Super El Niño pode provocar até seis ondas de calor no Brasil em 2026
O Instituto Nacional de Meteorologia colocou oito estados brasileiros sob alerta vermelho de grande perigo nesta segunda-feira (28), enquanto análises climáticas projetam a ocorrência de até seis ondas de calor no país até dezembro de 2026. O aviso decorre do avanço de uma massa de ar quente e seco que eleva os termômetros em pelo menos 5°C acima da média histórica por mais de cinco dias seguidos, impulsionada pelo aquecimento acelerado das águas equatoriais do Oceano Pacífico.
O fortalecimento contínuo do fenômeno, tecnicamente classificado pelos órgãos oficiais como El Niño muito forte, amplia a probabilidade de bloqueios atmosféricos duradouros sobre a América do Sul. Segundo dados do Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, a probabilidade de o evento atingir essa intensidade máxima supera os 90% no segundo semestre, com 75% de chance de superar marcas observadas desde 1950.
Estados atingidos e critérios técnicos do alerta vermelho do Inmet
O aviso meteorológico de grande perigo emitido pelo Inmet entrou em vigor ao meio-dia de sábado (26) e tem validade prevista até as 18h desta quarta-feira (30). A mancha de calor extremo abrange áreas de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo, impondo índices críticos de umidade do ar e exigindo prontidão dos sistemas locais de defesa civil.
O enquadramento no patamar vermelho, o mais severo da escala operacional do Inmet, exige que as temperaturas máximas superem em pelo menos 5°C a média climatológica regional por um intervalo superior a cinco dias consecutivos. Esse padrão difere ligeiramente dos critérios analíticos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, que adota como base metodológica períodos de desvios térmicos de grande magnitude sustentados por no mínimo três dias ininterruptos para qualificar a persistência do evento.
Durante a vigência do bloqueio atmosférico, a previsão aponta registros extremos no interior do país. Para Cuiabá, os modelos meteorológicos indicaram máximas de até 41°C nas horas mais quentes da tarde. Já no Distrito Federal, a umidade relativa do ar pode descer a 10% no momento crítico de dessecação atmosférica, patamar considerado de emergência pelas autoridades sanitárias em decorrência do estresse cardiovascular e respiratório imposto ao organismo.
Projeção de seis ondas de calor baseia-se em 47 anos de histórico climático
A projeção de que o país poderá enfrentar até seis eventos de calor extremo entre o fim de setembro e o mês de dezembro de 2026 resulta de um estudo estatístico fundamentado em aproximadamente 47 anos de registros meteorológicos. A análise correlacionou o comportamento das massas de ar e a frequência de pulsos térmicos anômalos em primaveras anteriores que transcorreram sob a vigência de episódios intensos de El Niño.
A estimativa estatística reflete uma tendência probabilística da atmosfera e não constitui um cronograma pré-agendado de episódios com dias e locais delimitados. O número real de eventos poderá oscilar conforme a dinâmica das passagens frontais marítimas ao longo das próximas semanas. Dados históricos compilados pelo Cemaden indicam que o Brasil registra entre 8 e 14 ondas de calor ao ano, a depender da região monitorada, mas a frequência desses episódios tem apresentado elevação sistemática em períodos marcados pelo acoplamento oceano-atmosfera no Pacífico.
Indicadores do El Niño e monitoramento governamental
O acompanhamento oficial do fenômeno no território brasileiro foi unificado pelo Governo Federal por meio de página dedicada na internet e integrado entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inmet, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Cemaden, Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. O terceiro boletim conjunto elaborado por esses órgãos, publicado em 2 de setembro de 2026, confirmou a probabilidade superior a 90% para a manutenção de um El Niño muito forte no trimestre que engloba setembro, outubro e novembro.
- 1,8°C de anomalia na temperatura da superfície do mar verificada na região de referência Niño 3.4 do Pacífico em agosto de 2026
- Mais de 90% de probabilidade apontada pela NOAA e pelo Painel El Niño para a consolidação de intensidade muito forte
- 75% de chance estimada pela agência norte-americana de o fenômeno alcançar nível recorde histórico desde 1950
- 41°C de temperatura máxima prevista para Cuiabá durante o pico do episódio de calor de setembro
- 10% de umidade relativa do ar mínima estimada para Brasília durante o bloqueio atmosférico
- 8 estados brasileiros abrangidos pelo aviso vermelho de grande perigo entre 26 e 30 de setembro de 2026
Impactos regionais da primavera e riscos de estiagem
O padrão clássico gerado por um El Niño muito forte costuma provocar impactos assimétricos sobre a geografia brasileira. Enquanto os estados da Região Sul tendem a registrar chuvas excessivas e frequentes acumulados volumosos, as faixas central, Sudeste, Norte e Nordeste enfrentam maior probabilidade de estiagens prolongadas, baixa reposição hídrica dos solos e anomalias positivas de temperatura média ao longo de toda a estação.
Para o mês de outubro de 2026, os prognósticos do Inmet apontam que os desvios de temperatura devem superar em mais de 2°C a climatologia histórica em setores de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais, estendendo anomalias de até 2°C para o norte de São Paulo e o interior da Bahia. Em contrapartida, as precipitações devem permanecer abaixo da média histórica em grande parte do Centro-Oeste e em parcelas de Minas Gerais e do Espírito Santo, retardando o início regular da estação chuvosa.
A combinação de ar seco, solo sem umidade e temperaturas continuamente acima dos padrões eleva a vulnerabilidade da vegetação a incêndios florestais e queimadas espontâneas. Órgãos de saúde e Defesa Civil reforçaram a necessidade de suspensão de atividades ao ar livre nos horários de maior incidência solar, hidratação constante de idosos e crianças e interrupção de práticas agrícolas que utilizem fogo para manejo do solo.
Previsões futuras e término do alerta vigente
A ocorrência exata e o intervalo de tempo de eventuais novas ondas de calor até o encerramento do ano não estão definidos pelas ferramentas operacionais de meteorologia de curto prazo, tratando-se exclusivamente de estimativa embasada em registros passados. O monitoramento das variáveis atmosféricas prosseguirá diariamente para identificar a formação de novos sistemas de alta pressão antes que atinjam as áreas urbanas e de produção agrícola.
O atual episódio de calor extremo encerra seu ciclo oficial de aviso às 18h desta quarta-feira (30), quando o avanço de uma frente fria pelo litoral da Região Sul começará a desconfigurar a massa de ar seco que atua sobre o centro do país. As condições climáticas associadas ao El Niño em intensificação, contudo, continuam a ser acompanhadas pelos centros nacionais de meteorologia até a transição definitiva para o verão, marcada para 21 de dezembro de 2026.

