Brasil registra recorde de trabalhadores por conta própria formalizados com CNPJ
O registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria alcançou a taxa recorde de 27,1% em 2025 em todo o território nacional. A marca representa quase o dobro dos 15,0% verificados no início do levantamento e coincide com o patamar inédito em que mais da metade dos profissionais autônomos com ensino superior formalizaram os seus negócios.
No universo conjunto que reúne empregadores e trabalhadores autônomos, o índice de formalização atingiu o patamar de 35,0%, o que corresponde a 10,7 milhões de pessoas formalizadas em um universo de 30,6 milhões de empreendedores. “É óbvio que 27,1% é um valor baixo. O que se espera são valores bastante elevados, porque há uma série de benefícios e contribuições para a economia que o registro pode trazer”, afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dados da pesquisa nacional sobre o mercado de trabalho
Os números consolidados integram a divulgação oficial do módulo Características adicionais do mercado de trabalho, apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O levantamento técnico do instituto mapeia as transformações no perfil ocupacional brasileiro e as condições de registro das atividades econômicas independentes.
- Data da divulgação oficial dos indicadores: quarta-feira, 23 de setembro de 2026
- Horário da publicação técnica pelo órgão: 10h pelo horário oficial de Brasília
- Local de apuração e processamento dos dados: Rio de Janeiro
- População ocupada recorde no mercado nacional: 103,0 milhões de trabalhadores
- Nível de ocupação geral da população no país: 59,1% dos cidadãos aptos
- Volume total de empregadores e trabalhadores por conta própria: 30,6 milhões
Escolaridade e proteção previdenciária impulsionam o registro com CNPJ
A posse do CNPJ estabelece uma ponte direta com a Previdência Social por meio de mecanismos simplificados como o Microempreendedor Individual (MEI), que viabiliza a emissão de notas fiscais, o acesso a linhas de crédito bancário destinadas a pessoas jurídicas e o recolhimento de contribuições mensais que garantem direitos como aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade. Segundo o levantamento do IBGE, a posse de inscrição jurídica avança de maneira expressiva conforme aumenta o tempo de estudo do trabalhador.

Pela primeira vez na história da pesquisa, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com diploma universitário estavam regularizados como pessoa jurídica, alcançando uma cobertura de 50,8% em 2025. Em contrapartida, entre os profissionais autônomos sem instrução formal ou com o ensino fundamental incompleto, o percentual de registro formal foi de apenas 11,1%. Para os empregadores que concluíram a graduação superior, o índice de regularidade alcançou 91,8%.
“A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quanto mais instrução a pessoa tem, mais preparada ela está para o mercado”, declarou William Kratochwill ao analisar o abismo existente entre os extremos da formação educacional brasileira. Apesar do avanço nos números absolutos e relativos, o órgão registrou que aproximadamente 20 milhões de autônomos e empregadores, o equivalente a cerca de 65% dessa força de trabalho, continuavam operando na informalidade em 2025, sem nenhum tipo de cadastro de pessoa jurídica.
Evolução da cobertura do CNPJ entre empreendedores e autônomos
A série histórica estruturada pelo IBGE teve início formal no ano de 2012 para acompanhar de forma contínua o grau de regularização de quem conduz o próprio negócio. A coleta domiciliar precisou ser suspensa nos anos de 2020 e 2021 em razão das restrições sanitárias e operacionais impostas durante a pandemia de Covid-19, sendo retomada em 2022 com a incorporação de novos parâmetros de acompanhamento social e previdenciário.
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- 2012 — Início da série histórica registra 24,0% de formalização total, sendo 15,0% entre trabalhadores por conta própria e 75,6% entre os empregadores
- 2014 — Mercado atinge a marca máxima de formalização geral da ocupação, alcançando 40,2% dos trabalhadores do país
- 2019 — Proporção de empregadores brasileiros com cadastro formal no CNPJ consolida patamar acima de 80,0%
- 2022 — Retomada pós-pandemia registra pico histórico de 8,4% dos trabalhadores atuando no domicílio de residência
- 2023 — Taxa combinada de formalização de empregadores e conta própria chega ao patamar de 33,0%
- 2024 — Cobertura conjunta de registros atinge 33,6%, enquanto a taxa de sindicalização marca 8,9% com 9,1 milhões de filiados
- 2025 — Formalização conjunta bate ápice histórico de 35,0%, e autônomos com CNPJ atingem recorde de 27,1%
Desempenho dos setores econômicos e as taxas de formalização
Os setores de Serviços e de Comércio concentraram a maior parcela dos trabalhadores independentes no país durante o ano de 2025. O setor terciário de Serviços reuniu um contingente de 14,0 milhões de indivíduos ocupados, montante que correspondeu a 45,7% do total apurado nacionalmente entre conta própria e donos de empresas. O grupamento de Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas formou o segundo maior polo gerador de trabalho, com 6,4 milhões de pessoas, equivalendo a 20,9% do segmento. Em seguida, figuraram a Construção, com 12,8%, a Agricultura, com 12,0%, e a Indústria geral, com 8,5% de participação, reunindo 2,6 milhões de pessoas.
