Brasil registra recorde de trabalhadores por conta própria formalizados com CNPJ

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Pessoas na rua, trabalhadores - Fernando Frazão/Agência Brasil Foto: Pessoas na rua, trabalhadores - Fernando Frazão/Agência Brasil

O registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria alcançou a taxa recorde de 27,1% em 2025 em todo o território nacional. A marca representa quase o dobro dos 15,0% verificados no início do levantamento e coincide com o patamar inédito em que mais da metade dos profissionais autônomos com ensino superior formalizaram os seus negócios.

No universo conjunto que reúne empregadores e trabalhadores autônomos, o índice de formalização atingiu o patamar de 35,0%, o que corresponde a 10,7 milhões de pessoas formalizadas em um universo de 30,6 milhões de empreendedores. “É óbvio que 27,1% é um valor baixo. O que se espera são valores bastante elevados, porque há uma série de benefícios e contribuições para a economia que o registro pode trazer”, afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dados da pesquisa nacional sobre o mercado de trabalho

Os números consolidados integram a divulgação oficial do módulo Características adicionais do mercado de trabalho, apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O levantamento técnico do instituto mapeia as transformações no perfil ocupacional brasileiro e as condições de registro das atividades econômicas independentes.

  • Data da divulgação oficial dos indicadores: quarta-feira, 23 de setembro de 2026
  • Horário da publicação técnica pelo órgão: 10h pelo horário oficial de Brasília
  • Local de apuração e processamento dos dados: Rio de Janeiro
  • População ocupada recorde no mercado nacional: 103,0 milhões de trabalhadores
  • Nível de ocupação geral da população no país: 59,1% dos cidadãos aptos
  • Volume total de empregadores e trabalhadores por conta própria: 30,6 milhões

Escolaridade e proteção previdenciária impulsionam o registro com CNPJ

A posse do CNPJ estabelece uma ponte direta com a Previdência Social por meio de mecanismos simplificados como o Microempreendedor Individual (MEI), que viabiliza a emissão de notas fiscais, o acesso a linhas de crédito bancário destinadas a pessoas jurídicas e o recolhimento de contribuições mensais que garantem direitos como aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade. Segundo o levantamento do IBGE, a posse de inscrição jurídica avança de maneira expressiva conforme aumenta o tempo de estudo do trabalhador.

MEI Microempreendedor
MEI Microempreendedor – Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com

Pela primeira vez na história da pesquisa, mais da metade dos trabalhadores por conta própria com diploma universitário estavam regularizados como pessoa jurídica, alcançando uma cobertura de 50,8% em 2025. Em contrapartida, entre os profissionais autônomos sem instrução formal ou com o ensino fundamental incompleto, o percentual de registro formal foi de apenas 11,1%. Para os empregadores que concluíram a graduação superior, o índice de regularidade alcançou 91,8%.

“A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quanto mais instrução a pessoa tem, mais preparada ela está para o mercado”, declarou William Kratochwill ao analisar o abismo existente entre os extremos da formação educacional brasileira. Apesar do avanço nos números absolutos e relativos, o órgão registrou que aproximadamente 20 milhões de autônomos e empregadores, o equivalente a cerca de 65% dessa força de trabalho, continuavam operando na informalidade em 2025, sem nenhum tipo de cadastro de pessoa jurídica.

Evolução da cobertura do CNPJ entre empreendedores e autônomos

A série histórica estruturada pelo IBGE teve início formal no ano de 2012 para acompanhar de forma contínua o grau de regularização de quem conduz o próprio negócio. A coleta domiciliar precisou ser suspensa nos anos de 2020 e 2021 em razão das restrições sanitárias e operacionais impostas durante a pandemia de Covid-19, sendo retomada em 2022 com a incorporação de novos parâmetros de acompanhamento social e previdenciário.

