Prefeitura de São Paulo descarta radares com inteligência artificial no trânsito

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Radar, estrada - Reprodução/DAER-RS Foto: Radar, estrada - Reprodução/DAER-RS

A Prefeitura de São Paulo descartou a instalação de radares com inteligência artificial para autuar condutores nas vias da capital paulista. A administração municipal decidiu não implementar o monitoramento automatizado para infrações como o manuseio de aparelho celular ao volante e a falta do cinto de segurança na malha viária urbana.

O anúncio ocorreu na terça-feira (29), durante o evento Summit Futuro da Mobilidade 2026. O secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo, Gilmar Miranda, apontou que a dinâmica das vias municipais diminui a precisão dos sistemas inteligentes em comparação com trajetos rodoviários.

“Nos trechos mais localizados, elas têm menor eficácia justamente por conta do tamanho do espaço e até do volume de veículos […] Isso pode, num primeiro momento, não ser recomendado”, afirmou Miranda ao detalhar a avaliação técnica do município.

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Motivos da rejeição da inteligência artificial nas vias da capital

A complexidade estrutural do trânsito na capital paulista pesou na decisão da Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito. Entre os obstáculos apontados pela pasta estão a lentidão recorrente, o número expressivo de cruzamentos semafóricos e as oscilações contínuas de velocidade, fatores que prejudicam a assertividade dos algoritmos de reconhecimento de imagem.

Com a rejeição dos equipamentos automáticos de triagem eletrônica, a fiscalização de trânsito em São Paulo segue operando exclusivamente sob o modelo tradicional. O acompanhamento e a emissão de notificações continuam sob responsabilidade presencial de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e de policiais militares, que atuam diretamente nas vias públicas para identificar condutas irregulares.

Radar
Foto: Radar – onapalmtree / Shutterstock.com

Operação e triagem humana de radares em rodovias paulistas

O posicionamento da capital contrasta com a estratégia adotada nas rodovias estaduais de São Paulo, onde equipamentos com suporte de algoritmos já funcionam de maneira ativa. A tecnologia está posicionada nos km 17 e 18 da Rodovia Raposo Tavares e em pontos do Rodoanel, monitorando faixas de rolamento com tráfego contínuo e velocidades padronizadas.

Diferentemente de radares tradicionais de velocidade, os sistemas de visão computacional não geram multas de forma cem por cento autônoma, em razão das diretrizes vigentes da legislação de trânsito. Os equipamentos registram fotografias de alta resolução ao detectarem comportamentos suspeitos na cabine dos veículos e enviam os arquivos para uma central de análise.

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Nessa central, policiais militares rodoviários realizam a checagem manual de cada registro fotográfico. Os agentes avaliam se houve de fato a infração antes de lavrar o auto, evitando que erros algorítmicos ou falsos positivos gerem penalidades indevidas aos condutores. Diante do modelo implementado, a concessionária que administra o trecho da Raposo Tavares planeja estender o sistema de monitoramento com inteligência artificial para a Rodovia Castello Branco.

Balanço de autuações e valores das multas de trânsito

No primeiro mês de testes na Rodovia Raposo Tavares, entre 3 de agosto e 3 de setembro de 2026, os dois pontos equipados com a ferramenta registraram volume significativo de irregularidades. O levantamento oficial aponta a distribuição das autuações validadas e os valores aplicados de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro:

  • 2.316 multas validadas e aplicadas com apoio de câmeras inteligentes nos km 17 e 18 da Rodovia Raposo Tavares.
  • 1.386 autuações por ausência do cinto de segurança, representando 59,84% do total registrado, sendo 779 condutores e 607 passageiros flagrados sem o item de proteção.
  • 930 penalidades pelo uso ou manuseio de telefone celular e fones de ouvido durante a condução, correspondendo a 40,16% das infrações confirmadas.
  • R$ 195,23 de penalidade financeira e acréscimo de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação por falta de cinto, caracterizada como infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro.
  • R$ 293,47 de multa e acréscimo de 7 pontos no prontuário da habilitação por segurar ou manusear telefone celular, enquadrada como infração gravíssima.

Cenário da fiscalização urbana e ausência de cronograma municipal

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Apesar da expansão dos dispositivos automatizados pela malha rodoviária do estado, a gestão municipal paulistana não estabeleceu prazo ou cronograma para rever a decisão sobre o uso de inteligência artificial na fiscalização urbana. A Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito mantém a diretriz de preservar apenas a atuação presencial nas vias da cidade.

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