No recorte da taxa de formalização geral de cada setor econômico, o Comércio exibiu a maior proporção de registros no CNPJ em 2025, atingindo 49,8% de negócios formalizados. O grupamento de Serviços apareceu na sequência, com 40,3% de sua população ocupada devidamente cadastrada nos órgãos de receita. Em patamares inferiores, a Construção apresentou uma taxa de cobertura de 18,8%, e a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura anotou 8,6% de negócios formalizados. Em relação a 2012, todas as atividades econômicas ampliaram seus quadros formais, sobressaindo a Construção, que saltou de 6,9% para 18,8%, e os Serviços, que avançaram de 31,6% para 40,3%.
Ao analisar de modo exclusivo os trabalhadores por conta própria de cada segmento, o Comércio e reparação automotiva liderou o avanço ao atingir 36,7% de cobertura em 2025, ante 33,2% apurados no ano de 2024. No segmento de Serviços, a proporção de autônomos com CNPJ atingiu o pico de 33,5% em 2025, superando os 31,5% de 2024. Já a Indústria geral recuou de 23,4% para 22,8%, a Construção caiu de 15,2% para 14,8% e a Agricultura retraiu de 7,2% para 6,5% no trabalho individual.
Entre os empregadores, a regularidade manteve taxas superiores em quase todos os segmentos produtivos. No Comércio, 88,2% dos donos de estabelecimentos possuíam cadastro empresarial ativo ao final de 2025. Nos Serviços, a trajetória de expansão levou o índice de 84,0% em 2022 para 84,5% em 2024 e para o ápice de 86,4% em 2025. Na Indústria geral, a taxa de empregadores formalizados subiu de 83,4% para 84,3%, enquanto a Construção avançou de 55,7% para 58,2%. Na agropecuária, a formalização patronal registrou ligeiro acréscimo, oscilando de 32,1% em 2024 para 32,7% em 2025.
Participação feminina no CNPJ supera os índices masculinos
A taxa de mulheres empreendedoras com registro jurídico ativo manteve a dianteira histórica sobre o contingente de homens em 2025. O percentual geral de formalização feminina atingiu 36,7%, superando o índice masculino, apurado em 34,2%. No fechamento de 2024, a relação apontava 35,2% entre as mulheres diante de 32,7% entre os homens, sustentando uma diferença contínua em favor do público feminino em toda a série analisada pelo instituto.
No segmento específico do trabalho autônomo por conta própria, o avanço ocorreu para ambos os sexos, mantendo o nível das mulheres em patamar elevado. Em 2012, o percentual de mulheres autônomas com registro era de 15,8%, frente a 14,6% dos homens. No encerramento de 2025, os índices alcançaram 29,3% entre as mulheres que trabalham sozinhas e 25,9% entre os homens da mesma categoria.
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A diferença entre os sexos mostrou-se ainda mais acentuada entre os empregadores que contratam pessoal no país. Em 2012, a parcela de mulheres donas de negócios com CNPJ alcançava 82,4%, comparada a 73,1% dos empregadores homens. Essa distância se manteve expressiva em 2025, período em que 85,8% das empresárias possuíam CNPJ ativo, contra 79,0% de regularidade observada entre os empregadores do sexo masculino.
Diferenças regionais de cobertura do CNPJ e adesão cooperativa
As disparidades econômicas entre as Grandes Regiões do Brasil refletiram diretamente no acesso à formalização e nos índices de inscrição jurídica. O Sul manteve a liderança nacional com 46,7% de seus empreendedores regularizados no CNPJ em 2025. O Centro-Oeste e o Sudeste dividiram a segunda posição, ambos com uma taxa de 41,6% de seus contingentes formalizados. Em sentido oposto, as regiões Nordeste e Norte exibiram percentuais substancialmente menores, com 20,1% e 15,6%, respectivamente.
No desdobramento específico dos trabalhadores por conta própria, o Sul registrou 37,4% de autônomos formalizados, o Sudeste atingiu 33,8% e o Centro-Oeste fechou o período com 31,7%. As menores coberturas da categoria autônoma foram computadas no Nordeste, onde apenas 13,7% tinham pessoa jurídica, e no Norte, com 9,7%. Entre os empregadores que contratam trabalhadores, o Sul liderou com 88,9% de cobertura, o Sudeste marcou 87,1% e o Centro-Oeste obteve 82,3%, ao passo que o Nordeste registrou 67,6% e o Norte computou 57,7% de patrões formalizados.
A taxa de associativismo produtivo permaneceu restrita a uma fração minoritária no país em 2025. Dos 30,6 milhões de trabalhadores enquadrados como empregadores ou conta própria, somente 4,7% eram filiados a cooperativas de trabalho ou produção, englobando 1,4 milhão de pessoas, patamar distante do pico de 6,3% alcançado em 2012. O Sul apresentou o maior índice de integração cooperativa, com 7,8%, seguido pelo Norte, com 5,2%. As demais regiões ficaram abaixo da média nacional: Centro-Oeste registrou 4,2%, Sudeste anotou 4,0% e o Nordeste apresentou 4,0%.
