A operadora de saúde Hapvida contratou o BTG Pactual e a XP Investimentos para avaliar uma operação imobiliária de venda e locação de unidades hospitalares de sua rede própria, estruturada no formato de sale-leaseback. A potencial transação financeira tem como teto a captação de até R$ 1,5 bilhão para o caixa da companhia, valor voltado prioritariamente para frear a alavancagem financeira.
As tratativas estão em estágio preliminar e ampliam o plano da empresa cearense de reorganizar suas finanças em 1 de outubro de 2026, período em que o grupo também conduz negociações para a alienação de sua infraestrutura assistencial na Região Sul do território nacional.
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Como funciona a estrutura de sale-leaseback da Hapvida
Na modalidade de sale-leaseback em análise, a Hapvida transfere a propriedade de prédios hospitalares selecionados a investidores do mercado de capitais e, simultaneamente, firma contratos de aluguel de longo prazo para continuar ocupando e administrando as unidades de saúde sem interrupção no atendimento.
Esse arranjo de desmobilização patrimonial permite transformar ativos fixos de tijolo em capital líquido imediato, sem que a operadora perca o controle da prestação dos serviços médicos aos seus clientes. A estratégia responde ao aumento dos compromissos financeiros e às pressões de rentabilidade acumuladas desde a combinação de negócios com o Grupo Notre Dame Intermédica, movimento que expandiu a abrangência geográfica da companhia, mas ampliou as despesas com sinistralidade e disputas judiciais no setor de saúde suplementar.
Endividamento da Hapvida atinge 2,49 vezes o Ebitda
O esforço de liquidez ocorre após a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, momento em que a relação entre a dívida líquida e o Ebitda da Hapvida atingiu 2,49 vezes quando incluídos os passivos contratuais de arrendamento mercantil, contra 1,26 vez apurada no segundo trimestre de 2025. Pelo critério dos covenants bancários estipulados nos contratos de financiamento da operadora, o mesmo indicador fechou o período em 1,61 vez.
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O saldo consolidado da dívida líquida da empresa encerrou o segundo trimestre de 2026 em R$ 5,401 bilhões. Como a companhia não possui títulos de dívida emitidos no exterior, todo o seu passivo oneroso está centralizado em instrumentos de crédito no mercado doméstico, como debêntures. Em agosto de 2026, a Hapvida concluiu um programa de recompra de debêntures e encerrou posições de proteção cambial de R$ 250 milhões, medida que resultou no abatimento de R$ 322,6 milhões em sua dívida bruta.
Venda de ativos no Sul e histórico de transações da Hapvida
O mandato concedido a BTG Pactual e XP Investimentos para a operação predial soma-se a outro processo em andamento conduzido pelas mesmas instituições financeiras. Ambos os bancos de investimento lideram as conversas para vender os ativos da Hapvida nos estados do Sul do Brasil, iniciativa pela qual a diretoria busca levantar cerca de R$ 2 bilhões junto a concorrentes e grupos de investimento.
Não é a primeira ocasião em que a operadora recorre à venda e locação de hospitais para recompor a estrutura de capital. Em 27 de março de 2023, a companhia formalizou uma transação de sale-leaseback envolvendo dez imóveis pelo valor de R$ 1,25 bilhão com a LPAR, veículo de investimento da família controladora Pinheiro, garantindo fôlego de curto prazo durante um intervalo de volatilidade financeira.
Principais valores e dados financeiros da Hapvida
- Potencial de captação estimado no novo sale-leaseback: até R$ 1,5 bilhão
- Meta de arrecadação com desinvestimentos na Região Sul: R$ 2 bilhões
- Saldo de dívida líquida registrado no segundo trimestre de 2026: R$ 5,401 bilhões
- Alavancagem com arrendamento mercantil no segundo trimestre de 2026: 2,49 vezes o Ebitda
- Alavancagem segundo covenant contratual no mesmo período: 1,61 vez o Ebitda
- Volume movimentado no sale-leaseback de dez imóveis em março de 2023: R$ 1,25 bilhão
Prazos contratuais e posicionamento oficial da operadora
Questionada sobre as negociações com o consórcio de estruturação bancária, a Assessoria de Imprensa da Hapvida informou que a companhia “não comenta rumores ou especulações de mercado”, mas declarou que a administração “mantém uma agenda contínua focada em eficiência operacional”. Representantes do BTG Pactual e da XP Investimentos não emitiram posicionamento a respeito do mandato.
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Ainda não há definição pública sobre a lista de hospitais que fariam parte do portfólio colocado à venda, os fundos imobiliários abordados para a compra nem os prazos de vigência dos futuros contratos de locação. As partes mantêm as conversas reservadas, e a execução definitiva do plano financeiro segue condicionada a propostas firmes de adquirentes do mercado.
