NASA aprova rede terrestre do telescópio Nancy Grace Roman
A agência espacial norte-americana NASA confirmou que todas as estações terrestres de suporte ao Telescópio Espacial Nancy Grace Roman concluíram os testes técnicos e estão aptas a receber dados científicos da missão. O anúncio oficial ocorreu nesta sexta-feira (25) a partir do Goddard Space Flight Center, localizado em Greenbelt, no estado de Maryland, nos Estados Unidos.
Com capacidade de transmissão de até 500 megabits por segundo, a rede de solo conecta o observatório, posicionado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra no ponto de Lagrange 2, com três continentes. A estrutura foi planejada para absorver um volume médio de 1,4 terabyte de dados diários quando as operações científicas começarem no início de 2027, estabelecendo a maior taxa de transferência já registrada para uma missão astrofísica da agência.
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Resistência das antenas a condições climáticas severas
Os testes práticos colocaram à prova a comunicação em frequências de rádio sensíveis a interferências atmosféricas, como o bloqueio causado por gotas de chuva. Para garantir que nenhuma observação astronômica seja perdida, a infraestrutura conta com rotinas automáticas de verificação. Caso a precipitação disperse os sinais entre o espaço e o solo, o sistema emite uma solicitação para que o gravador de estado sólido de bordo retransmita os pacotes de dados horas depois.
Essa capacidade foi demonstrada de forma rigorosa durante a avaliação da antena de Misasa, operada pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), na cidade de Saku City. Mesmo sob a passagem de um tufão pela região, os engenheiros conseguiram sustentar a taxa máxima de 500 megabits por segundo durante a sessão de testes, validando a estabilidade da tecnologia de recepção.
“Esta foi a nossa primeira vez baixando dados na taxa máxima do Roman. Também houve um tufão no Japão durante o teste e as condições não estavam perfeitas, o que torna este um teste particularmente rigoroso”, afirmou Matthew Wasiak, engenheiro de sistemas avançados no Goddard Space Flight Center da NASA, em tradução livre.
Parceria internacional sustenta tráfego de dados
A rede responsável pelo recebimento dos dados científicos é formada por instalações da Near Space Network da NASA no White Sands Complex, no estado norte-americano do Novo México, pela estação da JAXA no Japão e pela estrutura da Agência Espacial Europeia (ESA) em New Norcia, na Austrália Ocidental. Nesta última localidade australiana, uma antena de 35 metros de diâmetro foi especificamente construída para suportar as transmissões em alta velocidade do novo observatório.
A dispersão geográfica entre áreas desérticas e subtropicais reduz o risco de indisponibilidade simultânea das antenas por fatores meteorológicos locais. O engenheiro de radiofrequência da NASA Bob Kalogerakos explicou como o arranjo logístico funciona na prática: “Temos uma diversidade de estações terrestres, desde a ilha subtropical da estação terrestre da JAXA no Japão até o árido deserto da Austrália Ocidental e o Novo México, sujeito a monções de verão. Quando o clima e a chuva interferirem no nosso sinal, nossos sistemas de solo automatizados determinarão quais dados não foram baixados adequadamente e solicitarão que a espaçonave os retransmita a partir do seu gravador de estado sólido integrado em poucas horas”, declarou, em tradução livre.
Além das antenas científicas de alta velocidade, a navegação orbital, o envio de comandos e a telemetria do observatório ficam sob a responsabilidade do Jet Propulsion Laboratory (JPL), localizado no sul da Califórnia, que gerencia as estações da Deep Space Network distribuídas pela Califórnia, Espanha e Austrália.
Cronograma de validação das estações terrestres
O processo de homologação técnica mobilizou equipes de engenharia em diferentes países durante o mês de setembro de 2026, com foco na estabilidade do fluxo de dados operacionais e de telemetria básica dos instrumentos científicos:
- 7 de setembro de 2026 — Início dos ensaios de comunicação na estação Misasa Deep Space Station da JAXA, em Saku City, com testes sob condições climáticas de tufão.
- 8 de setembro de 2026 — Começo da bateria de transferências na Near Space Network e sua respectiva antena reserva em White Sands, no Novo México, estendendo-se até 11 de setembro.
- 17 de setembro de 2026 — Conclusão das baterias de recepção na antena de 35 metros da ESA em New Norcia, na Austrália Ocidental, validando a velocidade máxima de conexão.
- 25 de setembro de 2026 — Publicação do relatório oficial da NASA confirmando a prontidão operacional de toda a malha global de telecomunicações.
- 1 de janeiro de 2027 — Período estimado para a entrada em serviço pleno e início das observações do universo pelo observatório.
Capacidade óptica ampliada em relação ao Hubble
O telescópio espacial homenageia a astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da NASA e figura central no planejamento do Telescópio Espacial Hubble. O novo equipamento terá um campo de visão cem vezes superior ao do Hubble no infravermelho próximo, permitindo mapear grandes extensões celestes com a mesma resolução de detalhes, o que justifica a necessidade de baixar 1,4 terabyte a cada 24 horas.
Antes da bateria de testes final em solo, equipes da NASA e da ESA também efetuaram ensaios para transferir os fluxos brutos captados pelas antenas diretamente para a nuvem da AWS, agilizando o processamento para a comunidade científica internacional. A equipe de integração do projeto avaliou os resultados como uma garantia da robustez do sistema.
“Estas estações terrestres são o canal primário do Roman para trazer nossos dados para a Terra, e a equipe está entusiasmada com o desempenho excepcional delas. É uma ótima notícia para uma missão que enviará dados de volta a um ritmo incrível”, disse Jeremy Perkins, cientista de integração e testes do observatório Roman no Goddard Space Flight Center, em tradução livre.
A NASA ainda não confirmou o dia exato do lançamento do foguete que levará a espaçonave rumo ao ponto de Lagrange 2, mas mantém o planejamento de colocar o observatório em funcionamento científico a partir do início de 2027.