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  • 2012 — Início da série histórica registra 24,0% de formalização total, sendo 15,0% entre trabalhadores por conta própria e 75,6% entre os empregadores
  • 2014 — Mercado atinge a marca máxima de formalização geral da ocupação, alcançando 40,2% dos trabalhadores do país
  • 2019 — Proporção de empregadores brasileiros com cadastro formal no CNPJ consolida patamar acima de 80,0%
  • 2022 — Retomada pós-pandemia registra pico histórico de 8,4% dos trabalhadores atuando no domicílio de residência
  • 2023 — Taxa combinada de formalização de empregadores e conta própria chega ao patamar de 33,0%
  • 2024 — Cobertura conjunta de registros atinge 33,6%, enquanto a taxa de sindicalização marca 8,9% com 9,1 milhões de filiados
  • 2025 — Formalização conjunta bate ápice histórico de 35,0%, e autônomos com CNPJ atingem recorde de 27,1%

Desempenho dos setores econômicos e as taxas de formalização

Os setores de Serviços e de Comércio concentraram a maior parcela dos trabalhadores independentes no país durante o ano de 2025. O setor terciário de Serviços reuniu um contingente de 14,0 milhões de indivíduos ocupados, montante que correspondeu a 45,7% do total apurado nacionalmente entre conta própria e donos de empresas. O grupamento de Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas formou o segundo maior polo gerador de trabalho, com 6,4 milhões de pessoas, equivalendo a 20,9% do segmento. Em seguida, figuraram a Construção, com 12,8%, a Agricultura, com 12,0%, e a Indústria geral, com 8,5% de participação, reunindo 2,6 milhões de pessoas.

No recorte da taxa de formalização geral de cada setor econômico, o Comércio exibiu a maior proporção de registros no CNPJ em 2025, atingindo 49,8% de negócios formalizados. O grupamento de Serviços apareceu na sequência, com 40,3% de sua população ocupada devidamente cadastrada nos órgãos de receita. Em patamares inferiores, a Construção apresentou uma taxa de cobertura de 18,8%, e a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura anotou 8,6% de negócios formalizados. Em relação a 2012, todas as atividades econômicas ampliaram seus quadros formais, sobressaindo a Construção, que saltou de 6,9% para 18,8%, e os Serviços, que avançaram de 31,6% para 40,3%.

Ao analisar de modo exclusivo os trabalhadores por conta própria de cada segmento, o Comércio e reparação automotiva liderou o avanço ao atingir 36,7% de cobertura em 2025, ante 33,2% apurados no ano de 2024. No segmento de Serviços, a proporção de autônomos com CNPJ atingiu o pico de 33,5% em 2025, superando os 31,5% de 2024. Já a Indústria geral recuou de 23,4% para 22,8%, a Construção caiu de 15,2% para 14,8% e a Agricultura retraiu de 7,2% para 6,5% no trabalho individual.

Entre os empregadores, a regularidade manteve taxas superiores em quase todos os segmentos produtivos. No Comércio, 88,2% dos donos de estabelecimentos possuíam cadastro empresarial ativo ao final de 2025. Nos Serviços, a trajetória de expansão levou o índice de 84,0% em 2022 para 84,5% em 2024 e para o ápice de 86,4% em 2025. Na Indústria geral, a taxa de empregadores formalizados subiu de 83,4% para 84,3%, enquanto a Construção avançou de 55,7% para 58,2%. Na agropecuária, a formalização patronal registrou ligeiro acréscimo, oscilando de 32,1% em 2024 para 32,7% em 2025.

Participação feminina no CNPJ supera os índices masculinos

A taxa de mulheres empreendedoras com registro jurídico ativo manteve a dianteira histórica sobre o contingente de homens em 2025. O percentual geral de formalização feminina atingiu 36,7%, superando o índice masculino, apurado em 34,2%. No fechamento de 2024, a relação apontava 35,2% entre as mulheres diante de 32,7% entre os homens, sustentando uma diferença contínua em favor do público feminino em toda a série analisada pelo instituto.

