Nova Volkswagen Amarok mantém só 16 de 60 fornecedores argentinos

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Amarok - Reprodução/YouTube Foto: Amarok - Reprodução/YouTube

A nova Volkswagen Amarok manterá apenas 16 dos 60 fornecedores locais que atendiam a fabricação da picape no Centro Industrial de General Pacheco, na Argentina. A redução drástica no volume de componentes nacionais ocorre pela substituição do veículo por um modelo derivado da picape chinesa SAIC Maxus Interstellar X, o que provocou o encerramento imediato de operações industriais e centenas de demissões na Grande Buenos Aires.

O corte no polo de autopeças atinge empresas instaladas no país há mais de uma década e meia exclusivamente para abastecer a linha de montagem da montadora alemã. “Eles já informaram que vão embora no fim do ano. Os trabalhadores já estão cientes da situação”, afirmaram representantes sindicais e empresariais do Parque Industrial de Pilar sobre o desligamento da fabricante de chicotes elétricos Kromberg & Schubert, em tradução livre do espanhol.

Fechamento de fábricas e demissões na cadeia da Volkswagen Amarok

A multinacional alemã Kromberg & Schubert fechará em definitivo sua fábrica no Parque Industrial de Pilar até 31 de dezembro de 2026. A companhia se estabeleceu em território argentino em 2009 com a finalidade exclusiva de fornecer chicotes elétricos para o utilitário da Volkswagen e agora demitirá mais de 200 empregados após não ter o contrato renovado para a próxima geração da picape.

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Outro encerramento de atividade atinge a fornecedora Irauto, subsidiária do grupo espanhol Grupo Antolin localizada em Benavídez. A unidade produtora de forros e revestimentos de teto automotivo deixará o país e dispensará 80 funcionários. Existe a possibilidade de transferência de parte das máquinas e operações para a empresa Trefelt, mas a negociação ainda carece de confirmação formal das diretorias.

No mesmo polo de Pilar, a fabricante de isolamento acústico e carpetes Pelzer System, controlada pelo grupo italiano Adler Pelzer, encolheu o quadro funcional de 100 para apenas 13 funcionários. A unidade não conseguiu contratos substitutos com outros fabricantes de automóveis e corre risco iminente de paralisação total das linhas.

Como a base chinesa Maxus altera a produção da Volkswagen Amarok?

A nova geração da caminhonete continuará com montagem no complexo argentino de General Pacheco por meio de um aporte de US$ 580 milhões anunciado pela Volkswagen, mas a estrutura construtiva mudará integralmente. Enquanto a primeira geração do utilitário nasceu de uma plataforma concebida na Alemanha e demandou ampla nacionalização de itens mecânicos e de acabamento, o novo projeto utiliza a arquitetura desenvolvida pela SAIC Motor na China.

A picape chegará a Pacheco na forma de conjuntos de peças desmontadas, conhecidos na indústria como kits CKD, o que transfere o valor agregado e a produção de componentes complexos para fornecedores asiáticos parceiros da SAIC. No âmbito do Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE 14) entre Argentina e Brasil, as diretrizes de conteúdo automotivo regional do Mercosul autorizam a circulação com tarifa zero de veículos que tenham até 84% de componentes fabricados fora do bloco econômico dentro do custo global de autopeças.

Dados do polo automotivo e cronograma da Volkswagen Amarok

  • US$ 580 milhões: investimento anunciado pela Volkswagen para a nova geração da picape na fábrica de Pacheco.
  • 16 de 60: total de autopeças argentinas mantidas no fornecimento da nova arquitetura.
  • 800 mil: volume total de picapes Amarok de primeira geração produzidas na Argentina desde 2010.
  • 4.100: postos de trabalho encerrados no setor argentino de autopeças ao longo de 2025.
  • 63: empresas fabricantes de peças automotivas que cancelaram projetos ou encerraram unidades na Argentina desde 2009.
  • 1 de janeiro de 2027: marco temporal previsto para a estreia comercial e montagem seriada da nova picape híbrida.

Retração no polo automotivo atinge outras marcas na Argentina

A ruptura na cadeia de fornecedores da Volkswagen coincide com um quadro de desaceleração disseminada na indústria de veículos da Argentina em 2026. A retração de demanda nos mercados consumidores vizinhos levou o grupo Stellantis a suprimir um turno de trabalho na fábrica de Ferreyra, onde são montadas as picapes Fiat Titano e Ram Dakota, além de desacelerar as linhas dos modelos Peugeot 208 e Peugeot 2008 na unidade de El Palomar. Pelo mesmo motivo, a Ford reduziu a velocidade de produção da Ranger em Pacheco.

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Com menos espaço para realocar capacidade industrial ociosa em outras montadoras, sistemistas tradicionais como Motherson, Caimari e Albano Cozzuol negociam participações residuais no novo utilitário com previsão de volumes menores de faturamento. A primeira geração da Amarok marcou a história da fábrica argentina ao atingir 800 mil unidades produzidas em 16 anos de ciclo comercial.

A Volkswagen confirma publicamente apenas que a futura Amarok contará com sistema de propulsão híbrida, mantendo sob sigilo os dados técnicos completos de homologação veicular e detalhes de motorização. Informações apuradas pelo executivo Fábio Trindade apontam que a versão topo de linha adotará a nomenclatura Amarok 800 TSI, com tecnologia híbrida plug-in, tração integral, potência superior a 470 cv e torque combinado de 800 Nm (81,6 kgfm), acelerando de 0 a 100 km/h em menos de cinco segundos.

A despedida da plataforma alemã ocorre com a fabricação da edição limitada Amarok Unlimited na Argentina e no Brasil, enquanto a chegada da nova geração derivada da SAIC Maxus está programada para o primeiro trimestre de 2027.

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