. O BNDES é hoje o principal financiador de ônibus elétrico da América Latina. E cada cidade está buscando o seu caminho. O Rio optou por um modelo muito criativo. É a primeira que buscou o modelo de PPP”, afirmou a diretora. Ela completou sobre os critérios de produção: “O BNDES não financia o ônibus importado. Exigimos que os ônibus sejam fabricados no país e os empregos gerados aqui”.

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Metas ambientais e cronograma de transição energética

A substituição gradativa de coletivos movidos a diesel visa evitar a dispersão de 13,3 mil toneladas anuais de dióxido de carbono equivalente (CO₂) na atmosfera urbana. Somando os 16 anos da concessão administrativa, a estimativa oficial aponta para a redução de 199,4 mil toneladas de CO₂ equivalente, passo inicial para a prefeitura alcançar a meta de manter 1.000 coletivos de emissão zero em circulação até 2030, número que corresponderá a 20% da frota em atividade.

A transição no transporte coletivo combina veículos elétricos e combustíveis menos poluentes. “Esses 175 ônibus que vão eletrificar toda a frota que opera no Terminal Gentileza são mais um passo na transformação do transporte de ônibus da cidade. Haverá também mudança do combustível dos ônibus que circulam na cidade para biocombustíveis menos poluentes. Assim, vamos modernizar a frota, combinando eletrificação e biocombustíveis para ter um transporte público mais verde”, declarou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, que assumiu o comando do município em março de 2026 após Eduardo Paes renunciar ao cargo para disputar o governo estadual.

O secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Jorge Arraes, detalhou os compromissos contratuais assumidos pelo Executivo local para manter o modelo financeiro sustentável ao longo do contrato. “Com o andamento da PPP, o município terá obrigação de pagar as contraprestações para a concessionária. Estamos falando de um projeto que dá início à eletrificação da frota da cidade”, disse o secretário.

Etapas de contratação e entrega dos veículos

  • 25 de setembro de 2026 — Formalização do financiamento federal concedido à prefeitura no Terminal Intermodal Gentileza.
  • 28 de setembro de 2026 — Publicação do aviso de consulta pública de 30 dias no Diário Oficial do Município para debate do projeto da concessão.
  • 1 de novembro de 2026 — Previsão para a divulgação do edital oficial da licitação da PPP da frota elétrica carioca.
  • 1 de dezembro de 2026 — Data prevista para o leilão público que definirá o consórcio responsável pela operação e infraestrutura.
  • 1 de janeiro de 2027 — Previsão para a assinatura do contrato de concessão administrativa entre a concessionária e a administração municipal.
  • 1 de outubro de 2027 — Prazo previsto para a entrega e a circulação do lote inicial com 25 ônibus elétricos na cidade.
  • 1 de janeiro de 2028 — Estimativa de entrega do segundo lote contendo 80 novos coletivos à frota local.
  • 1 de julho de 2028 — Previsão para a incorporação dos 70 veículos restantes, atingindo o total de 175 ônibus contratados.

Papel do Fundo Clima e definição de itinerários

O Fundo Clima opera sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), cabendo ao BNDES a gestão dos recursos que visam fomentar tecnologias sustentáveis nas grandes capitais do país. Na estrutura carioca, os 175 veículos foram planejados para abastecer 10 linhas que atendem cerca de 30 bairros e convergem no Terminal Intermodal Gentileza.

As linhas e trajetos exatos por onde circularão os 175 coletivos elétricos ainda serão definidos e divulgados após o término da consulta pública que será iniciada na segunda-feira, 28 de setembro de 2026.

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