No segmento específico do trabalho autônomo por conta própria, o avanço ocorreu para ambos os sexos, mantendo o nível das mulheres em patamar elevado. Em 2012, o percentual de mulheres autônomas com registro era de 15,8%, frente a 14,6% dos homens. No encerramento de 2025, os índices alcançaram 29,3% entre as mulheres que trabalham sozinhas e 25,9% entre os homens da mesma categoria.

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A diferença entre os sexos mostrou-se ainda mais acentuada entre os empregadores que contratam pessoal no país. Em 2012, a parcela de mulheres donas de negócios com CNPJ alcançava 82,4%, comparada a 73,1% dos empregadores homens. Essa distância se manteve expressiva em 2025, período em que 85,8% das empresárias possuíam CNPJ ativo, contra 79,0% de regularidade observada entre os empregadores do sexo masculino.

Diferenças regionais de cobertura do CNPJ e adesão cooperativa

As disparidades econômicas entre as Grandes Regiões do Brasil refletiram diretamente no acesso à formalização e nos índices de inscrição jurídica. O Sul manteve a liderança nacional com 46,7% de seus empreendedores regularizados no CNPJ em 2025. O Centro-Oeste e o Sudeste dividiram a segunda posição, ambos com uma taxa de 41,6% de seus contingentes formalizados. Em sentido oposto, as regiões Nordeste e Norte exibiram percentuais substancialmente menores, com 20,1% e 15,6%, respectivamente.

No desdobramento específico dos trabalhadores por conta própria, o Sul registrou 37,4% de autônomos formalizados, o Sudeste atingiu 33,8% e o Centro-Oeste fechou o período com 31,7%. As menores coberturas da categoria autônoma foram computadas no Nordeste, onde apenas 13,7% tinham pessoa jurídica, e no Norte, com 9,7%. Entre os empregadores que contratam trabalhadores, o Sul liderou com 88,9% de cobertura, o Sudeste marcou 87,1% e o Centro-Oeste obteve 82,3%, ao passo que o Nordeste registrou 67,6% e o Norte computou 57,7% de patrões formalizados.

A taxa de associativismo produtivo permaneceu restrita a uma fração minoritária no país em 2025. Dos 30,6 milhões de trabalhadores enquadrados como empregadores ou conta própria, somente 4,7% eram filiados a cooperativas de trabalho ou produção, englobando 1,4 milhão de pessoas, patamar distante do pico de 6,3% alcançado em 2012. O Sul apresentou o maior índice de integração cooperativa, com 7,8%, seguido pelo Norte, com 5,2%. As demais regiões ficaram abaixo da média nacional: Centro-Oeste registrou 4,2%, Sudeste anotou 4,0% e o Nordeste apresentou 4,0%.

Locais de atuação profissional dos trabalhadores no setor privado

O ambiente onde o trabalhador desenvolve a sua ocupação no setor privado revelou padrões consolidados na economia brasileira. O universo apurado de 84,6 milhões de pessoas no setor produtivo privado concentrou a maior parte de suas atividades dentro do estabelecimento do próprio empreendimento, totalizando 60,2% dos ocupados em 2025, patamar que permanece abaixo dos 62,7% identificados no começo das pesquisas em 2012.

O trabalho executado em local designado pelo empregador, patrão ou cliente abrigou 13,8% dos trabalhadores do setor privado. As atividades desenvolvidas em fazendas, sítios, granjas e chácaras congregaram 8,4% do total nacional apurado. Já o exercício laboral no próprio domicílio de residência apresentou redução gradual: após registrar o ápice histórico de 8,4% em 2022 durante os impactos residuais da pandemia, a modalidade recuou sucessivamente até marcar 7,9% em 2024 e repetir esse mesmo percentual de 7,9% ao longo de 2025. As atuações em veículos automotores somaram 5,0% e os serviços em vias ou áreas públicas responderam por 2,1%.

