Leilão da SAF do Vasco acontece hoje às 14h; entenda oferta e próximos passos da venda
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro realiza nesta sexta-feira (25), às 14h, a audiência fechada para abertura dos envelopes de propostas do leilão competitivo de alienação de 90% das ações da SAF do Vasco. O procedimento acontece na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, localizada no Fórum Central fluminense, tendo a Almirante Participações e Empreendimentos S.A. como a única concorrente formalmente habilitada para a aquisição da chamada UPI Equity.
Liderada pelo empresário Marcos Faria Lamacchia, a empresa atua na condição de primeira proponente de referência, formato conhecido no direito empresarial como stalking horse bidder. Com essa prerrogativa, a companhia assegurou o direito de precificar o ativo e tem a preferência contratual para cobrir lances superiores que venham a ser protocolados durante a sessão judicial.
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Condições financeiras e garantias da proposta
A proposta apresentada pela Almirante Participações prevê um aporte obrigatório de R$ 500 milhões com destinação exclusiva para o futebol vascaíno. Para conferir liquidez imediata ao fluxo de caixa, a juíza Simone Gastesi Chevrand autorizou previamente um financiamento na modalidade DIP de até R$ 150 milhões concedido pela empresa de Lamacchia. Desse limite, o Vasco utilizou R$ 65 milhões para quitar premiações ao elenco profissional e pagar parcelas vencidas do plano de reestruturação de dívidas, enquanto R$ 85 milhões permanecem disponíveis em conta judicial para retiradas futuras conforme necessidade do clube.
⚠️ Almirante Participações, empresa que está perto de comprar a SAF do Vasco, foi criada em 2024 e tinha como donos finais José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, antes de Marcos Lamacchia assumir.
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A Almirante nasceu em março de 2024 com o nome TOP GOL, já com o objetivo de… pic.twitter.com/CVhQMiaAvR
- R$ 500 milhões em aporte obrigatório com destinação exclusiva para o departamento de futebol;
- R$ 150 milhões como teto de financiamento DIP para sustentar despesas operacionais da instituição;
- R$ 120 milhões previstos para modernização e obras no Centro de Treinamento ao longo de dez anos;
- R$ 30 milhões em investimentos diretos nas categorias de base no período de dois anos;
- R$ 27 milhões depositados em juízo no dia 21 de setembro de 2026 para honrar encargos da Recuperação Judicial;
- R$ 25 milhões fixados como taxa de indenização para a primeira proponente caso outra oferta vença a disputa.
Desdobramentos internos e análise de órgãos reguladores
A homologação do leilão na esfera jurídica não transfere de forma automática a administração do futebol cruz-maltino. A efetivação da transferência das cotas societárias exige o cumprimento de ritos estatutários internos e a aprovação de órgãos de governança externa.
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Após a etapa no tribunal, o negócio será submetido à deliberação do Conselho Deliberativo do Club de Regatas Vasco da Gama, presidido por Pedrinho, e posteriormente ao voto dos associados em Assembleia Geral Extraordinária convocada para este fim. Paralelamente, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol examina a existência de eventual conflito de interesses societário ou esportivo, motivado pelo fato de Marcos Lamacchia ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa e avalista da operação.
Sobre a relação familiar, Marcos declarou: “A esposa do meu pai não tem absolutamente nada a ver com isso. Ela faz um grande trabalho. Me inspira muito, mas meu objetivo é superá-la”. No mesmo sentido, José Roberto Lamacchia afirmou a separação institucional das partes: “Leila está totalmente fora de qualquer assunto de Vasco. Quem está fazendo isso é meu filho e eu”.
Histórico de reestruturação e superação de litígios judiciais
O processo competitivo para a venda de 90% das cotas é realizado com base no modelo de Unidade Produtiva Isolada, mecanismo da Lei de Recuperação Judicial criado para alienar ativos sem a transferência de passivos tributários, cíveis ou trabalhistas anteriores para o comprador adquirente.
O futebol vascaíno havia sido vendido inicialmente no ano de 2022 para o grupo norte-americano 777 Partners. Após o ingresso do clube em recuperação judicial e divergências societárias, a 4ª Vara Empresarial afastou a antiga controladora da gestão esportiva. Recentemente, a associação civil e a companhia estrangeira firmaram acordo de encerramento das disputas nos tribunais. Outros pedidos de bloqueio apresentados por prestadores de serviços, como a Matix Capital e o escritório de advocacia Campos Mello, acabaram extintos ou revogados nas instâncias judiciais.
Etapas pendentes para a formalização do negócio
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol mantém a apuração técnica aberta e ainda não estipulou data para divulgar o parecer regulatório sobre o processo. A direção do Vasco da Gama também não publicou o edital com o calendário oficial das sessões de votação no Conselho Deliberativo e na assembleia com o quadro social.

