Observatório Swift retoma buscas científicas antes de reentrada na Terra

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Swift Observatory - Divulgação/Nasa Foto: Swift Observatory - Divulgação/Nasa

A missão inédita para salvar o Observatório Neil Gehrels Swift terminou formalmente após a espaçonave robótica LINK reentrar e queimar na atmosfera terrestre em 25 de setembro de 2026. O veículo construído pela empresa Katalyst Space não conseguiu realizar o acoplamento para elevar a órbita do satélite científico da NASA, que permanece descendo em direção às camadas mais densas da atmosfera.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, comentou o resultado da operação comercial. “A NASA deve estar disposta a se mover rapidamente e assumir riscos inteligentes quando o retorno potencial vale a pena, e foi exatamente isso que fizemos com esta missão. Este não é o resultado pelo qual estávamos trabalhando, mas não muda a razão pela qual valia a pena tentar esta missão”, declarou Isaacman, em tradução livre.

O que causou o cancelamento do resgate do telescópio Swift?

telescópio espacial Neil Gehrels Swift - Divulgação/Nasa
Foto: telescópio espacial Neil Gehrels Swift – Divulgação/Nasa

Os problemas técnicos na espaçonave LINK começaram logo após o lançamento orbital. Durante os testes preliminares, o veículo sofreu anomalias no sistema de controle de atitude causadas por superaquecimento dos circuitos eletrônicos, pane mecânica nas rodas de reação e interrupções frequentes de comunicação com a equipe de controle no solo. A precisão de orientação era uma condição indispensável para a segurança da aproximação física, já que qualquer solavanco descontrolado colocaria ambas as estruturas em risco iminente de colisão.

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A constatação dessas falhas levou a NASA e a Katalyst Space a anunciarem o cancelamento oficial da tentativa de captura em 19 de agosto de 2026. A partir daquela data, os técnicos utilizaram os recursos restantes do propulsor a gás xenônio e os três braços robóticos para testes de engenharia em voo livre. A sonda conseguiu se aproximar a uma distância entre 12 e 15 quilômetros do Swift e registrou fotos do observatório antes de ter sua trajetória direcionada para a queima terminal na atmosfera.

O diretor da Divisão de Astrofísica da sede da NASA em Washington, Shawn Domagal-Goldman, explicou o valor institucional da tentativa. “Desde o início, esta foi uma missão de alto risco e alta recompensa. Sem intervenção, o Swift reentraria na atmosfera até o fim do ano. E, embora fiquemos tristes ao ver a missão do Swift chegar ao fim, sabíamos que esse esforço de elevação seria valioso para a agência em vários níveis, avançando a tecnologia de manutenção de espaçonaves dos Estados Unidos, desafiando-nos a cumprir prazos de missão sem precedentes e testando como operamos satélites para estender seu tempo na órbita baixa da Terra”, disse Domagal-Goldman, em tradução livre. O CEO da Katalyst Space Technologies, Ghonhee Lee, completou afirmando que “a LINK foi construída para enfrentar um problema que não tinha uma solução fácil”, em tradução livre.

Números e parâmetros do projeto de salvamento orbital

O contrato estabelecido entre a agência espacial norte-americana e a iniciativa privada envolveu metas financeiras e prazos de fabricação extremamente comprimidos para os padrões da indústria aeroespacial:

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  • US$ 30 milhões concedidos pela NASA à Katalyst Space para a execução do contrato
  • 9 meses de prazo total utilizados para projetar, construir, testar e lançar o veículo robótico
  • 85 dias de permanência da espaçonave LINK em órbita terrestre antes da reentrada
  • 12 a 15 quilômetros de aproximação máxima alcançada entre a LINK e o Swift
  • 325 quilômetros de altitude aproximada do observatório no momento da destruição da sonda de resgate

Cronologia da missão LINK e do observatório Neil Gehrels Swift

A sequência das operações entre as bases terrestres e a órbita baixa ocorreu ao longo do segundo semestre de 2026:

  • 3 de julho de 2026: lançamento da LINK por foguete Pegasus XL lançado da aeronave Stargazer em Kwajalein
  • 19 de agosto de 2026: anúncio oficial da desistência da manobra de acoplamento do satélite
  • 18 de setembro de 2026: reativação e recalibração completa do Burst Alert Telescope pela equipe técnica
  • 21 de setembro de 2026: restabelecimento do apontamento autônomo do Swift para fenômenos de alta energia
  • 25 de setembro de 2026: reentrada e desintegração da espaçonave LINK na atmosfera da Terra
  • 28 de setembro de 2026: publicação do relatório de lições aprendidas elaborado pela NASA

Como o telescópio Swift funcionou por mais de duas décadas

O Observatório Neil Gehrels Swift foi lançado originalmente pela NASA em novembro de 2004 para detectar explosões de raios gama, conhecidas pela sigla GRB, consideradas as detonações mais energéticas do cosmos. Projetado inicialmente para trabalhar por dois anos, o equipamento operou continuamente por quase 22 anos, expandindo o catálogo de observações para supernovas, buracos negros, estrelas de nêutrons, núcleos galácticos ativos, cometas e asteroides.

Construído sem propulsores próprios para corrigir desvios de rota, o observatório sempre dependeu da estabilidade de sua órbita inicial. Nos últimos anos, contudo, o aumento cíclico da atividade solar aqueceu as camadas superiores da atmosfera da Terra, expandindo a termosfera e aumentando o arrasto aerodinâmico contra a estrutura metálica do satélite. Para conter a desaceleração orbital enquanto a empresa parceira montava a nave de socorro, os engenheiros modificaram a inclinação do Swift entre fevereiro e agosto de 2026, minimizando a área de atrito frontal e segurando a altitude acima dos 300 quilômetros.

Com a desistência do salvamento externo, o astrofísico Brad Cenko, pesquisador do Goddard Space Flight Center da NASA e investigador principal do projeto, coordenou a retomada imediata da coleta científica. O Telescópio de Raios X e o Telescópio Ultravioleta/Óptico voltaram a operar no fim de agosto de 2026, seguidos pelo Burst Alert Telescope em setembro. Ao recuperar o comando dinâmico, o telescópio voltou a girar automaticamente em direção a novas emissões de energia, o que elevou novamente a resistência do ar sobre seus painéis.

A data exata em que o telescópio Swift fará sua reentrada definitiva na atmosfera da Terra permanece indeterminada. O ritmo da perda de altitude depende das oscilações da atividade solar na alta atmosfera, mas a equipe de controle calcula que a nave entrará na faixa crítica de 300 quilômetros durante o mês de outubro de 2026, caminhando para a queima final até o término do ano.

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