Taxa de sindicalização e perfil dos trabalhadores associados

A filiação a sindicatos manteve um quadro de estabilidade estatística em 2025, abrangendo 8,8% da população ocupada no país, o equivalente a 9,1 milhões de trabalhadores. No ano anterior, a cobertura sindical correspondia a 8,9% dos ocupados, reunindo igualmente 9,1 milhões de filiados. Essa estabilidade sucedeu a expansão de 812 mil novos associados registrada em 2024, que havia estancado uma sequência de retrações sucessivas observadas desde 2014.

Regionalmente, o Sul registrou o maior índice de filiação sindical com 9,7%, seguido pelo Nordeste com 9,2%, Sudeste com 8,8%, Centro-Oeste com 8,0% e Norte com 7,0%. No recorte por gênero, 8,9% dos homens trabalhadores estavam sindicalizados, contra 8,7% das mulheres. O Nordeste despontou como a única região em que a proporção feminina nos sindicatos superou a masculina, marcando 9,6% entre mulheres e 8,9% entre homens. No Norte, a adesão foi de 7,5% para homens e 6,4% para mulheres; no Sudeste, 9,0% para homens e 8,6% para mulheres; no Sul, 9,9% para homens e 9,4% para mulheres; e no Centro-Oeste, 8,4% para homens e 7,4% para mulheres.

A taxa de sindicalização variou conforme o ramo produtivo e a posição na ocupação em 2025. As maiores coberturas por grupamento ocorreram na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 14,7%, seguida pela Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 14,6%, e pela Indústria geral, com 11,4%. Em patamares reduzidos figuraram os Outros serviços, com 3,6%, a Construção, com 3,6%, e os Serviços domésticos, com 2,5%. Em relação a 2012, as perdas mais severas ocorreram no Transporte, armazenagem e correio, com retração de 12,4 pontos percentuais, na Administração pública e na Indústria geral, ambas com perdas de 9,9 pontos percentuais, e nas atividades financeiras e de comunicação, com queda de 9,6 pontos percentuais.

Quanto ao tipo de vínculo funcional, os empregados do setor público, categoria que agrega servidores estatutários e militares, lideraram o índice com 18,4% de associados. Empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada apresentaram 11,3% de filiação e trabalhadores familiares auxiliares somaram 10,2%. As menores participações sindicais foram computadas entre os empregados privados sem carteira assinada, com 3,3%, e os trabalhadores domésticos, com 2,8%.

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O nível educacional desempenhou papel direto na estrutura sindical nacional. A taxa de sindicalização dos ocupados com ensino superior completo atingiu 13,5%, enquanto trabalhadores com ensino fundamental completo e médio incompleto registraram 5,6%. Entre os profissionais sem instrução ou com fundamental incompleto, o índice ficou em 7,5%, e para quem tinha ensino médio completo ou superior incompleto, a taxa foi de 7,6%. Do contingente global de 9,1 milhões de trabalhadores sindicalizados no Brasil, 38,2% tinham nível superior completo, 37,7% possuíam ensino médio completo ou superior incompleto, 15,7% não tinham instrução ou tinham o fundamental incompleto e 8,4% haviam concluído o fundamental ou tinham o médio incompleto.

No Centro-Oeste, 51,9% da base de trabalhadores associados a sindicatos possuía formação de nível superior completo, seguida pelo Sudeste com 40,1% e pelo Sul com 38,6%. De modo inverso, o Norte e o Nordeste apresentaram expressiva proporção de sindicalizados sem instrução ou com fundamental incompleto, com 29,1% e 26,9%, respectivamente, refletindo a concentração de sindicatos rurais vinculados à atividade agropecuária tradicional de baixa escolaridade nessas regiões.

A PNAD Contínua apura os dados de registro societário e formalização declarada pelos cidadãos, mas não mede diretamente a proporção de abertura de CNPJs motivada por contratos de pejotização em substituição à carteira de trabalho tradicional. O levantamento do IBGE mantém o monitoramento da inserção produtiva e da cobertura previdenciária nacional em suas próximas divulgações trimestrais regulares.

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