Locais de atuação profissional dos trabalhadores no setor privado
O ambiente onde o trabalhador desenvolve a sua ocupação no setor privado revelou padrões consolidados na economia brasileira. O universo apurado de 84,6 milhões de pessoas no setor produtivo privado concentrou a maior parte de suas atividades dentro do estabelecimento do próprio empreendimento, totalizando 60,2% dos ocupados em 2025, patamar que permanece abaixo dos 62,7% identificados no começo das pesquisas em 2012.
O trabalho executado em local designado pelo empregador, patrão ou cliente abrigou 13,8% dos trabalhadores do setor privado. As atividades desenvolvidas em fazendas, sítios, granjas e chácaras congregaram 8,4% do total nacional apurado. Já o exercício laboral no próprio domicílio de residência apresentou redução gradual: após registrar o ápice histórico de 8,4% em 2022 durante os impactos residuais da pandemia, a modalidade recuou sucessivamente até marcar 7,9% em 2024 e repetir esse mesmo percentual de 7,9% ao longo de 2025. As atuações em veículos automotores somaram 5,0% e os serviços em vias ou áreas públicas responderam por 2,1%.
Taxa de sindicalização e perfil dos trabalhadores associados
A filiação a sindicatos manteve um quadro de estabilidade estatística em 2025, abrangendo 8,8% da população ocupada no país, o equivalente a 9,1 milhões de trabalhadores. No ano anterior, a cobertura sindical correspondia a 8,9% dos ocupados, reunindo igualmente 9,1 milhões de filiados. Essa estabilidade sucedeu a expansão de 812 mil novos associados registrada em 2024, que havia estancado uma sequência de retrações sucessivas observadas desde 2014.
Regionalmente, o Sul registrou o maior índice de filiação sindical com 9,7%, seguido pelo Nordeste com 9,2%, Sudeste com 8,8%, Centro-Oeste com 8,0% e Norte com 7,0%. No recorte por gênero, 8,9% dos homens trabalhadores estavam sindicalizados, contra 8,7% das mulheres. O Nordeste despontou como a única região em que a proporção feminina nos sindicatos superou a masculina, marcando 9,6% entre mulheres e 8,9% entre homens. No Norte, a adesão foi de 7,5% para homens e 6,4% para mulheres; no Sudeste, 9,0% para homens e 8,6% para mulheres; no Sul, 9,9% para homens e 9,4% para mulheres; e no Centro-Oeste, 8,4% para homens e 7,4% para mulheres.
A taxa de sindicalização variou conforme o ramo produtivo e a posição na ocupação em 2025. As maiores coberturas por grupamento ocorreram na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 14,7%, seguida pela Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 14,6%, e pela Indústria geral, com 11,4%. Em patamares reduzidos figuraram os Outros serviços, com 3,6%, a Construção, com 3,6%, e os Serviços domésticos, com 2,5%. Em relação a 2012, as perdas mais severas ocorreram no Transporte, armazenagem e correio, com retração de 12,4 pontos percentuais, na Administração pública e na Indústria geral, ambas com perdas de 9,9 pontos percentuais, e nas atividades financeiras e de comunicação, com queda de 9,6 pontos percentuais.
Quanto ao tipo de vínculo funcional, os empregados do setor público, categoria que agrega servidores estatutários e militares, lideraram o índice com 18,4% de associados. Empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada apresentaram 11,3% de filiação e trabalhadores familiares auxiliares somaram 10,2%. As menores participações sindicais foram computadas entre os empregados privados sem carteira assinada, com 3,3%, e os trabalhadores domésticos, com 2,8%.
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O nível educacional desempenhou papel direto na estrutura sindical nacional. A taxa de sindicalização dos ocupados com ensino superior completo atingiu 13,5%, enquanto trabalhadores com ensino fundamental completo e médio incompleto registraram 5,6%. Entre os profissionais sem instrução ou com fundamental incompleto, o índice ficou em 7,5%, e para quem tinha ensino médio completo ou superior incompleto, a taxa foi de 7,6%. Do contingente global de 9,1 milhões de trabalhadores sindicalizados no Brasil, 38,2% tinham nível superior completo, 37,7% possuíam ensino médio completo ou superior incompleto, 15,7% não tinham instrução ou tinham o fundamental incompleto e 8,4% haviam concluído o fundamental ou tinham o médio incompleto.
No Centro-Oeste, 51,9% da base de trabalhadores associados a sindicatos possuía formação de nível superior completo, seguida pelo Sudeste com 40,1% e pelo Sul com 38,6%. De modo inverso, o Norte e o Nordeste apresentaram expressiva proporção de sindicalizados sem instrução ou com fundamental incompleto, com 29,1% e 26,9%, respectivamente, refletindo a concentração de sindicatos rurais vinculados à atividade agropecuária tradicional de baixa escolaridade nessas regiões.
A PNAD Contínua apura os dados de registro societário e formalização declarada pelos cidadãos, mas não mede diretamente a proporção de abertura de CNPJs motivada por contratos de pejotização em substituição à carteira de trabalho tradicional. O levantamento do IBGE mantém o monitoramento da inserção produtiva e da cobertura previdenciária nacional em suas próximas divulgações trimestrais regulares.
