Venda de carne bovina para a China encarece com tarifa extra de 55% a partir de hoje

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Carne Bovina - BearFotos/shutterstock.com Foto: Carne Bovina - BearFotos/shutterstock.com

As exportações de carne bovina do Brasil para a China passaram a pagar uma tarifa adicional de 55% a partir da meia-noite desta quinta-feira (1). A cobrança extra eleva a tributação total de importação de 12% para 67% sobre todo o volume que desembarcar nos portos chineses acima do limite fixado para o ano de 2026.

O Ministério do Comércio da China comunicou que os embarques brasileiros atingiram 100% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas na terça-feira (29). Pelo mecanismo de salvaguarda publicado no comunicado oficial número 87 de Pequim, a alíquota punitiva entra em operação no terceiro dia após o esgotamento do volume tarifado com imposto regular.

Dados da sobretaxa contra a carne bovina brasileira

  • Data de início da cobrança: quinta-feira, 1 de outubro de 2026, às 00h00
  • Tarifa regular até a cota: 12%
  • Sobretaxa aplicada ao excedente: 55%
  • Imposto total incidente sobre o volume extra: 67%
  • Limite da cota anual do Brasil para 2026: 1,106 milhão de toneladas
  • Vigência do regime de salvaguardas de importação: até 31 de dezembro de 2028
exportação
Foto: exportação – MISTER DIN/Shutterstock.com

China barra transferência de cota do Uruguai para frigoríficos do Brasil

O governo chinês rejeitou o pedido apresentado pela diplomacia brasileira para absorver a parcela não utilizada da cota do Uruguai. A equipe econômica do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tentava remanejar sobras de outros países sul-americanos para assegurar o fluxo de vendas sem o pagamento do imposto de 67%.

A salvaguarda comercial foi desenhada pelas autoridades de Pequim para proteger pecuaristas e produtores locais, pressionados pelo avanço da carne importada nos últimos anos. Sob a regra de proteção de mercado, cada nação fornecedora recebeu um teto anual próprio. A Austrália, por exemplo, enfrentou situação idêntica ainda no primeiro semestre deste ano: o país da Oceania esgotou seu limite em junho de 2026 e passou a pagar a sobretaxa de 55% imposta pelo governo chinês.

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Na quarta-feira (30), o Ministério do Comércio da China publicou a portaria que oficializou o término do volume básico destinado aos frigoríficos brasileiros. Como a regra prevê que a sobretaxa entra em vigor no terceiro dia após o esgotamento das remessas, a barreira alfandegária entrou em operação no primeiro minuto do mês de outubro.

Impacto das restrições chinesas no faturamento da pecuária nacional

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), presidida por Roberto Perosa, estima uma redução de 10% no volume total de carne bovina exportada pelo país em 2026 na comparação direta com o acumulado de 2025. O setor avalia que a tarifa de 67% inviabiliza as margens de lucro dos frigoríficos, retirando a vantagem de preço dos produtos brasileiros no mercado asiático.

A China comprou 1,68 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil ao longo de 2025, o que representou cerca de 48% de todos os embarques externos realizados pelos exportadores nacionais naquele período. No entanto, o volume total autorizado com taxa básica para 2026 equivale a aproximadamente 65% do total que os importadores chineses retiraram das indústrias brasileiras no ano anterior.

Empresas processadoras de carne vinham reduzindo o ritmo de produção desde julho para evitar a incidência da taxa extra em alto-mar. Diversas plantas frigoríficas concederam férias coletivas aos empregados diante do risco de os navios atracarem no destino após o preenchimento da cota anual.

Volume de carne bovina fixado para a China em 2027

O regulamento comercial estabelecido por Pequim mantém o sistema de cotas até 31 de dezembro de 2028. Para o calendário de 2027, o teto de importação reservado ao produto brasileiro passará para 1,128 milhão de toneladas.

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O Ministério da Agricultura planejava intensificar as conversas bilaterais para obter uma cota excepcional ainda no quarto trimestre deste ano. Até o momento, o governo brasileiro não divulgou se recebeu resposta oficial de Pequim sobre eventuais pleitos de ampliação extraordinária para os meses finais de 2026.

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